Nelson Pereira – “O Panka”, nasceu em São Paulo em 11 de Dezembro
de 1927. Desde moleque gostava de cantar. Ainda menino apaixonou-se por
“Carolina” uma menina que morava em frente a sua casa e então, subia na
goiabeira para cantar pra ela. Cantava músicas de Nelson Gonçalves.
Sempre teve preferência por músicas românticas. Ao contrário da maioria
dos jovens da sua idade, Panka não gostava de dançar nem de cantar
samba enredo, “Samba de Escola”.
"Contando a música 'Dos meus braços
tu não sairás', arrumei muitas namoradas". Confessa pra nós, que sabia que essa
música agradava e quando estava 'de olho' numa menina, cantava pra ela e, 'não
dava outra', ela acabava se aproximando.
Apaixonado pela Vilma
casou-se com ela. “Foi amor a primeira vista”. Afirma. "Eu estava namorando
outra moça há mais de dois anos, quando um dia a Vilma entrou no bar/armazém do
meu pai, que ficava em frente ao campo de futebol, aqui em Cruzeiro. 'Eu gostei
dela na hora'. Eu estava cantando aquela música – Normalista, parei para
atendê-la. Cheguei e me apresentei a ela como 'Nelson Gonçalves'."
"Ela tinha vindo de Minas, chegou no trem 'Misto' das 11 horas. Era mais
ou menos 1950. Eu vim para Cruzeiro para jogar futebol e acabei ficando. Quando
meu pai abriu o bar fiquei ajudando no atendimento".
"A Vilma me disse
que estava só de passagem por Cruzeiro, que ia para São Paulo, para a casa de um
Tio que era Delegado de Polícia. Sairia da cidade às 5 horas da manhã, no dia
seguinte, no chamado “Trem Baiano”. Eu disse que iria acompanhá-la até a
Estação. Naquela hora ainda estava escuro. E fui. O dia estava amanhecendo e eu
ali, cumprindo a promessa".
"Fomos conversando e de repente ela viu
que eu estava muito aborrecido porque ela ia mesmo e eu tinha conhecido ela, só
um dia antes. Tinha conversado com ela só uma vez. Então, ela me convidou pra ir
com ela. Não conversei. Quando o trem parou, eu embarquei também. Disse que ia
levá-la até lá, na cidade de São Paulo".
"O trem chegou mais atrasado
do era de costume. O pessoal dela estava preocupado, esperando na Estação.
Quando ela viu o tio, o delegado de cara feia, zangado, ela “não conversou”, me
apresentou pra ele como marido dela”. Veja só, a gente tinha acabado de se
conhecer".
"Então fomos pra casa dele que nos recebeu muito bem. Veja, ela disse que não
tinha como explicar pra família que estava viajando com um rapaz que nem sabia
direito quem era. Então, resolveu dizer que éramos casados. Eu estava apaixonado
mesmo e deixei a história assim, não desmenti não. Acabei morando com ela e
depois, muito tempo depois é que fomos a Soledade, em Minas, para que eu pudesse
conhecer os pais dela".
"Vivi a vida toda com ela, até há pouco tempo
atrás, mais de cinqüenta anos. Sempre fui apaixonado. Gostava dela de verdade.
Ela morreu, e eu? Fiquei viúvo, ora! Aquela moça que eu namorava quando conheci
a Vilma, e que acabei deixando em Cruzeiro, depois casou-se com outro e esta
viúva também. Quando ela soube que a Vilma tinha morrido mandou um convite para
eu tomar um café com ela. Mas, eu não aceitei. Não fui, não! “Tá louco!” Ela
deve ter ficado com uma raiva danada de mim. Sei lá se vai querer me envenenar!
Falou, rindo.
Panka é integrante do “Grupo de Seresta Pedacinho do céu”. Apresenta sempre,
antes de cantar, um “prefixo musical” e isso, tornou-se o “seu” diferencial.
Extremamente simpático, Panka envolve o público de todas as idades com um
carisma indiscutível e sua bela voz, nos fazendo lembrar Nelson Gonçalves e às
vezes, Jamelão.
Panka é motorista profissional, aposentado. Em São Paulo
trabalhou para um grupo da Jovem Guarda, os cabeludos “Os Manos”, durante muitos
anos. Depois passou a dirigir caminhão transportando sal de São Pedro da
Aldeia/RJ. "Fui procurado diversas vezes para dirigir pra outros artistas,
um deles “o que cantava assim: O piquenique foi bom..., não me lembro mais o
nome dele, mas acabou não aceitando.. Estava ganhando bem com o sal então
indiquei um amigo que na época era motorista de circo e continuei no 'sal'."
"Quando voltei pra Cruzeiro fui motorista do Geraldo. 'Puxava areia'.
Depois, mais tarde conheci o Nelson Pinto da Mota e fui trabalhar com ele e
fiquei com ele de 1962 até 06 de Agosto de 2005, quando ele morreu".
"A
amizade com o Nelson era grande. Depois que ele ficou viúvo, eu almoçava com ele
todos os dias e por isso brincava dizendo que “ele era meu pai”. Ainda hoje eu
ajudo no Frigorífico Cleomar. Fico a portaria enquanto o pessoal almoça. Conheço
e me dou bem com todos os funcionários do 'meu pai', brinca".
Com sua
voz, cantando, ganhou diversos prêmios na Rádio Record, quando era ainda no
centro de São Paulo. Na Rádio Bandeirante, na Excelsior, na Tupi, onde conheceu
o Didi, o Dedé, o Zacarias. "O Mussum na época ainda não era do grupo e cantava
pagode. Eles andavam lá pelas rádios a espera de uma oportunidade".
Assim, Panka, o cruzeirense por adoção, deixa-nos orgulhosos e felizes por
integrar o “Grupo de Seresta Pedacinho do Céu”. Companhia sempre alegre e
estimada por todos é capaz de arrancar boas risadas dos companheiros, com seu
humor descontraído e suas observações espirituosas.
Internado na Santa
Casa de Misericórdia da cidade de Cruzeiro, por alguns dias, para exames de
saúde; reclamando de dor na perna direita, provocou boas risadas quando disse ao
médico que o examinava: Doutor! ... o senhor está me dizendo que esta minha perna dói por causa da idade? A outra tem a mesma idade e não dói!
Na foto: Panka na apresentação do "Grupo Seresta Pedacinho do Céu" em Lavrinhas/SP, com a família - filha e netos.