Principais Partidos Políticos em funcionamento na atualidade e suas principais idéias e
características
PDT
- Partido Democrático Trabalhista
Criado em 1981, o PDT resgatou as principais bandeiras defendidas pelo
ex-presidente Getúlio Vargas.
De tendência nacionalista e social-democrata, esse partido tem como redutos
políticos os estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Nestas
regiões, tem o apóio de uma significativa base eleitoral popular. A
principal figura do PDT foi o ex-governador Leonel Brizola, falecido em 2004. O
PDT defende como idéia principal o crescimento do país através do investimento
na indústria nacional, portanto é contrário às privatizações.
PC
do B - Partido Comunista do Brasil Fundado em 1962 a partir do antigo PCB, o
Partido Comunista do Brasil foi colocado na ilegalidade na época do regime
militar (1964 a 1985). Mesmo assim, políticos e partidários do PC do B entraram
nas fileiras da luta armada contra os militares. O PC do B voltou a funcionar
na legalidade somente em 1985, durante o governo de José Sarney. Este
agremiação defende idéias socialistas, e tem como bandeiras principais a luta
pela reforma agrária, distribuição de renda e igualdade social. A principal
figura do partido foi o ex-deputado João Amazonas.
PL
- Partido Liberal
O Partido Liberal entrou em funcionamento no ano de 1985, reunindo vários
políticos da antiga ARENA e também dissidentes do PFL e do PDS. O partido tem
uma proposta de governo que defende o liberalismo econômico com pouca
intervenção do estado na economia. Outra importante bandeira dos liberais é a
diminuição das taxas e impostos cobrados pelo governo.
PFL
- Partido da Frente Liberal
O PFL foi registrado em 1984 e contou com a filiação de vários políticos
dissidentes do PDS. Apoio e forneceu sustentação política durante os governos
de José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Atualmente faz
oposição ao governo Lula. Suas bases partidárias estão na região Nordeste do
Brasil, onde atua sua principal figura, o ex-governador da Bahia e atual
senador Antônio Carlos Magalhães.
Os partidários defendem uma economia livre de barreiras e a redução de taxas e
impostos.
PMDB
- Partido do Movimento Democrático Brasileiro Fundado em 1980, reuniu uma grande
quantidade de políticos que integravam o MDB na época do governo militar.
Identificado pelos eleitores como o principal representante da redemocratização
do pais, no início da década de 1980, foi o vencedor em grande parte das eleições ocorridas no
período pós regime militar. Chegou ao poder nacional com José Sarney, que
tornou-se presidente da república após a morte de Tancredo Neves. Com o sucesso
do Plano Cruzado, em 1986, o PMDB conseguiu eleger a grande maioria dos
governadores naquelas eleições. Após o fracasso do Plano Cruzado e a morte de
seu maior representante, Ulysses Guimarães, o PMDB entrou em declínio. Muitos
políticos deixaram a legenda para integrar outras ou fundar novos partidos. A
principal legenda fundada pelos dissidentes do PMDB foi o PSDB.
PPS
- Partido Popular Socialista
Com a queda do muro de Berlim e o fim do socialismo, muitos partidos deixaram a
denominação comunista ou socialista de lado.
Foi o que aconteceu com o PCB que transformou-se em PPS, em 1992. Além da
mudança de nomenclatura, mexeu em suas bases ideológicas, aproximando-se mais
da social-democracia. Suas principais figuras políticas da atualidade são o
ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Roberto Freire.
PPB
- Partido Progressista Brasileiro Criado em 1995 da fusão do PPR ( Partido
Progressista Reformador) com o PP e PRP. Tem como base políticos do antigo PDS,
que surgiu a partir da antiga ARENA. O PPB defende idéias amplamente baseadas
no capitalismo e na
economia de mercado. Seus principais representantes são o ex-governador e
ex-prefeito Paulo Maluf de São Paulo e o senador Esperidião Amin de Santa
Catarina.
PSDB
- Partido da Social-Democracia Brasileira O PSDB foi fundado no ano de 1988 por
políticos que saíram do PMDB por discordarem dos rumos que o partido estava
tomando na elaboração da Constituição daquele ano. Políticos como Mario Covas,
Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Ciro Gomes defendiam o parlamentarismo
e o mandato de apenas quatro anos para Sarney. De base social-democrata,
defende o desenvolvimento do país com justiça social. O PSDB cresceu muito
durante e após os dois mandatos na presidência de Fernando Henrique Cardoso.
Atualmente, é a principal força de oposição ao governo Lula.
PSB
- Partido Socialista Brasileiro Foi criado no ano de 1947 e defende idéias
do socialismo com transformações na sociedade que representam a melhoria da
qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Principal representante político :
Miguel Arraes.
PT
- Partido dos Trabalhadores Surgiu junto com as greves e o movimento
sindical no início da década de 1980, na região do ABC Paulista. Apareceu no
cenário político para ser uma grande força de oposição e representante dos
trabalhadores e das classes populares. De base socialista, o PT defende a
reforma agrária e a justiça social. Atualmente, governa o país através do
presidente Luis Inácio Lula da Silva. As principais metas do governo Lula tem
sido : crescimento econômico, estabilidade econômica com o controle
inflacionário e geração de empregos.
PSTU
- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado Fundado em 1994 por dissidentes do PT. Os integrantes
do PSTU defendem o fim do capitalismo e a implantação do socialismo no Brasil.
Tem como base os antigos regimes socialistas do Leste Europeu. São favoráveis
ao sistema onde os trabalhadores consigam mais poder e participação social.
PV
- Partido Verde De base ideológica ecológica, foi fundado
em 1986. Os integrantes do PV lutam por uma sociedade capaz de crescer com
respeito a natureza. São favoráveis ao respeito aos direitos civis, a paz,
qualidade de vida e formas alternativas de gestão pública. Lutam contra as
ameaças ao clima e aos ecossistemas do nosso planeta.
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro Fundado no ano de 1979,
contou com a participação de Ivete Vargas, filha do ex-presidente Getúlio
Vargas. No seu início, pregava a volta dos ideais nacionalistas defendidos por
Getúlio Vargas. Atualmente é uma legenda com pouca força política e defende
idéias identificadas com o liberalismo.
Regime Militar de 1964, O golpe militar de 64, Governos Militares , Governo
Castello Branco, Governo Costa e Silva, Governo da Junta Militar, Governo
Médici, AI-5, Governo Geisel, Governo Figueiredo, Redemocratização, Lei da
Anistia, Campanha das Diretas Já, Constituição de 1988.
Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira
em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985.
Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos
constitucionais, censura, perseguição política e repressão, eliminação da
cidadania aos que eram contra o regime militar.
O golpe militar de 1964 A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O
vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político
adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às
organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores
ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por
exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média.
Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que
neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos
EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.
Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido
Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de
esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o
Brasil enfrentava.
No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central
do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano,
Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional
do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação
contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela
Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São
Paulo.
O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31
de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar
uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares
tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 ( AI-1
). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a
estabilidade de funcionários públicos.
GOVERNO CASTELLO BRANCO
(1964-1967)
Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente
da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a
democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.
Estabeleceu eleições
indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários
parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos
tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos
receberam intervenção do governo militar.
Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o
funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a
Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de
certa forma controlada, o segundo representava os militares.
O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país.
Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o
regime militar e suas formas de atuação.
GOVERNO COSTA E SILVA
(1967-1969)
Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser
eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por
protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país.
A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata
dos Cem Mil.
Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em
protesto ao regime militar.
A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de
esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o
movimento de oposição armada.
No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 (
AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou
mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão
militar e policial.
GOVERNO DA JUNTA MILITAR
(31/8/1969-30/10/1969)
Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos
ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e
Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).
Dois grupos de esquerda, O MR-8
e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros
exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso.
Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta
lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica
adversa, ou revolucionária, ou subversiva".
No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de
repressão em São Paulo.
GOVERNO MEDICI (1969-1974)
Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente : o general Emílio
Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do
período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada
cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais,
revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão
artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e
escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi
( Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa
Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.
Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha
do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.
O Milagre Econômico Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969
a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro
crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com
investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou
uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de
empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas,
como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.
Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga
no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para
os padrões econômicos do Brasil.
GOVERNO GEISEL (1974-1979)
Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento
processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do
milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do
petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em
que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.
Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política
começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos
para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das
grandes cidades.
Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel,
começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o
jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São
Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em
situação semelhante.
Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para
a volta da democracia no Brasil.
GOVERNO FIGUEIREDO
(1979-1985)
A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de
redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia,
concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais
brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha
dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em
órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril
de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio
Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura,
embora até hoje nada tenha sido provado.
Em 1979, o governo aprova lei
que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar
dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB
passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como : Partido dos Trabalhadores
( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).
A Redemocratização e a
Campanha pelas Diretas Já
Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A
inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com
o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros
participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação
da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele
ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos
Deputados.
No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado
Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da
República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado
pelo PMDB e pela Frente Liberal.
Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir
e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma
nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da
ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país.