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                             O pior analfabeto é o analfabeto político.
          Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
               Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,
                         da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio,
                                  dependem das decisões políticas.

                       O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
                            estufa o peito dizendo que odeia a política.
         Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
                     o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos
                    que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio
                                        dos exploradores do povo.

                                                                          
“Bertolt Brecht”

    .............................................................................................................................

                                IDEOLOGIAS E SISTEMAS POLÍTICOS

            1.  Anarquismo                   Sub-Sistemas: 1. Coronelismo
            2.  Capitalismo                                          
            3.  Comunismo                                             . Mandonismo
            4.  Democracia                                             . Caciquismo
            5.  Ditadura                                                  . Clientelismo 
            6.  Fascismo                                               
. Estamento
            7.  Fundamentalismo                                     . Patrimonialismo
            8. 
Imperialismo                                            . Corporativismo
            9.  Integralismo                                             . Autoritarismo
           10. Liberalismo
           11.
Populismo                                          2. Servilismo
           12.
Social-Democracia                              3. Nepotismo
           13. Ideologia das Elites


1. Anarquismo

O anarquismo defende a supressão de qualquer governo formal - por considerar que eles atrapalham na liberdade individual - substituindo-os por coorporativas de produtores.  

Proudhon foi um de seus precursores e enfatizava o respeito à pequena propriedade, propondo a criação de cooperativas sem fins lucrativos voltadas para o auto-abastecimento e de bancos que concedessem empréstimos sem juros aos empreendimentos produtivos e crédito gratuito aos trabalhadores.  

Dizia que o Estado deveria ser destruído, sendo substituído por uma "república de pequenos proprietários", sem leis, sem polícia, sem imposto de renda, sem forças armadas. Nada mais correto.  

As idéias de Proudhon influenciaram Mickail Bakunin (1814 - 1876) e Piotr Kropotkin (1842 - 1921). Este ultimo era de uma corrente menos radical e sem tanta difusão. Defendia a chegada do Anarquismo ao poder com o não pagamento de impostos, o não reconhecimento das decisões dos tribunais de justiça e maiores recusas a seguir o padrão social capitalista.  

Já Bakunin, um revolucionário russo, fundador do Movimento Populista Russo e principal expoente do movimento anárquico, era adepto do anarquo-terrorista. A ele são atribuídos inúmeros assassinatos e atos de vandalismo e terrorismo. Defendia que a única forma de se alcançar uma sociedade justa e sem desigualdades seria através da utilização de violência, luta armada e atentados contra governantes.  

Vemos, portanto, que o marxismo e o anarquismo coincidem em seu objetivo final, a criação de uma sociedade, a comunista, onde não haveria um Estado e a desigualdade social seria banida. Porém, Marx defendia a existência do socialismo, fase anterior à comunista, onde haveria o gradual erradicão do Estado, de suas injustiças e desigualdades.  

Para Marx, o socialismo faz-se necessário para a vigência da ditadura do proletariado, aonde o povo, através de revoluções, chegaria ao poder sem o uso de terrorismo. O anarquismo pretende suprimir, pular o socialismo.   Marx reconhece as boas intenções anarquistas em instaurar uma sociedade igualitária, porém discorda profundamente dos meios anárquicos. Eles, do ponto de vista marxista, subestimam o proletariado ao afirmar que a tomada do poder pelos trabalhadores apenas eternizaria a opressão.  

Outro ponto de discórdia. Você sabe da existência de algum Partido Anarquista? Evidente que não. Os anarquistas dizem que se votassem ou tivessem um partido político estariam concordando e submetendo-se ao sistema capitalista.  

Já Engels e Marx ressaltavam a importância do partido dos trabalhadores, que atuaria conscientizando e unindo o proletariado, organizando os seus atos. Atenção! Em muitos lugares lemos que o anarquismo é apenas uma variação do marxismo, que ambos são "irmãos". Afirmação incorreta! Marx queixava-se de que seu pensamento estava sendo deturpado por outros filósofos. Ele tinha, por hábito intelectual, desenvolver suas teses através do debate com outros pensadores, distinguindo, assim, o seu pensamento do daqueles que o criticavam. Isso alimentou várias polêmicas.  

Em 1846 convidou Proudhon para um intercâmbio entre comunistas de vários países. Este disse que "a revolução como meio de transformar a estrutura econômica e social seria maléfica, pois ela traria prejuízo aos trabalhadores, desarmonizaria o sistema de produção e faria cair o fluxo de mercadorias." Baseado nessas idéias escreveu o livro Filosofia da miséria contra Marx, que respondeu através de outro, intitulado Miséria da filosofia.

Neste livro Marx disse que, de Hegel, Poudhon só havia assimilado o vocabulário, não percebendo as complexas contradições da sociedade.  

Karl considerava as idéias de Proudhon pequeno-burguesas e descomprometidas com a luta da classe trabalhadora.

Bakunin também polemizou com Marx. Dizia que este era prepotente e que seu socialismo era autoritário. Karl negava e criticava o "pai do anarquismo" dizendo que a greve geral, defendida por Bakunin, era "um mito, uma idéia romântica, que poderia prejudicar a organização da classe trabalhadora, que deve amadurecer com paciência".

Além de dizer que o programa de Bakunin era "uma salada de lugares-comuns, de palavrório sem sentido, uma grinalda de conceitos e improvisação insípida.

2. Capitalismo

O capitalismo tem seu início na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida Econômica social e política dos feudos para a cidade. Depois duma profunda estagnação o comércio saiu da inanição com o aparecimento de excedentes oriundos das descobertas de novas terras que passaram a ser comercializados.  

As Cruzadas (do século XI ao XII) também contribuíram muito para o reativamento comercial. Ainda no século XIV o feudalismo passava por uma grave crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo.  

Com a união de todos esses fatores a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, conseqüentemente, as relações de produção capitalistas se multiplicaram, minando, aos poucos, as bases do feudalismo. Os lucros dos senhores feudais reduziram-se e eles "tiveram" de aumentar os impostos sobre os servos.  

Estes começaram a rebelar-se e enfraqueceram o poder dos nobres. Os reis, para manterem-se no poder, apegaram-se ainda mais à idéia de que eram designados por Deus. O absolutismo teve defensores ideológicos como os filósofos Jean Bodin ("os reis tinham o direito de impor leis aos súditos sem o consentimento deles"), Jacques Bossuet ("o rei está no trono por vontade de Deus") e Niccòlo Machiavelli ("a unidade política é fundamental para a grandeza de uma nação").  

Com o absolutismo e com o mercantilismo o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais através da exploração (metalismo). Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favorece a burguesia - classe que detém os meios de produção - que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista. E com as revoluções burguesas, como a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo.  

A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acúmulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capital se impõe.  

Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), percursor do liberalismo econômico, publica Uma Investigação sobre Naturezas e Causas da Riqueza das Nações, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferência do Estado na economia. O capitalismo é traduzido num sistema de mercado baseado na iniciativa privada, monopolização dos meios de produção e exploração de oportunidades de mercado para efeito de lucro.  

Exatamente no lucro concentra-se toda a crueldade e irracionalidade do capitalismo que destina o sacrifício do trabalho de todos para o enriquecimento de uma minoria. A burguesia provoca guerras e destrói éticas para seu enriquecimento material. É inadmissível que o controle da produção econômica e do mercado centralize-se nas mãos de uns poucos magnatas, que provocam recessões e crises surpreendentes de acordo com seus interesses.  

O quadro no qual o capitalismo se apresenta é a de crescente deterioração social, com desemprego, fome e profunda miséria. Gera subdesenvolvimento, promove guerras por interesses financeiros e por elas investe gigantesca quantidade de dinheiro na indústria bélica. Essa corrida armamentista financia forças terroristas que lutam contra regimes democráticos (como os CONTRA na Nicarágua e inúmeros outros golpes de Estado financiados pelos maiores capitalistas, os EUA).  

A militarização da sociedade é uma conseqüência cruel do capitalismo, bem como a crescente concentração de riqueza nas mãos da oligarquia financeira. É a velha história de que poucos têm muito e muitos têm pouco. Esse é o legado básico o capitalismo. O capital financeiro rege nossas vidas.  

A idéia de um desenvolvimento sustentável é ridicularizada e a democracia esvai-se nos preconceitos contra grupos sociais e no sufocamento de pessoas que lutam por justiça social e acabam jogadas no ostracismo. E atualmente a concentração de riquezas tem aumentado virtiginosamente e proporcional à perda de direitos trabalhistas. A educação e a saúde estão precaríssimos.  

Em nosso país, por exemplo, mães passam dias e noites numa fila para que seu filho possa estudar. Volta para casa sem a vaga e chora pelo futuro de seu sucessor. Sem educação desde criança poucas chances terá de desenvolver seu potencial e pensar criticamente.  

Há também as crianças, e até adultos, que morrem, e em grande número, por doenças de fácil erradicação ou então por não ter o que comer. Ou alguém ainda não viu os nordestinos, os africanos subnutridos há dias sem comer. Aquilo é real. Aquelas são pessoas reais. São sofrimentos reais. Diante de tal constatação fica difícil defender o capitalismo em qualquer plano que seja.

3. Comunismo

A noção de comunismo surge na Antiguidade com Platão. Em A República , defende a propriedade comum dos bens para anular o conflito entre o interesse privado e o do Estado. Mas é no pensamento cristão que surgem os primeiros ideais comunistas para toda a população.  

Esses ideais acompanham a civilização cristã na Idade Média e no Renascimento. Nos séculos XVI e XVII surgem as grandes utopias sobre o comunismo. Na obra Utopia (1515), do pensador e estadista inglês Thomas More, não há menção à propriedade comum; no entanto, a estrutura social proposta é um comunismo embrionário.  

Comunismo marxista : O Manifesto Comunista (1848), dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels (1820-1895) , afirma que o comunismo seria o estágio final da organização político-econômica humana. A sociedade viveria em um coletivismo, sem divisão de classes nem a presença de um Estado coercitivo.  

Para chegar ao comunismo, os marxistas prevêem um estágio intermediário de organização, o socialismo, que instaura uma ditadura do proletariado para garantir a transição.  

Marx afirma que a história segue certas leis imutáveis à medida que avança de um estágio a outro. Cada estágio caracteriza-se por lutas que conduzem a um estágio superior de desenvolvimento, sendo o comunismo o último e mais alto.  

A chave para a compreensão dos estágios do desenvolvimento é a relação entre as diferentes classes de indivíduos na produção de bens. Afirmava que o dono da riqueza é a classe dirigente porque usa o poder econômico e político para impor sua vontade ao povo jamais abrindo mão do poder por livre e espontânea vontade e que, assim, a luta e a revolução são inevitáveis.  

Para Marx, com o desenvolvimento do capitalismo,  as classes intermediárias da sociedade vão desaparecendo e a estrutura de classes vai polarizando-se cada vez mais. A alienação e a miséria aumentam progressivamente. Com o auxílio dos partidos dos trabalhadores o proletariado vai tornando-se cada vez mais consciente de sua luta e de sua existência como classe revolucionária. Portanto esses partidos não teriam o papel de apenas ganhar votos e satisfazer interesses pessoais, mas sim de educar e alertar os trabalhadores.  

A perspectiva internacional tomará maior importância, em detrimento do nacionalismo exacerbado. Mais cedo ou mais tarde a revolução proletária terá êxito, com as condições objetivas e a disposição subjetiva coincidindo. Com as sucessivas crises econômicas do capitalismo suas crises vão se agravando e aproximando-o da crise final.  

A sociedade pós-capitalista não foi inteiramente definida por Marx. Dizia ele que tal discussão seria idealista e irrealista. Ponderou apenas que após a revolução instalar-se-ia uma ditadura do proletariado. As empresas, fábricas, minas, terras passariam para o controle do povo trabalhador, e não para o Estado, como muitos pensam e como líderes pseudocomunistas fizeram.   

A propriedade capitalista extinguiria-se. A produção não seria destinado ao mercado, mas sim voltada para atender às necessidades da população. O socialismo, como essa fase é denominada, deve ser profundamente democrático. O Estado iria naturalmente dissolvendo-se.  

Porém Marx ressalta: "trazendo as marcas de nascimento da velha sociedade, a sociedade recém-nascida será limitada, sob muitos aspectos, pelos legados da velha  sociedade capitalista." Após o socialismo uma fase superior se desenvolveria: o comunismo.  

O Estado desapareceria definitivamente, pois seu único papel é manter o proletariado passivo e perpetuar sua exploração. A distinção de classes também deixaria de existir, todos seriam socialmente iguais e homens não mais subordinariam-se a homens. A sociedade seria baseada no bem coletivo dos meios de produção, com todas as pessoas sendo  absolutamente livres e finalmente podendo viver pacificamente e com prosperidade.    

4. Democracia

Democracia vem da palavra grega “demos” que significa povo. Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas distinguem o governo democrático de outras formas de governo.  

Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente ou através dos seus representantes livremente eleitos.   Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade.  

A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias.   As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a descentralização do governo a nível regional e local, entendendo que o governo local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível.  

As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.  

As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único, mas verdadeiras competições pelo apoio do povo.  

A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário.  

As democracias são diversificadas, refletindo a vida política, social e cultural de cada país. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes.  

Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades.  

As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Nas palavras de Mahatma Gandhi, “a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”.  

Governo da Maioria, Direitos da Minoria   Superficialmente, os princípios da maioria e a proteção dos direitos individuais e das minorias podem parecer contraditórios. Na realidade, contudo, estes princípios são pilares gêmeos que sustêm a mesma base daquilo que designamos por governo democrático.  

Governo da maioria é um meio para organizar o governo e decidir sobre assuntos públicos; não é uma outra via para a opressão. Assim como um grupo auto-nomeado não tem o direito de oprimir os outros, também nenhuma maioria, mesmo numa democracia, deve tirar os direitos e as liberdades fundamentais de um grupo minoritário ou de um indivíduo.  

As minorias — seja devido à sua origem étnica, convicção religiosa, localização geográfica, nível de renda ou simplesmente por ter perdido as eleições ou o debate político — desfrutam de direitos humanos fundamentais garantidos que nenhum governo e nenhuma maioria, eleita ou não, podem tirar.  

As minorias devem acreditar que o governo vai proteger os seus direitos e a sua identidade própria. Feito isto, esses grupos podem participar e contribuir para as instituições democráticas do seu país.  

Entre os direitos humanos fundamentais que qualquer governo democrático deve proteger estão a liberdade de expressão; a liberdade de religião e de crença; julgamento justo e igual proteção legal; e liberdade de organizar, denunciar, discordar e participar plenamente na vida pública da sua sociedade.  

As democracias entendem que proteger os direitos das minorias para apoiar a identidade cultural, práticas sociais, consciências individuais e atividades religiosas é uma de suas tarefas principais.  

A aceitação de grupos étnicos e culturais, que parecem estranhos e mesmo esquisitos para a maioria, pode ser um dos maiores desafios que um governo democrático tem que enfrentar. Mas as democracias reconhecem que a diversidade pode ser uma vantagem enorme. Tratam estas diferenças na identidade, na cultura e nos valores como um desafio que pode reforçar e enriquecê-los e não como uma ameaça.  

Pode não haver uma resposta única a como são resolvidas as diferenças das minorias em termos de opiniões e valores — apenas a certeza de que só através do processo democrático de tolerância, debate e disposição para negociar é que as sociedades livres podem chegar a acordos que abranjam os pilares gêmeos do governo da maioria e dos direitos das minorias.    

Relações Civis-Militares   As questões de guerra e paz estão entre as mais graves que qualquer país pode enfrentar e, em tempos de crise, muitos países procuram a liderança dos seus militares. Não nas democracias.  

Nas democracias, as questões de paz e de guerra ou outras ameaças à segurança nacional são as mais importantes que a sociedade enfrenta e assim têm que ser decididas pelo povo, agindo através dos seus representantes eleitos. As forças armadas democráticas servem o seu país em vez de dirigi-lo. Os chefes militares aconselham os dirigentes eleitos e executam as suas decisões. Apenas os que são eleitos pelo povo têm a autoridade e a responsabilidade de decidir o destino de uma nação.  

Esta idéia de controle civil e de autoridade sobre os militares é fundamental para a democracia.  

Os civis devem dirigir as forças armadas do seu país e tomar decisões quanto à defesa nacional, não por serem necessariamente mais sábios que os militares, mas precisamente porque são os representantes do povo e como tal lhes é dada a responsabilidade de tomarem estas decisões e de serem responsabilizados pelas mesmas.  

Os militares existem numa democracia para proteger o país e as liberdades do seu povo. Não representam nem apoiam nenhuma tendência política nem grupo étnico ou social. A sua lealdade manifesta-se em relação aos maiores ideais do país, ao Estado de Direito e ao princípio da própria democracia.  

O controle civil assegura que os valores, as instituições e as políticas de um país são escolhas livres do povo e não dos militares. O propósito das forças armadas é defender a sociedade e não defini-la.  

Qualquer governo democrático valoriza os conhecimentos e os conselhos dos militares ao tomar decisões políticas sobre a defesa e a segurança nacional. Os civis contam com os militares para aconselhamento nestas matérias e para pôr em prática as decisões do governo. Mas só os dirigentes civis eleitos devem tomar as decisões políticas finais — que os militares então implementam na sua área.  

Os militares podem, certamente, participar plena e igualmente na vida política do seu país como qualquer outro cidadão — mas apenas individualmente, como eleitores. Os militares devem desligar-se do serviço militar antes de se envolverem em política; as forças armadas devem permanecer afastadas da política. Os militares são servidores neutros do estado e guardiões da sociedade.  

Finalmente, o controle civil dos militares garante que as questões de defesa e segurança nacional não comprometam os valores democráticos fundamentais do governo da maioria, os direitos das minorias, a liberdade de expressão e de religião e um julgamento justo. É da responsabilidade de todos os líderes políticos impor o controle civil e é da responsabilidade dos militares obedecer às ordens legais das autoridades civis.  

Partidos Políticos  

Para preservar e proteger os direitos e as liberdades individuais, um povo democrático deve trabalhar em conjunto para modelar o governo que escolher. E a maneira principal de fazer isso é através dos partidos políticos.

Os partidos políticos são organizações voluntárias que ligam as pessoas a seu governo.

Os partidos recrutam candidatos e fazem campanha para os elegerem a cargos públicos e mobilizam as pessoas para participarem na escolha dos governantes.  

O partido da maioria (ou o partido eleito para controlar os ministérios do governo) procura decretar leis sobre muitas políticas e programas diferentes.

Os partidos de oposição são livres para criticar as idéias políticas do partido da maioria e apresentam as suas próprias propostas.  

Os partidos políticos proporcionam uma forma dos cidadãos responsabilizarem os dirigentes do partido pelas suas ações no governo.  

Os partidos políticos democráticos acreditam nos princípios da democracia de modo que reconhecem e respeitam a autoridade do governo eleito, mesmo que os seus líderes partidários não estejam no poder.  

Como qualquer democracia, os membros dos vários partidos políticos refletem a diversidade de culturas de onde provêm. Alguns são pequenos e construídos em torno de um conjunto de convicções políticas. Outros são organizados em torno de interesses econômicos ou de uma história comum. Outros ainda são alianças livres de vários cidadãos que podem juntar-se apenas em período eleitoral.  

Todos os partidos políticos democráticos, quer sejam pequenos movimentos ou grandes coligações nacionais, têm valores comuns de compromisso e tolerância. Sabem que só através de grandes alianças e de cooperação com outros partidos políticos e organizações é que eles podem proporcionar a liderança e a visão comum que vai ganhar o apoio da população do país.  

Os partidos democráticos reconhecem que as opiniões políticas são flexíveis e variáveis e que o consenso pode, com freqüência, surgir de um confronto de idéias e valores em um debate pacífico, livre e público.  

O conceito de oposição leal é inerente a qualquer democracia. Significa que todos os lados no debate político — por mais profundas que sejam as diferenças — partilham os valores democráticos fundamentais de liberdade de expressão e religiosa e de proteção legal igual.

Os partidos que perdem as eleições passam para a oposição — confiantes que o sistema político continuará a proteger o direito de organizar e denunciar. Eventualmente, o seu partido terá a oportunidade de fazer campanha novamente pelos seus ideais e pelos votos do povo.  

Numa democracia, a luta entre partidos políticos não é uma luta pela sobrevivência, mas uma competição para servir o povo.  

Responsabilidades do Cidadão  

Ao contrário da ditadura, um governo democrático existe para servir o povo, mas os cidadãos nas democracias também devem concordar em seguir as regras e os deveres pelos quais se regem. As democracias garantem muitas liberdades aos seus cidadãos incluindo a liberdade de discordar e de criticar o governo. A cidadania numa democracia exige participação, civismo e mesmo paciência.  

Os cidadãos democráticos reconhecem que não têm apenas direitos, têm também deveres. Reconhecem que a democracia requer investimento de tempo e muito trabalho — um governo do povo exige vigilância constante e apoio do povo.  

Em alguns governos democráticos, a participação cívica significa que os cidadãos devem ser membros do júri, ou cumprir o serviço militar ou cívico obrigatório durante um certo tempo. Outros deveres aplicam-se a todas as democracias e são da responsabilidade exclusiva do cidadão — o principal dos quais é o respeito pela lei. Pagar os seus impostos, aceitar a autoridade do governo eleito e respeitar os direitos dos que têm pontos de vista diferentes são também exemplos dos deveres do cidadão.  

Os cidadãos democráticos sabem que devem ser responsáveis por sua sociedade para poderem se beneficiar da proteção dos seus direitos.  


Há um ditado nas sociedades livres: cada povo tem o governo que merece. Para que a democracia seja bem sucedida os cidadãos têm que ser ativos, não passivos, porque sabem que o sucesso ou o fracasso do governo é responsabilidade sua e de mais ninguém. Por seu lado, o governo entende que todos os cidadãos devem ser tratados de modo igual e que não há lugar para a corrupção num governo democrático.  

Num sistema democrático as pessoas que não estão satisfeitas com os seus líderes são livres para se organizarem e apoiarem pacificamente a mudança — ou tentar votar contra esses líderes em novas eleições no período próprio.  

As democracias precisam de mais do que o voto ocasional dos seus cidadãos para permanecerem saudáveis. Precisam de atenção contínua, tempo e dedicação de muitos dos seus cidadãos que, por seu lado, olham para o governo para proteger os seus direitos e liberdades.  

Os cidadãos numa democracia podem aderir a partidos políticos e fazer campanha pelos candidatos que preferirem. Aceitam o facto de que o seu partido pode não estar sempre no poder.  

São livres para se candidatarem ou servirem como dirigentes públicos nomeados durante algum tempo.  

Utilizam uma imprensa livre para falar com franqueza sobre questões locais e nacionais.  

Aderem a sindicatos, grupo comunitários e associações empresariais.   Fazem parte de organizações voluntárias privadas — que se dedicam à religião, cultura étnica, estudos, desportos, artes, literatura, melhoramento do bairro, intercâmbio internacional de estudantes ou centenas de outras atividades.  

Todos estes grupos — independentemente da sua proximidade com o governo — contribuem para a riqueza e a saúde da democracia.   Uma Imprensa Livre   Numa democracia, a imprensa não deve ser controlada pelo governo. Os governos democráticos não têm ministros da informação para decidir sobre o conteúdo dos jornais nem sobre as atividades dos jornalistas; não exigem que os jornalistas sejam investigados pelo Estado; nem obrigam os jornalistas a aderir a sindicatos controlados pelo governo.  

Uma imprensa livre informa o público, responsabiliza os dirigentes e proporciona um fórum para o debate das questões locais e nacionais.   As democracias apoiam a existência de uma imprensa livre. Um Poder Judiciário independente, uma sociedade civil num Estado de Direito e liberdade de expressão apoiam todos uma imprensa livre. Uma imprensa livre deve ter proteção legal.  

Nas democracias, o governo é responsável pelos seus atos. Os cidadãos esperam, portanto, ser informados sobre as decisões que os seus governos tomam em seu nome. A imprensa facilita o "direito de saber", agindo como supervisor do governo, ajudando os cidadãos a responsabilizar o governo e questionando as suas políticas. Os governos democráticos garantem o acesso dos jornalistas a reuniões públicas e a documentos públicos. Não colocam restrições prévias sobre aquilo que os jornalistas podem dizer ou escrever.  

A própria imprensa deve agir com responsabilidade. Através de associações profissionais, de conselhos de imprensa independentes e "ombudsmen", de críticos internos que escutam reclamações públicas, a imprensa responde às reclamações sobre os seus próprios excessos e permanece responsável internamente.  

A democracia exige que o público faça escolhas e tome decisões. Para que o público confie na imprensa, os jornalistas devem relatar fatos com base em fontes e informações fidedignas. O plágio e as informações falsas são contraproducentes para uma imprensa livre.  

Os órgãos de imprensa devem estabelecer os seus próprios corpos editoriais, independentes do controle do governo, a fim de separar a obtenção e divulgação da informação do processo editorial.  

Os jornalistas não devem ser influenciados pela opinião pública, apenas pela busca da verdade, tanto quanto puderem. Uma democracia permite que a imprensa faça o seu trabalho de obtenção e divulgação de notícias sem receio nem favorecimento do governo.  

As democracias incentivam uma luta sem fim entre dois direitos: o dever do governo de proteger a segurança nacional e o direito das pessoas à informação, com base na capacidade do jornalista de acesso à informação. Às vezes os governos têm que limitar o acesso à informação considerada demasiado sensível para distribuição geral. Mas os jornalistas numa democracia têm total justificativa para procurarem essa informação.  

Liberdade de Expressão  

A liberdade de expressão, sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia. Os governos democráticos não controlam o conteúdo da maior parte dos discursos escritos ou verbais. Assim, geralmente as democracias têm muitas vozes exprimindo idéias e opiniões diferentes e até contrárias.  

Segundo os teóricos da democracia, um debate livre e aberto resulta geralmente que seja considerada a melhor opção e tem mais probabilidades de evitar erros graves.  

A democracia depende de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite participar tão plenamente quanto possível na vida pública da sua sociedade e criticar funcionários do governo ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus representantes eleitos reconhecem que a democracia depende de acesso mais amplo possível a idéias, dados e opiniões não sujeitos a censura.  

Para um povo livre governar a si mesmo, deve ser livre para se exprimir — aberta, pública e repetidamente; de forma oral ou escrita.  

O princípio da liberdade de expressão deve ser protegido pela constituição de uma democracia, impedindo os ramos legislativo e executivo do governo de impor a censura.  

A proteção da liberdade de expressão é um direito chamado negativo, exigindo simplesmente que o governo se abstenha de limitar a expressão, contrariamente à ação direta necessária para os chamados direitos afirmativos. Na sua maioria, as autoridades em uma democracia não se envolvem no conteúdo do discurso escrito ou falado na sociedade.  

Os protestos servem para testar qualquer democracia — assim o direito a reunião pacífica é essencial e desempenha um papel fundamental na facilitação do uso da liberdade de expressão. Uma sociedade civil permite o debate vigoroso entre os que estão em profundo desacordo.  

A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão ou a obscenidade. As democracias consolidadas geralmente requerem um alto grau de ameaça para justificar a proibição da liberdade de expressão que possa incitar à violência, a caluniar a reputação de outros, a derrubar um governo constitucional ou a promover um comportamento licencioso. A maioria das democracias também proíbe a expressão que incita ao ódio racial ou étnico.  

O desafio para uma democracia é o equilíbrio: defender a liberdade de expressão e de reunião e ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação ou à subversão.  

Responsabilidade do Governo   Responsabilidade do governo significa que as autoridades públicas — eleitas e não eleitas — têm a obrigação de explicar as suas decisões e ações aos cidadãos. A responsabilidade do governo é alcançada através do uso de uma variedade de mecanismos — políticos, legais e administrativos — com o objetivo de impedir a corrupção e de assegurar que as autoridades públicas continuem responsáveis e acessíveis às pessoas a quem servem. Na ausência desses mecanismos, a corrupção pode florescer.  

O principal mecanismo de responsabilidade política é eleições livres e justas. Mandatos por período determinado e eleições obrigam as autoridades eleitas a responder pelo seu desempenho e a dar oportunidades aos opositores de oferecerem aos cidadãos escolhas políticas alternativas. Se os eleitores não estiverem satisfeitos com o desempenho de uma autoridade pública, podem não votar nela quando o seu mandato chegar ao fim.    

O grau em que as autoridades públicas são politicamente responsáveis depende de ocuparem uma posição para a qual foram eleitas ou para a qual foram nomeadas, de quantas vezes podem ser reeleitas e de quanto mandatos podem ter.    

Os mecanismos de responsabilidade legal incluem constituições, medidas legislativas, decretos, regras, códigos e outros instrumentos legais que proíbem os atos que as autoridades públicas podem ou não realizar e como é que os cidadãos podem agir contra essas autoridades cuja conduta é considerada insatisfatória.    

Um poder judicial independente é um requisito essencial para o sucesso da responsabilidade legal, servindo como um fórum onde os cidadãos levam as queixas contra o governo.    

Os mecanismos de responsabilidade legal incluem:    

Estatutos de ética e códigos de conduta para as autoridades públicas, descrevendo práticas inaceitáveis;  

Leis sobre conflitos de interesses e divulgação financeira, exigindo que as autoridades públicas revelem as suas fontes de rendimento e os seus bens para que os cidadãos possam avaliar se as ações dessas autoridades podem ser erradamente influenciadas por interesses financeiros;  

Leis que dão à imprensa e ao público acesso às atas e reuniões do governo;  

Requisitos de participação dos cidadãos que dizem que certas decisões do governo devem ter em conta a opinião pública;

e   Revisão judicial, dando aos tribunais o poder de rever decisões e ações das autoridades e agências públicas.  

Os mecanismos de responsabilidade administrativa incluem gabinetes dentro das agências ou dos ministérios e práticas nos processos administrativos que têm como objectivo assegurar que as decisões e ações das autoridades públicas defendem os interesses dos cidadãos.  

Os mecanismos de responsabilidade administrativa incluem:    

Agências encarregadas de ouvir e responder às queixas dos cidadãos;    

Auditores independentes que verificam o uso dos fundos públicos para detectar sinais de uso incorreto;   

 Tribunais administrativos, que ouvem as queixas dos cidadãos sobre as decisões da agência;    

Regras de ética protegendo os chamados informantes - aqueles dentro do governo que falam de corrupção ou de abuso da autoridade oficial — de represálias.

5. Ditadura

Ditadura é um regime autoritário em que os poderes legislativo, executivo e judiciário estão nas mãos de uma única pessoa (ou grupo de pessoas), que exerce o seu poder de maneira absoluta sobre o povo. Com o ressurgimento da democracia no século XIX, o termo ditadura tem o significado de falta de democracia, onde o modelo democrático liberal deixa de existir e a legitimidade passa a ser questionada, pois as ditaduras modernas são um movimento totalitário com a supressão dos direitos individuais e a invasão dos demais poderes constituídos, (legislativo, judiciário, ou equivalentes).

Esta invasão se dá pela força, e a supressão das liberdades individuais passa a ser por decreto. O regime ditatorial se baseia num líder ou em pequeno grupo que exerce o poder absoluto sem prestar contas aos governados, independentemente de sua aprovação ou não e tambem houve no Brasil(1964-1984).  

Ditadura Romana

Na antigüidade, quando a República Romana se deparava com situações onde o jogo político poderia sair fora de controle, era designado pelos cônsules um ditador para assumir o poder até que a situação voltasse à normalidade. Os poderes do ditador eram totais, poderia fazer a guerra ou a paz, bem como mandar necessária ao restabelecimento do estado de direito.  

Ditadura e totalitarismo

Todo sistema tem fundamentos totalitários, embora o totalitarismo possa ser utilizado para conceituar alguns movimentos cujas ideologias são aquelas em que a sociedade e os cidadãos estão subordinados ao estado; exemplos seriam o socialismo stalinista, o fascismo italiano e o nacional-socialismo nazismo alemão.  

Ditadura e tirania

As ditaduras modernas podem ser conceituadas mais para as idéias das antigas tiranias do que à ditadura romana. A ditadura romana era um estado de exceção em que, uma vez resolvida a gravidade da situação que a desencadeou, cessava, voltando o estado à normalidade; já as tiranias tendiam à se perpetuar no poder.  

A ditadura conceituada por Aristóteles, Platão e Maquiavel Segundo Aristóteles e Platão, a marca da tirania é a ilegalidade, ou seja, a violação das leis e regras pré-estipuladas pela quebra da legitimidade do poder; uma vez no comando, o tirano revoga a legislação em vigor, sobrepondo-a com regras estabelecidas de acordo com as conveniências para a perpetuação deste poder. Exemplo disso são as descrições de tiranias na Sicília e Grécias antiga, cujas características assemelham-se das ações tomadas pelas modernas ditaduras.

Segundo Platão e Aristóteles, os tiranos são ditadores que ganham o controle social e político despótico pelo uso da força e da fraude. A intimidação, o terror e o desrespeito às liberdades civis estão entre os métodos usados para conquistar e manter o poder. A sucessão nesse estado de ilegalidade é sempre difícil. Aristóteles atribuiu a vida relativamente curta das tiranias à fraqueza inerente dos sistemas que usam a força sem o apoio do direito.

Maquiavel também chegou à mesma conclusão sobre as tiranias e seu colapso, quando das sucessões dos tiranos, pois este (a tirania) é o regime que tem menor duração, e de todos, é o que tem o pior final, e, segundo suas palavras (sic) a queda das tiranias se deve às desventuras imprevisíveis da sorte.

As tiranias e a religião

O Império Romano, fundado por Augusto, se assemelhava e muito às modernas ditaduras, embora não seja admitido como tal. Até a Revolução Francesa, o poder emanava de Deus diretamente ao soberano, se o monarca oprimisse os súditos com violência, era uma tirania, neste caso era aceito o tiranicídio, e este perdoado pela religião. No final do século XVI, o jesuíta Juan de Mariana demonstrou a doutrina que discorria sobre o abuso da autoridade e a usurpação do poder, onde, se o tirano, após receber uma repreensão pública, não corrigisse sua conduta, era lícito declarar-lhe guerra e até, se necessário, matá-lo.  

Ditadura moderna

O regime ditatorial moderno quase sempre resulta de convulsões sociais profundas, geralmente provocadas por revoluções ou guerras. As ditaduras são normalmente impostas por movimentos de poder, seja militares ou revolucionários, que detêm poder de fogo e o usam contra o sistema estrutural, anteriormente utilizado por uma sociedade; estas se impõem em golpes de estado. Geralmente, a imposição do movimento que resulta neste regime de exceção é em função da defesa de interesses minoritários, econômico-financeiros, étnicos, ideológicos e outros.

Nem sempre as ditaduras se dão por golpe militar, podem surgir por golpe de estado político; exemplo de movimento desta ordem se deu quando ocorreu a ditadura imposta por Adolf Hitler na Alemanha nazista e a ditadura facista de Mussolini, na Itália. Foi quando o golpe se desencadeou a partir das próprias estruturas de governo; foram aproveitadas as debilidades de um sistema falho e entraram partidos cujas ideologias não eram democráticas. Portanto, uma vez intalados no poder, lá permaneceram e se impuseram à vontade popular, suprimindo os demais partidos e oposições, portanto, a democracia.  

O caudilhismo Sempre para achar legitimidade, as ditaduras se apóiam em teorias caudilhistas, que afirmam muitas vezes do destino divino do líder, que é encarado como um salvador, cuja missão é libertar seu povo, ou ser considerado o pai dos pobres e oprimidos, etc.  

A institucionalização do poder Outras ditaduras se apóiam em teorias mais elaboradas, utilizando de legislação imposta, muitas vezes admitindo uma democracia com partidos políticos, inclusive com eleições e algumas vezes até permitindo uma certa oposição, desde que controlada. Os dispositivos legais passam a ser intitucionalizados e o são de tal forma funcionais, que sempre ganhará o partido daqueles que convocaram à eleição.      

Métodos de manutenção do poder


As ditaduras sempre se utilizam de força bruta para manterem-se no poder, sendo esta aplicada de forma sistemática e constante. Outro expediente é a propaganda institucional, propaganda política constante e de saturação, de forma a cultuar a personalidade do líder, ou líderes, ou mesmo do país, para manter o apoio da opinião pública; uma das formas mais eficientes de se impor à população um determinado sistema é a propaganda subliminar, onde as defesas mentais não estão em guarda contra a informação que está a se introduzir no inconsciente coletivo. Esta se faz por saturação em todos os meios de comunicação.

A censura também tem um papel muito importante, pois não deixa chegar as informações relevantes à opinião pública que está a ser manipulada. Desta forma, ficam atados os dois extremos: primeiro satura-se o ambiente com propaganda a favor do regime, depois são censuradas todas as notícias ruins que possam vir a alterar o estado mental favorável ao sistema imposto.  

As ditaduras de ideologias opostas na Europa Quando da instalação no poder das classes trabalhadoras entre o final do sistema capitalista e a imposição do comunismo, Karl Marx utilizou a expressão ditadura do proletariado, onde a burguesia deveria ser suprimida do sistema socialista; deveriam ser eliminadas as relações sociais vistas pelo prisma capitalista e substituídas pelo prisma socialista; logo, não deveriam mais existir classes sociais, isto é, a sociedade deveria ser igualitária e sem classes.

No final da Primeira Guerra Mundial, a democracia na Europa passou por uma série de instabilidades políticas e sociais; começaram a aparecer idéias de cunho autoritário em diversos países: Stalin, na União Soviética, Mussolini, na Itália, Miguel Primo de Rivera, Espanha, Hitler, Alemanha. As idéias ditatoriais e expansionistas do Eixo geraram o embrião da Segunda Guerra Mundial, que após o término, gerou uma série de outras ditaduras: no bloco oriental se destacou a ditadura de Josip Broz (Tito), na Iugoslávia, e no bloco ocidental a ditadura de Francisco Franco na Espanha, além de outras tantas.  

Portugal e a Revolução dos Cravos

Em Portugal, Antônio de Oliveira Salazar instaurou uma ditadura que começou em 1926. A Revolução dos Cravos que ocorreu no dia 25 de Abril de 1974, derrubou o governo ditatorial. Foi um levante militar apoiado por um movimento popular. Pelo fato da opressão ditatorial havida antes da revolução, a data é comemorada como o "dia da Liberdade" sendo feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução.  

África e Ásia

Na África e Ásia muitas são as ditaduras que oprimem os povos a elas submetidos, não importando a orientação ideológica: na China, Mao Zedong tomou o poder depois de expulsar para a ilha de Formosa (Taiwan) o exército do general Chiang Kai-shek, no Irã, a ditadura do Mohamed Reza Pahlevi, derrubado em 1979 por uma revolução fundamentalista muçulmana; na Indonésia, a do general Sukarno, seguida pela do general Suharto; nas Filipinas, a de Ferdinand Marcos, obrigado a abandonar o país em 1986. Na África, se destacam Moçambique e Angola, entre tantas outras.  

As ditaduras da América Latina

Com a guerra fria aparece o componente ideológico e a participação ativa das ditaduras militares nos governos da América Latina. Em Cuba, no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Para as ditaduras, não importa a orientação ideológica, sempre ocasionaram morte e sofrimento para milhões de seres humanos. Na América Latina, a história é recheada de ditaduras, golpes e contra golpes, revoluções e contra-revoluções.

O principal é o caudilhismo, que consiste na glorificação de um líder e na construção de um partido em torno dele e não de convicções políticas, ou ideologia. Depois, com a polarização causada pela guerra fria, ficou claro que esta desculpa fora utilizada para manter os ditadores no poder. Entre tantos personagens, se destacaram Antonio López de Santa Anna e José Antonio Páez, no México; Francisco Solano López e Dr. Francia, no Paraguai. Na Venezuela, com Juan Vicente Gómez cuja ditadura foi extremamente tirânica, entre outras tantas que pipocaram em todo o continente.  

Argentina

Na Argentina, temos Juan Manuel de Rosas, Juan Domingo Perón, além dos militares, que fizeram da ditadura argentina um sistema extremamente controlador e tirânico, além de terem colocado o país em guerra contra a Inglaterra.  

Ditaduras do Brasil

As ditaduras e regimes ditatoriais no Brasil foram muitos, porém se destacam duas ditaduras: A primeira ditadura foi instaurada pela revolução de 1930, sob Getúlio Vargas, com dois períodos: O primeiro período ditatorial de Vargas durou até 1937, quando Vargas admitiu algumas formalidades democráticas; No segundo período ditatorial de Vargas, o presidente executou um golpe institucional, caindo em 1945, quando foram convocadas eleições livres.

Além dos períodos ditatoriais da Era Vargas, houve ainda diversas tentativas de golpes militares contra Juscelino Kubitschek em 1955 e do vice-presidente João Goulart em 1961. A pressão internacional anticomunista liderada e financiada pelos Estados Unidos criou o IPES, que levou ao movimento que derrubou João Goulart.

A Operação Brother Sam, prova definitiva da ingerência dos Estados Unidos na política interna de outras nações, garantiu através da ameaça à população civil do Rio de Janeiro a execução do golpe de 1964. Na ditadura militar que se seguiu ao golpe e durou vinte e um anos (1964 - 1985 conhecidos como Anos de Chumbo) houve repressão policial, expulsões do país, estabelecimento de legislação autoritária e supressão dos direitos civis, uso da máquina estatal em favor da propaganda institucional e política, manipulação da opinião pública através de institutos de propaganda governamental, censura, torturas, assassinatos de líderes opositores, revogação da Constituição, intitucionalização do poder, endividamento externo do país, construção de grandes obras com licitações forçadas para grupos de grandes empreiteiros que juntamente a grandes empresas financiaram o golpe de Estado.  

Durante a ditadura militar, o Brasil foi governado por 2 marechais e 3 generais.
O 1º governo foi o do marechal Humberto de Alencar Castello Branco que durou de 1964-1967.
O 2º governo foi o do marechal Arthur da Costa e Silva que durou de 1967-1969.
O 3º governo foi o do general Emílio Garrastazu Médici que durou de 1969-1974.
O 4º governo foi o do general Ernesto Geisel que durou de 1974-1979.
O 5º governo foi o do general João Figueiredo que durou de 1979-1985. Do outro lado houve terrorismo de opositores ao governo militar com seqüestros, assaltos violentos, guerrilha urbana e nos sertões, patrulhamento ideológico, torturas e justiçamentos (linchamentos seguidos de morte).  

Veja 1 .Motivos da ditadura de 1964 para verificar os mecanismos que levaram o Brasil a este período. 2. Anos de chumbo o artigo e a categoria, onde existem pormenores de todo o período ditatorial brasileiro.  

Ditaduras cubanas

Fulgêncio Batista y Zaldívar, foi líder de Cuba de 1933 a 1940 aproveitando do levante popular que derrubou outro ditador de nome Geraldo Machado, sendo que de 1940 até 1944 foi o presidente oficial do país, de 1952 a 1959 foi um ditador, devido a um golpe de estado. Batista lidera um golpe de estado e implanta a ditadura.


O golpe militar que instituiu Fulgêncio Batista como líder político cubano, derrubando Carlos Prio Socarras deu-se em março de 1952, sendo que, nas palavras de Reinaldo Arenas, "a ditadura de Batista começou logo com uma grande repressão que não tinha apenas carácter político, mas também carácter moral".

Essa ditadura continuaria com Fidel Castro, que o depôs em 1959 implantando uma ditadura comunista substituindo um dos mais sangrentos regimes políticos que a América Latina já conheceu, o de Fulgêncio Batista. Fidel Castro, junto com seus companheiros, na sua revolução, foi apoiado pelos EUA, que eram contra o regime anterior. Ele só se mostrou abertamente comunista após a tomada do poder, subjugando um povo que não queria o seu regime totalitário.  

Liberdade

Apenas 57% da população do planeta vive em liberdade democrática. Liberdade democrática é o direito que todos os cidadãos têm de escolher um ou mais representantes que governarão o país tendo em conta os interesses de todos os cidadãos. Essa liberdade é congestionada numa ditadura.      

6. Fascismo

Fascismo é um governo marcado pelo ódio ao comunismo e a tudo que se pareça com igualdade, é um regime de extrema direita, apoiado pelos grandes empresários, que visa impedir a entrada da esquerda ao poder, além de manter o capitalismo vivo e o proletário oprimido.  

O regime fascista era um regime antidemocrata, não existindo no regime fascista: eleições, liberdade de expressão e partidos de oposição ao governo.  

O fascismo também é marcado pelo militarismo, que obrigava ao povo a viver como em um quartel, assim como soldados obedecem cegamente a seus oficiais, o proletário devia fazer com seus chefes, e o individuo com o Estado,  sem questionar .  

Nas escolas fascistas era imposto, que as crianças decorassem livros que diziam “A maior virtude é a obediência” ou “Crer para obedecer; obedecer para crer”. Outras das mais marcantes características fascista, é a repressão e ódio aos diferentes.  

O fascismo na Europa foi marcado por ódio aos não europeus e aos Judeus, podemos citar como exemplo à Alemanha Nazista e a Itália de Mussoline.  

Como o regime era marcado pela subordinação total do indivíduo para o Estado e pelo militarismo, podemos imaginar o que acontecia com quem ousasse questionar o governo. Toda população era fichada na policia da política, e mantido sob vigilância, e presos ao menor ruído de insubordinação ou resistência.  

Mas a pior característica sem duvida nenhuma é autoproclamação das elites como sendo superior biologicamente intelectualmente as massas populares e aos não europeus. O fascista é um ser totalmente nacionalista, tratando tudo e todos os estrangeiros como seres inferiores.   

Além de nacionalista o fascista é também um irracional, pois é inimigo da arte e cultura promovida por artistas e filósofos, tão extremo esse grau de irracionalidade que muitos chegavam a afirmar frases como estas:   "Quando ouço falar em cultura, sinto vontade de sacar o meu revólver.” Ou "A justiça, a verdade e a moral são meras convenções criadas pelos fracos para impedir o saudável domínio dos mais fortes." (Ambas frases de Goebbels, ministro de Hitler).

7. Fundamentalismo

A palavra “fundamentalismo” passou nos últimos anos a estar presente na mídia mundial quase sempre com uma conotação assustadora. E não é para menos. Os militantes fundamentalistas estiveram por detrás da maioria dos atos de violência cometidos nas mais variadas situações geográficas. Acostumamo-nos a identificá-lo, o fundamentalismo, aos religiosos do Oriente Médio, particularmente aos imãs islâmicos, aos chefes e chefetes espirituais de países daquela região que sempre aparecem com seus trajes tradicionais, encimados por turbantes, lançando ameaças ao mundo moderno e aos americanos em geral.  

Na verdade o fundamentalismo é um movimento socio-religioso e político muito diversificado e bem mais extenso do que as fronteiras do Islã. Paradoxalmente é nos Estados Unidos de hoje que encontramos o maior contingente de fundamentalistas, só que cristãos.  

Antes de tudo é necessário definir o que vem a ser fundamentalismo ou integrismo(*).  

Designa-se assim todo e qualquer movimento religioso, de qualquer que seja a religião, que tende a interpretar a realidade de hoje através dos olhos de antigos preceitos religiosos e que renega os valores da modernidade.  

Para o fundamentalista o fiel deve seguir à risca as páginas dos textos sagrados da sua religião. As Escrituras (sejam elas a Bíblia, o Talmude, o Corão, ou o Hadith dos hindús) foram traçadas por Deus, logo devem ser interpretadas como a sua vontade.  

Naturalmente que os fundamentalistas não aceitam o criticismo, isto é, o movimento intelectual teológico moderno (pelo menos desde Spionza para cá) que diz que elas, as palavras sagradas, devem ser interpretadas de acordo com a época e as circunstâncias em que foram escritas e que abrigam uma enorme distância da realidade atual.  

Portanto, fundamentalismo é tomar as palavras sagradas em seus fundamentos, integralmente, “retornar aos artigos fundamentais da fé” sem nenhuma alteração, sem nenhuma concessão.

                                                                                            Conscientização II
                                                                                            Conscientização III

Leia também: Sub-Sistemas  1. Coronelismo
                                            2. Servilismo
                                            3. Nepotismo
                                           
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