Página Inicial
Quem Somos
Nossos Amigos
Ação Comunitária
Seresta Pedacinho do Céu
Artesanato-Artes Plásticas
Seguidores de Zumbi
Unic em Prosas e Versos
Amigos da Ferrovia
Folha da Terra - Arquivo
Mirante Unic
Cultura Popular
História de Cruzeiro
Memorial
Nossos Talentos
Sites Favoritos
Contato


                                        Você vai encontrar aqui a história dos grandes
                              homens que construíram a cidade de Cruzeiro e com
                                dignidade e muito trabalho, fizeram a nossa história.


Com exclusividade, o respeitável  político cruzeirense, Sr. Auxíbio Novaes e D. Chiquita, viúva de Dr. Avelino Júnior falam sobre o Prefeito e a polêmica e agitada política dos "avelinistas", uma fase importante de nossa história.
                                                            

Dr. Avelino Tranquelino de Freitas Júnior nasceu em 12 de fevereiro de 1904 em São Paulo de Muriaé - MG .

O município de Muriaé, na data de sua implantação, em 30 de setembro de 1861, possuía quatro distritos, assim denominados: São Paulo do Muriaé (sede); Nossa Senhora da Glória (atual Itamuri, criado em 1843); Patrocínio do Muriaé, criado em 1840; Conceição dos Tombos de Carangola, criado em 1852. Inicialmente habitada pelos índios Puris, a região que compreende o município de Muriaé teve sua colonização iniciada pelo comércio de brancos com os indígenas.

Em 7 de abril de 1841 foi criado o distrito com o nome de "São Paulo do Muriahé". Em 16 de maio de 1855, pela lei nº 724, o distrito foi elevado a categoria de Vila com a mesma denominação de "São Paulo do Muriahé". No dia 25 de novembro de 1865 foi criada a comarca pela lei nº1257 elevando a vila de "São Paulo do Muriahé" a categoria de município. Em 1923 passou a denominar-se apenas "Muriahé" e depois Muriaé para atualizar às novas normas ortográficas.

O progresso da nova localidade foi constante, principalmente a partir de 1886, data da inauguração da Estação da Estrada de Ferro Leopoldina na sede municipal. A instalação dos trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina Railway introduz grandes mudanças na paisagem social da cidade, permitindo que em 1886 a cidade ganhasse uma linha terminal que ligaria, diariamente, Muriaé à Capital da República (Rio de Janeiro).

A cidade é por esse tempo o segundo produtor de café em Minas Gerais. O café patrocina o progresso e o bem estar. Surgem as máquinas de beneficiamento, a catação do café, o estocamento, o carregamento para os vagões que saem abarrotados, deixando riqueza. O calçamento, o telefone, os bancos fazem parte de uma nova ordem social e política. A euforia permanece até o crack de 1929, quando se instaura grave crise econômica.  

O Dr. Avelino Júnior, terceiro filho de Avelino Tranquelino de Freitas, um rico fazendeiro, um “Barão do Café”, viveu na região de Muriaé até 18 anos quando seu pai comprou uma chácara no Rio de Janeiro e mandou pra lá seus três filhos mais velhos para estudarem, acompanhados de uma senhora, uma governanta que havia criado a família inteira de seu pai, que era chamada de “Ba”.

O pai de Avelino Júnior, insistia na idéia de formar seu terceiro filho na área contábil “Um Guarda Livros”, mesmo sabendo que o sonho dourado de Avelino Jr. era ser Médico, como seu irmão, que já estava formado.

No entanto, a crise de 1929 veio a alterar-lhe os planos. Praticamente da noite para o dia eles perderam tudo na “bolsa do café”. Já não podia pagar os estudos dos filhos. As dificuldades eram muitas para as famílias numerosas como a dele, com 14 irmãos. Sua mãe morreu no parto do 15º filho.  Agora, o patrimônio da família estava reduzido a um pequeno sítio.  

Dr. Avelino Junior, que escondido do pai já estudava medicina humana teve que mudar para a casa de suas tias que moravam no Estácio, na cidade do Rio de Janeiro. O segundo filho de Avelino que ainda não havia se formado voltou para a casa do pai e Dr. Avelino Júnior, com o auxílio do irmão Simão e das três tias, continuou no Rio formando-se em medicina humana e medicina veterinária ao mesmo tempo.  

Sua vida tinha mudado radicalmente. Agora trabalhava como vendedor, “caixeiro”, balconista de loja de um turco na Rua 25 de março no Rio, durante meio período, carregando caixas e mais caixas e atendendo no balcão. 

 Foi então que conheceu sua primeira esposa. Apaixonou-se, formou-se e casou-se, logo depois de ingressar por concurso no Ministério da Agricultura, passando a trabalhar num período na função de médico veterinário e em outro, na medicina humana.  

Foi transferido para Osasco em São Paulo, por volta de 1930/31, onde montou uma clínica e continuou a trabalhar no Ministério como funcionário público federal. Foi em Osasco  que nasceu seu primeiro filho. Nessa época exercia a função de fiscal do Ministério da Agricultura trabalhando nos frigoríficos de Osasco e região.  

No final de 1931 adoeceu. Teve uma grave infecção no maxilar superior no lado direito que o levou a beira da morte. Os médicos não conseguiam identificar a doença. Com todo o corpo inchado, teve que ter as roupas cortadas para ser atendido no hospital. Lá ficou durante meses estudando sua doença, até que junto ao corpo médico do hospital, ele mesmo descobriu e diagnosticou seu mal submetendo-se em seguida a uma cirurgia, perdendo parte do osso seriamente comprometido pela infecção.

Ainda bastante debilitado foi aconselhado a procurar um lugar mais saudável para viver, próximo a serra e com clima ameno. Talvez São Lourenço ou Cruzeiro onde funcionavam grandes frigoríficos e ofereciam tanto a tranqüilidade de uma cidade do interior necessária para sua plena recuperação, como as condições de trabalho e residência, mais amena, até que tivesse totalmente recuperado.  

Em vista disso, Dr. Avelino Tranquelino de Freitas Júnior escolheu a cidade de Cruzeiro e mudou-se em seguida, por volta de 1932, com a esposa e o filho Hélio. Nessa época o Frigorífico era uma empresa grande e próspera e ele optou por Cruzeiro, tornando-se fiscal responsável dos frigoríficos de toda a região do Vale do Paraíba.  

Foi então que nasceu a segunda filha. Nessa ocasião ele residia em uma das “casas do frigorífico” que ficavam próximas dele e montou um consultório na Rua Jorge Tibiriçá, em frente a Praça 9 de Julho. Mais tarde ele resolveu mudar mais para o centro da cidade e veio morar em frente ao açougue do Nelson Pinto da Mota, na Rua 6, onde hoje funciona a Caixa Econômica Federal. 

Anos depois passou a residir na casa do Sr. Manuel Togeiro e junto montou seu consultório a Rua Major Novaes e ali residiu por muitos anos.  

O Dr. Avelino Tranquelino de Freitas Júnior desquitou-se em 1940 e em seguida passou a lutar na justiça para obter a guarda dos filhos.

Nessa época o Dr. Diogo Bastos já era político e “mandava” em Cruzeiro. Tinha sido nomeado e ficou responsável pela administração da cidade, durante anos. Logo fez amizade com Avelino Júnior e quando a popularidade do médico começou a aumentar ele começou a assediá-lo com a intenção de levá-lo para seu partido político, mas, Dr. Avelino declarava que não tinha vindo para Cruzeiro para fazer política. Era apenas médico, não se interessava por política e que, portanto, nada poderia fazer nesse sentido.  
Dr. Bastos, no entanto, não desistia e sistematicamente repetia o convite tentando por todos os meios convencê-lo, pressionando-o a aceitar, a filiar-se e concorrer ao pleito nas eleições municipais próximas.

“Mas o Freitas tinha vindo morar aqui para se tratar”, e o Dr. Bastos não entendia isso, explica Dona Chiquita, sua segunda esposa. Um dia eles tiveram uma discussão e o Dr. Bastos saiu muito aborrecido e não voltou mais. Passado uns tempos, o Dr. Bastos, usando a influência que  tinha foi para  Belo Horizonte visitar uns amigos e pediu ao Ministro da Agricultura a transferência do Freitas para outro lugar que fosse bem distante de Cruzeiro.  

Mas, a família do Freitas também era muito conhecida, e, antes que o Dr. Bastos voltasse para Cruzeiro, Dr. Avelino já sabia do pedido de sua transferência e correu para reverter a situação, para impedir que ela acontecesse. Procurou velhos amigos e foi ao ministro, conseguindo finalmente reverter a situação. Ele queria continuar trabalhando por aqui. Não pensava e não queria sair de Cruzeiro porque aqui fizera muitas amizades e cuidava de muitos pacientes; além de ter acabado de comprar a casa onde morava. Tudo que ele tinha estava aqui.  

Quando retornou da viagem, Dr. Avelino ofendido pela atitude do Dr. Bastos, resolveu aproveitar a sua popularidade e entrou na política, mas no lado contrário ao do Dr. Bastos, definindo a rivalidade para sempre. Tornaram-se então inimigos pessoais e políticos.

Dona Chiquita nos conta ainda, como conheceu Dr. Avelino: “Eu conheci o 'Freitas' em 1946”. “Tudo que eu contei até aqui, aconteceu antes de nos conhecermos, bem antes”. “Nasci em Bananal e morei lá muitos anos. Mas sempre vinha sempre pra cá, desde criança”. “Um dia minha mãe morreu e ficamos assim: passávamos um tempo em Bananal e outro tempo em Cruzeiro”. “Era difícil a convivência com a esposa de meu pai”. “Então, na adolescência, quando estava em Cruzeiro, saía a passear com a minha irmã mais velha, íamos aos bailes e dançava muito”.  

“A diversão maior era o passeio”. “Íamos e vínhamos da rua 2 até a praça 9 de julho, pela Avenida Major Novaes, de braços dados, parando de vez em quando com uma ou outra conhecida de minha irmã.” “Os rapazes ficavam parados nas calçadas e as moças passeavam no meio”. “Era tudo muito inocente naquela época”. “Assim aconteciam os namoricos”.  

“Todos muito bem arrumados e as moças elegantes desfilavam ali”. “Com o tempo o passeio passou  acontecer mais na frente do Cinema Odeon. Minha irmã passou a morar com a família do Zito de Carvalho e eu ficava com ela”. “Dona Adriana era da família Machado, tia do Dr. Castor”. “Vizinhos da casa da mãe do Zito, da Dona Adriana, morava uma família muito conhecida nossa, de Bananal”.

“Em frente morava a Cida, uma moça que tinha três filhos uma menina de uns quatro anos e mais dois meninos menores”. “Um dos meninos morreu e ficou o menor, muito doentinho”. “De onde morávamos escutávamos aquela criança chorar a noite inteira”. “A coitada da mãe não dormia e a criança não melhorava”. “O pai estava desesperado e muito cansado”. “Então, eu me oferecia para ficar com o menino pra que eles pudessem descansar um pouco”. “Passava muitas horas do dia lá, ajudando a cuidar da criança”. “E a noite, muitas vezes, ficava para que os pais da criança pudessem descansar”.
  
“Um dia alguém falou sobre um médico novo que estava na cidade e que dava consulta de graça pra muita gente”. “Não importava de fossem brancos ou negros era simpático e bom com todo mundo e muitas vezes conseguia os remédios de também de graça para quem não pudesse pagar”. “Alguém sugeriu que o chamassem para que visse a criança”.  
“Não demorou muito ele chegou”. “Eu estava na cozinha quando ele passou e foi ver o menino”. “Eu achei aquele moço lindo!” “Mas ele passou e nem olhou pro meu lado”. “Muito sério foi examinar o doente. Ficou visivelmente amargurado quando viu o estado da criança. Chamou os pais e os preveniu que dificilmente o menino resistiria”. “Estava com meningite e pouco poderia fazer pela criança”. “E acabou que o menino morreu mesmo”.  

“Passou muito tempo até que eu o visse outra vez. Estávamos na casa de uma conhecida, próxima a Estação quando um dia ele passou na charrete para atender um chamado próximo dali”. “Ele passou olhando e quase caiu da charrete. As comadres ficaram rindo do meu jeito, "toda envergonhada" porque eu era uma moça pobre e dizia que aquele homem lindo, rico e  muito mais velho, não podia estar olhando pra mim”.

“Nessa época era comum em Cruzeiro as pessoas colocarem as cadeiras nas calçadas e fiarem conversando e foi assim que eu o vi pela segunda vez”. “Nesses tempos minha irmã se casou e comecei a ter problemas com o marido dela que não queria que eu ficasse tão próxima dela”. “Foram tempos muito difíceis”.  

“Eu estava namorando um rapaz que trabalhava na Siderúrgica, em Volta Redonda e ele me prometeu arranjar um emprego lá, mas eu precisava ter o diploma de datilografia”. “Então comecei a fazer o curso na Escola de Comércio na parte da manhã, das sete às onze horas e na saída da escola eu passei a vê-lo”. “Nesse horário ele sempre estava na porta da farmácia na Rua três, a farmácia do Seu Vilico”.  

“E quando eu o via ficava nervosa, abaixava a cabeça e ia em frente”. “Eu estava namorando o rapaz da Siderúrgica e achava que indo trabalhar com ele em Volta Redonda íamos nos casar”. “Eram esses os planos”. “Não demorou muito para o meu namorado começar a faltar nos compromissos”. “Prometia que vinha no fim de semana, mas, não aparecia”. “Bem mais tarde soube que acabou se casando com uma moça de Areias que estava trabalhando com ele lá”.

“Eu fiquei aqui, esperando que ele aparecesse, quando um dia o Freitas chegou e me falou da sua condição de desquitado e que cuidava dos filhos e morava na Av. Major Novaes”. “Contou sua vida e falou que era muito apaixonado pela esposa e que já fazia um tempo que estava separado”. “Falou como tinha sido difícil essa separação e que teve muito apoio de seu amigo, um advogado, que sempre aconselhava que ele refizesse sua vida; mas, não podia casar por ser desquitado e ainda estava muito abalado com a separação e até aquele momento não havia encontrado uma pessoa pela qual ficasse interessado”. “Ele nunca escondeu o quanto era apaixonado por sua esposa”.

“Resumindo, eu estava nas nuvens, não acreditava que aquele homem lindo estava na minha frente me pedindo em namoro, depois de tanto tempo que ele vinha me olhando e eu, fugindo dele”. “Não acreditava que ele tivesse seriamente interessado; eu era uma moça pobre, muito simples e nem sonhava que  um dia ele fosse chegar mais perto de mim, e , no entanto, ele estava ali, na minha frente me pedindo a oportunidade de me conhecer melhor”. “Foi assim que  finalmente começamos a namorar e acabamos juntos”.   

“Ele era muito educado, um homem muito gentil e tinha um ‘coração de ouro’”.“Tinha um discurso capaz de convencer qualquer um”.  “Bom, você pode imaginar uma coisa assim, naquela época?” “Ele tinha muitos amigos, mas, por causa do Dr. Bastos, muita gente não gostava dele também”. “Por isso saíram muitos comentários maudosos, mas, eu nunca me importei, quem conheceu o ‘Freitas’ mais de perto, sabe que ele era um homem bom que gostava de verdade das pessoas e não faria mal a ninguém”. “A vida dele era procurar os meios pra curar gente”. “Curar era a razão de sua vida, a sua profissão”. “Se fez mal a alguém pode ter certeza que  não foi de caso pensado”. “Ajudava todo mundo que precisava e atendia com o maior carinho um por um dos que procuravam por ele”.  

“Todos os dias tinha uma fila enorme na porta do consultório quando ele abria”.  “Ele não parava de atender enquanto tivesse uma pessoa esperando”. “Fazia isso principalmente porque gostava da profissão, gostava de tratar as pessoas”. “Isso muito antes de ser político e depois também”. “Mesmo quando deputado dava consulta de graça pra ‘todo mundo’ que pedia, a qualquer hora”.

“Eu não acreditei quando ele me contou que  não tinha o osso do lado direito do rosto”. “Ele usava uma prótese e ninguém percebia...” “Da primeira esposa ficaram três filhos, o mais velho tinha 12 anos na época da separação”. “Tivemos uma filha que é médica, casada, trabalha e mora na cidade de São Paulo”.

Vida política de Avelino Júnior

A respeito da vida política do Dr. Avelino Júnior, o Sr. Auxíbio Novaes, seu contemporâneo, relata muitos episódios.  

Em 1945 houve eleições presidenciais com a abertura política. O Dr. Avelino apoiou o candidato Dutra e o Dr. Bastos, adversário político do Avelino, “trabalhou” para a eleição do Brigadeiro Eduardo Gomes. 

A eleição foi realizada no dia 2 de Dezembro e foi eleito Eurico Gaspar Dutra, com 780.546, contra os 377.613 votos de Eduardo Gomes. Em seguida, algum tempo depois começou a campanha para Prefeito e vereadores.  

Venceu a disputa para Prefeito o Dr. Pimentel, o primeiro cirurgião de Cruzeiro. O “Avelino” que se candidatou a vereador, num colégio eleitoral de pouco mais de 6.000 votantes, teve 1.000 votos. Em proporção, portanto, foi o candidato mais votado na história de Cruzeiro. Com essa votação ele acabou “carregando” os companheiros para a Câmara e por votação, foi escolhido Presidente da Câmara Municipal. Assim, Dr. Avelino começou sua carreira política.  

Na eleição seguinte ele se candidatou a Prefeito contra Américo de Carvalho, irmão do Zito de Carvalho e mais alguns outros. Zito de Carvalho era apoiado pelo grupo do Dr. Bastos que já nesse tempo começava a polarizar a vida política em dois eixos principais. O Dr. Avelino acabou ganhando as eleições com a “campanha da água”.  Era usada na campanha a música ... “As águas vão rolar...” “lata d’água na cabeça...”. Coisas assim e a campanha acabou vitoriosa.  

O Dr. Avelino assumiu e encontrou a prefeitura muito endividada. Em pouco tempo ele conseguiu pagar as dívidas atrasadas, colocando as contas em dia. Pagou, negociou e fez muita economia. Conseguiu “ajuntar dinheiro”. No caixa havia uma reserva de 6 milhões que ele reservou para comprar os canos, para “trazer água pra cidade”.  

Pra você ter uma idéia, só tinha água em Cruzeiro duas horas na parte da manhã e duas horas, à tarde e, da rua Santa Cruz, até antes de chegar na rua 9, e do outro lado a água ia até a linha férrea e a Estação. Fora desse “quadrado” havia apenas um chafariz, do outro lado da “linha” e próximo da rua 7 a bica e alguma torneira no lado da Rua 1.  

Era muito precária e difícil o abastecimento. Mesmo assim, a oposição não votava favorável ao projeto, na Câmara, não dava quórum. Era matéria para maioria absoluta e assim a oposição não deixava “dar quórum”. Eles queriam que a água fosse retirada do Rio Paraíba e o Dr. Avelino, que conhecia muito bem a região e sabia dos frigoríficos que ficavam às margens do rio, insistia na água da serra, pela questão da pureza, da saúde pública, no custo para tratamento da água do Rio Paraíba, etc ...  

O projeto chegou a ser enviado a Câmara de Vereadores, várias vezes, considerando que a falta d’água era matéria de calamidade pública, mas não tinha jeito, a oposição não aprovava mesmo, era afinal uma bandeira de campanha do Dr. Avelino e tinha que ser realizado. A Prefeitura tinha o dinheiro para comprar os canos, mas não tinha mão de obra suficiente e nem dinheiro para pagar a mão de obra de fora; então, o Dr. Avelino saiu às ruas convocando o povo a ajudar na realização daquele “sonho”.


Homens trabalhando na colocação dos canos para água, no alto da serra

Á direita, gravado na pedra, lê-se: "Salve Dr. Avelino Júnior" Dinâmico Prefeito de Cruzeiro 12.02.1955

Ele conseguiu convencer a população, convenceu o povo a ajudá-lo e foi então que aconteceu o mutirão. As mulheres, lideradas pela Natália, mãe do Renato da funerária, montou uma cozinha no alto da serra e lá fazia a refeição para os trabalhadores. Praticamente a cidade inteira ajudou. Os homens trabalhavam dia e noite e as mulheres ficavam no abastecimento, servindo café e refeições, cozinhando para o povo.  

Foi quando a oposição entrou na justiça contra a obra porque os canos estavam sendo colocados fora do município. Eles tentaram embargar a obra, mas não deu tempo. O pessoal trabalhava dia e noite, quando a oposição conseguiu, os canos já estavam dentro do município. A água chegou aqui  exatamente a 1hora e 5 minutos da manhã, na rua 7, onde  tinha sido colocado um cano de oito polegadas.  

A água jorrou e ninguém pode comemorar. Era eleição e qualquer coisa que fosse feito poderia prejudicar o candidato. Então, foram colocadas folhas de bananeira para fechar os bueiros e quando o sol esquentou, a cidade estava alagada.  

A escola Arnolfo Azevedo onde havia o maior número de votantes ficou ilhada e a oposição teve que entrar na água para votar. Essa foi a "desforra" do povo contra tudo que fizeram para impedir que a água chegasse em Cruzeiro.

O Dr. Avelino, os “avelistas” portanto, mudaram a fisionomia da cidade. Dr. Antero Neves Arantes foi eleito e continuou a política do Avelino. Na eleição seguinte, Dr. Avelino voltou novamente como Prefeito e a oposição não se conformava com isso. Toda a infra-estrutura da cidade foi feita nesses governos.  

A Prefeitura devia muito para a Ligth, então, o Avelino negociou um terreno, em troca da quitação dos débitos. Doou o terreno próximo a faculdade para a instalação da sub-estação de energia para a cidade. O calçamento, na época, ia na Rua 2 da linha até o Teatro Capitólio;  e na Rua Major Novaes, vinha da Rua 2 até a Rua 4 na esquina da Escola Arnolfo Azevedo. 

Na Rua 4 Av. Albuquerque Lins, na época, o calçamento vinha da esquina da Delegacia, ao lado da Prefeitura até a Rua Afonso Pena, antes de chegar no Mercado Municipal. A Rua 3, a Jorge Tibiriçá, era calçada da Rua da Prefeitura, na Praça 9 de Julho até a travessa Major Hermógenes, apenas.   

Na gestão do “Avelino” foi feito o calçamento em todas as ruas que hoje você vê em pedra, e também algumas que foram cobertas com asfalto. A cidade melhorou muito. As ruas calçadas, iluminadas e com muita água. O povo estava muito feliz, satisfeito mesmo com as mudanças. Dr. Avelino fez muitas coisas em benefício da população, o mais fantástico foi o “mutirão da água” envolvendo toda a população, isso foi o que marcou a passagem dele pela prefeitura. Sem dúvida, foi uma obra corajosa que só poderia ter sido realizada com uma grande liderança e um povo determinado e trabalhador.

O Prefeito Avelino Júnior não tinha assessores. Os vereadores eram chamados a assessorá-lo. A cidade era dividida no mapa e os vereadores assumiam o compromisso de zelar por determinada região. 

Resolvíamos muitas coisas sem incomodar o prefeito e levávamos as reivindicações dos moradores até ele. Tínhamos autonomia para isso.  

Na Câmara trabalhávamos de verdade. Tínhamos apenas três funcionários e uma velha máquina de escrever e não tínhamos salário. Trabalhávamos na profissão e também na Câmara. Não havia qualquer remuneração e todos precisávamos do emprego e isso deixava pouco tempo para descanso. Tínhamos que nos dividir entre o trabalho profissional e a vereança.  

Fazíamos jogadas políticas, mas, não existia maldade. Tanto de um lado como do outro não pensávamos em prejudicar ninguém. Tudo era muito diferente, ninguém ganhava e todos tinham a preocupação de manter a reputação. Costumo dizer que a política municipal ainda é a mais limpa a mais honesta do país. Na cidade residem nossas famílias, nossos filhos e netos, ninguém queria deixar uma herança vergonhosa, repreensível. Sabíamos que tudo o que fosse feito teria conseqüência na vida dos familiares. Ninguém iria arriscar.  

“Naquele tempo” os vereadores se respeitavam, principalmente no plenário. Havia a questão do “Decoro parlamentar”. Quando saía um “bate-boca” era sempre nos bastidores, lá dentro. Os políticos sabiam se respeitar. Nunca chegamos “a vias de fato”. Também porque as bancadas eram compostas de pessoas mais velhas que nós, como o Lázaro Costa, o Zé Marques e outros.  Além de que, muitos adversários políticos eram nossos amigos.

Aconteciam as discordâncias políticas, mas, as coisas iam mais pelo caminho da teimosia. Por exemplo, nós queríamos uma determinada obra e a oposição obstruía por não querer “aquilo naquele lugar” mas sim, na outra rua, ou, no outro lado da rua. Pra nós isso era o “de menos”. Que o benefício fosse trazido até para o meio da rua, ninguém se importava deste que viesse, que fosse construído.  

Na eleição tive poucos votos. Trabalhava no Sesi e não tinha tempo para fazer campanha. Na Câmara então, ai não tinha tempo para nada mesmo. Fazíamos às vezes sessões seguidas. A extraordinária logo após a ordinária. Já estávamos lá dentro mesmo e ninguém tinha tempo a perder. Saíamos de lá, quase sempre por voltas das 2 horas da manhã. Chegamos a terminar a sessão às quatro horas da madrugada e tínhamos que trabalhar na manhã seguinte.  

Lembro do Arsênio Ferreira de Carvalho ele morava no Brejetuba e quando acabava a sessão não tinha carro para levá-lo. Ele ia a pé, caminhando. Imagine, um senhor já de idade, com sua bengala ir caminhando até a zona rural! Era tudo muito difícil mesmo, para todos nós. Mas continuávamos por amor a cidade.  

No partido eu fazia tudo. As filiações, as atas de reunião, os registros no TRE, trabalhava também nas eleições como fiscal e no final, na apuração dos votos. Eu desisti da política quando numa eleição procurei candidatos para compor uma chapa de vinte e três nomes. Só consegui treze. Logo em seguida veio a autorização para pagar os vereadores então juntaram na porta da minha casa mais de cem candidatos. “Todo mundo queria ser candidato”. “Então eu vi que aquele tempo de política séria, de amor à causa, havia terminado”. “Me afastei do partido e parei, desisti”.  

Para se ter uma idéia o que foi a política por aqui, devemos lembrar que chegamos a ter dois deputados da cidade e hoje, não temos nenhum!                     

Dr. Avelino Júnior foi Prefeito de 1952 a 1956  

Em 1954 reformou a Praça 9 de Julho, construindo a primeira fonte luminosa da cidade e o Monumento aos Pracinhas da F.E.B.  

Em 1956, no final do mandato, fez chegar a Água cristalina da Serra da Mantiqueira a cidade – 18 Km de canos instalados desde o alto da serra, pelo povo, em mutirão.   Construiu o Mercado Municipal (Mercado Velho) no antigo ponto de parada dos Tropeiros e a Oficina Municipal, o chamado “Paredão”.  

Instalou iluminação elétrica nas ruas da Vila Batista.  

Foi o responsável por todo calçamento – em pedra – da cidade. Inclusive as ruas posteriormente cobertas com asfalto.   De 1960 a 1964 foi novamente eleito prefeito.  

Estendeu a iluminação pública nas Vila.  

Em 1961 Construiu a Praça Antero Neves Arantes no antigo Estádio de Futebol D. Rosalina Novaes - C.F.C., o novo Cemitério Pio XII, e comprou do Frigorífico Cruzeiro o campo de futebol – Estádio Prof. Virgílio Antunes  e  a  ESEFIC – Faculdade de Educação Física de Cruzeiro.  

D. Avelino trouxe para Cruzeiro a “Casa da Lavoura” e construiu o prédio da Delegacia Seccional – instalada no II Retiro da Mantiqueira.  

Em 1964 sendo suplente – assumiu como Deputado Estadual, deixando a prefeitura de Cruzeiro. Seu vice, Avelino Mariano – Vilico – já eleito prefeito para a próxima gestão, não pode assumir como prefeito, ficando em seu lugar Alberto Gussen e posteriormente o Vereador José Norberto Pinto, escolhido em votação pela Câmara de Vereadores.  

Os avelinista, governaram a cidade de Cruzeiro de 1952 a 1964 – Dr. Antero e Sr. Avelino Mariano deram continuidade a política de governo “avelista”.  

De 1965 a 1968 foi Deputado Estadual.  

Morreu em Cruzeiro em 1975.

                                                                                                     Página Inicial

Top