Abaixo você vai encontrar a obra escrita por Pedro Gussen e editada pela Câmara Municipal de Cruzeiro em 1986. Disponibilizamos este livro em nosso site por entendermos que é de importância fundamental para todos que querem conhecer a história de nossa cidade. É do nosso conhecimento que apenas um volume encontra-se na Biblioteca Municipal de Cruzeiro, e que esta, não atende aos leitores desde Setembro/2006, por motivo de reforma.Pela dificuldade de acesso a uma obra que foi
editada com verba pública, achamos por bem transcrevê-la aqui e o fizemos a
partir da página 3. Unic - 29.01.2007 -
PALAVRAS DE INTRODUÇÃO
Com a divulgação da presente obra “História de Cruzeiro” –
Síntese Panorâmica, do ilustre jornalista e historiador cruzeirense PEDRO
GUSSEN, cumpre a Câmara Municipal de Cruzeiro, um valioso trabalho
cultural de incentivo e justo apoio a pesquisa histórica sobre a cidade.
Objetiva, assim, proporcionar as gerações futuras um estudo sinóptico e
criterioso sobre os fatos de repercussão social e sobre as figuras que se
notabilizaram na construção e no
progresso da localidade.
O esforço do Autor para a elaboração dessa obra é digno de
consideração e respeito por parte do Legislativo Cruzeirense que, como
expressão mais viva da vontade popular, deve reconhecer e, sobretudo, valorizar
seu notável sentido histórico-social. Ela será mais uma fonte a preservação da
memória e do sentimento de unidade do povo de Cruzeiro.
Com essa iniciativa literária, relembrando fatos edificantes
do Povo Cruzeirense, através de uma análise fiel, dinâmica e integrada,
pretende também a Câmara Municipal, motivar o trabalho intelectual, elevar o
nível de informação e ampliar o grau de consciência sobre a vida local,
ajudando assim, o leitor a descobrir o seu preponderante papel na conquista do
nosso verdadeiro desenvolvimento.
Vereador Marcos Antonio Romanelli
Presidente
ÍNDICE CRONOLÓGICO
Preâmbulo
Embaú (160/1871)
Fazenda Boa Vista !1750/1881)
Os Novaes
The Minas and Rio Railway
(1881/1902)
Fundação de Cruzeiro
Visitas Imperiais
Primeiros Passos (1881/1900)
Transferência da sede
Prédio da municipalidade Três Décadas (1900 a 1929)
Década dos anos 30
Criação da Comarca
Cinqüentenário da R.S.M.
Brasão do Município
Década dos anos 40
Conclusão
EMBAÚ
Nossa História tem suas raízes no
vizinho e opulento Embaú.
Remonta ao ano de 1560 o
aparecimento, em nossa região, da primeira expedição sertanista chefiada por
Braz Cubas e pelo minerador Luiz Martins.
Após descer o Vale do Paraíba até
o “Porto da Cachoeira” passou pelo Embaú, onde encontrou um aldeamento de índios
Puris na margem esquerda de um poço (atualmente conhecido como “poço da
Figueira”).
Prosseguindo pelo vale formado
pelos rios Passa Vinte e Batedor, rumo ao sertão de Cataguais (atualmente Sul
de Minas), deixou elementos no Embaú e nas glebas depois chamadas Passa
Vinte e Entre Rios cuidando do plantio de cereais destinados ao
abastecimento dos expedicionários no seu regresso.
A Mantiqueira (*) foi transposta
em seu ponto mais baixo, exatamente na garganta hoje cortada pela rodovia na
divisa com o Estado de Minas.
Outras expedições passaram pelo
Embaú.
Em 1562 foi a de João
Ramalho. Em 1596 a do Capitão João Pereira de Souza Botafogo e Domingos
Rodrigues. Em 1597 a de Martim Correa de Sá, composta de 700 brancos e
2000 índios, patrocinada por D. Francisco de Souza, 7º Governador do Brasil. Em
1600 a de André de Leon.
E outras mais nos anos que se
sucederam destacando-se a de Jacques
Felix, Francisco Martinho Lustosa, Fernão Dias Paes, Borba Gato, Bartolomeu da
Cunha Gago, Bento Rodrigues e a de Amador Bueno da Veiga por ocasião da Guerra
dos Emboabas.
_______________________________________
(*) Serra da Mantiqueira
O Caldeamento dos brancos com índias, iniciado em 1560,
foi prosseguindo e se avolumando. Porém, o primeiro branco que fixou residência
no Embaú foi Manoel Gonçalves, em 1597.
O povoado foi crescendo, até que,
décadas depois, se transformou no centro comercial da região, merecendo,
durante certo tempo, a denominação de “capital dos sertões da Paraíba”.
Tropas vindas do litoral, através
da estrada Manbucaba e outras vindas além Mantiqueira, no Embaú faziam seu
intercâmbio comercial. O povoado vivia num permanente estado de festa.
Em 1781, João Ferreira da
Encarnação doou 200 braças de terra para que edificasse a igreja. A construção,
autorizada por D. Manoel da Ressurreição, 3º Bispo de São Paulo, terminou em 1787,
e a igreja ainda existe, conservada e ampliada, lembrando o esplendor de um
generoso passado.
A Lei nº 281 de 19.02.1846
(Lei Provincial nº 5/1846), assinada por Manoel Fonseca Lima e Silva,
elevou o povoado a Freguesia com o nome de Nossa Senhora da Conceição do Embaú.
A 8 de fevereiro de 1871,
por solicitação e indicação dos
moradores, os Deputados Rodrigues de Azevedo e Venâncio Aires
apresentaram na Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo Projeto de Lei
(Projeto nº 17) elevando a Freguesia a Município com o nome de Vila da
Conceição do Cruzeiro. A indicação do nome CRUZEIRO foi decorrente do
cruzamento das estradas de Lorena Pinheiros e da que partia do Litoral para
Minas Gerais, formando no Embaú uma sugestiva cruz. O projeto foi aprovado sem
discussão e transformado em Lei nº 8, de março de 1871, assinada pelo
presidente da Província Dr. Antonio da Costa Pinto Silva.
FAZENDA BOA VISTA
Parte integrante da Vila
Conceição do Cruzeiro, e dela distante oito quilômetros, substancial parcela
das terras (então devolutas) de nosso município foram transitoriamente ocupadas
por Manoel de Moraes pinto. Isso por volta de 1750. Somente em 1778
foram oficialmente concedidas em sesmaria aos Irmãos Tte.-Cel. Henrique Dias de
Vasconcelos e Manoel Dias Vasconcelos.
Após o falecimento do Tte. Cel. a
viúva transferiu sua parte a Joaquim Ferreira da Silva que, depois desposou o
Cap. Antonio Dias Teles de Castro que, por compra, adquiriu parte pertencente
ao herdeiro de Manoel dias de Vasconcelos e patrocinou a construção da casa
sede da fazenda à qual deu o nome de “Boa Vista”.
Enviuvando pela segunda vez, D.
Fortunata consorciou-se no dia 2 de outubro de 1865 com o então alferes Manoel
de Freitas Novaes, viúvo de D. Eusébia Maria Couto de Magalhães com a qual
tinha um filho que morreu ainda moço.
Pouco depois D. Fortunata faleceu
sem deixar prole desse casamento.
Assim, todo o patrimônio da
fazenda Boa Vista passou a pertencer ao major Novaes (o posto de Major ele
“conquistou” em 1868).
Foi provavelmente nessa década
que ele mandou ampliar a construção da casa sede, dando-lhe dimensões
definitivas.
OS NOVAES
Viúvo pela segunda vez, com menos
de quarenta anos de idade e em plena atividade física e mental, o Major Novaes
optou por um terceiro casamento, desta vez com D. Eva Maria Ferraz, natural de
Silveiras e filha de portugueses originários da Ilha da Madeira.
Foi dessa união que nasceram João
Batista Novaes, Francisco de Paula Novaes e Rosalina Novaes.
João Batista foi casado com sua
prima D. Ana Rosa (Sinharinha) e faleceu deixando uma filha Ereucides, que se
casou com Elói de Paula. D. Sinharinha depois consorciou com o Dr. Carlos
Varela e teve uma filha, Esmeralda, que esposou o Dr. Washington Beleza.
Francisco de Paula foi casado com
Dona Ana Romeu. Desse matrimônio nasceram Manoel de Freitas Novaes Neto (Cap.
Néco) que foi casado com Dona Izabel
Maldonado, e D. Lúcia Romeu Novaes (D.Ciça) que foi casada com o barão Antonio
de Luca. Numerosa a prole deixada pelo Cap.Néco e Ciça.
D. Rosalina Novaes foi casada com
o Dr. Antonio Celestino dos Santos, médico baiano. Desse matrimônio nasceram
Celestina Novaes dos Santos (D. Titã), que se casou com o Prof. Virgílio
Antunes de Oliveira; e Antonio Novaes Santos que se casou com D. Zoraide de
Carvalho.
O major Novaes era filho do
português Manoel Novaes da Cruz e de D. Clara de Freitas Novaes. Nasceu em
Pinheiros no dia 28 de Abril de 1829 e faleceu na Fazenda Boa Vista a 13 de
Agosto de 1898.
THE MINAS AND RIO RAILWAY
O Major Novaes visitava
periodicamente a ‘Corte’. Nos contatos que lá habitualmente mantinha, tomou
conhecimento da Concessão Imperial dada inicialmente ao Visconde de Mauá, e
posteriormente transferida ao Brigadeiro Couto de Magalhães, para a construção
da estrada de Ferro Rio Verde, cujos trilhos deveriam partir do Vale do Paraíba
rumo ao Sul de Minas.
Isso o levou a entrar em
entendimento com o prestigioso concessionário, Brigadeiro Couto de Magalhães.
Esses entendimentos são
comprovados pela seguinte carta, cujo original figura como uma das relíquias da
Fazenda Boa Vista:
Rio, 27 de julho de 1875
Ilmo. Sr. Major Manoel de Freitas
Novaes
Um negócio urgente priva-me de
ir.
Mas segue esse engenheiro o sr.
Herbert E. Hunt a que rogo a V.S. que preste a condução que me havia prometido
assim como lhe mostre a serra e indique
ao mesmo o caminho e as fazendas onde ele pode pousar.
Em fim de sua atividade e
cavalheirismo espero tudo, responsabilizar-me pelas despesas.
O sr. Engenheiro segue pelo carro
das 6 horas do dia de amanhã.
De V.S.
Amº e Servo At.”
J.V. Couto de Magalhães
E realmente no dia 28 de Julho
daquele longínquo 1875 aqui chegou o engenheiro Hunt.
Prestigiado e naturalmente
assessorado pelo Major Novaes, esse engenheiro inglês percorreu e examinou a
região inclusive a serra, fazendo estudos sobre o traçado da futura ferrovia
que, atravessando a Mantiqueira, iria atingir Três Corações.
Esses estudos, após serem por ele
tecnicamente planificados, foram aprovados pelos engenheiros Raimundo Teixeira
Belfort Roxo e José Wirth designados pelo governo Imperial e incorporados no
projeto de 3 de maio de 1876.
Entretanto... dificuldades
financeiras levaram o Brigadeiro José Vieira de Magalhães a transferir sua
Concessão aos ingleses que, em Londres, sobre o patrocínio de Waring Brothers,
organizaram a 24 de Abril de 1880 uma companhia com o nome de “The Minas and
Rio Railway”.
E o governo Imperial autorizou
essa transferência através do Decreto nº 7734 de 21 de junho de 1880.
FUNDAÇÃO DE CRUZEIRO
A 18 de Abril de l881 aqui
chegaram, acompanhados de uma equipe, os engenheiros ingleses da Waring
Brothers, contratados pela The Minas and Rio Railway e supervisionados pelo
engº. Herbert Hunt.
E no dia 21 de Abril,
próximo à nossa atual estação Ferroviária, foi iniciada a obra com a colocação
dos primeiros dormentes e trilhos.
A seguir foram construídas
edificações nas quais se instalaram as Oficinas, a Diretoria, os Escritórios, o
Almoxarifado, etc. da nova ferrovia.
Assim como a data da fundação de
São Paulo decorre da “pedra fundamental” de uma capela no planalto de
Piratininga a 25 de Janeiro de 1554, a data da fundação de Cruzeiro decorre da
implantação dos primeiros dormentes e trilhos da The Minas and Rio Railway,
pois em torno feles nasceu e cresceu o povoado que se transformou numa formosa,
amável e irradiante cidade.
Portanto, em nosso entender, a
data de fundação da cidade de Cruzeiro é 21 de Abril de 1881.
Conseqüentemente, o ANIVERSÁRIO DA CIDADE transcorre no
dia 21 de Abril que é, por generosa coincidência, feriado nacional em homenagem
à venerável memória de Tiradentes, - o imortal Protomártir da independência e
Patrono Cívico do Brasil.
VISITAS IMPERIAIS
Por duas vezes D. Pedro II, a Família Imperial, e altos
dignitários, visitaram o “povoado da Estação”.
A primeira foi a 24 de julho
de 1882, no início da abertura do Túnel Grande da Serra da Mantiqueira.
Aqui chegaram no entardecer e pernoitaram nas residências dos engenheiros no
morro dos ingleses.
No dia seguinte, 25 foram cedo à
Fazenda Boa Vista, assistiram Missa na Capela Santa Fortunata, e às 8 horas
partiram rumo ao alto da serra em visita às obras em andamento.
Dessa visita há uma fotografia
histórica, tirada em frente a abertura do Túnel. Nela figuram, entre outros D.
Pedro II, a Imperatriz D. Tereza Cristina, a Princesa Isabel, o conde D’Eu, o
Visconde de Ouro Preto, o Dr. Afonso Pena, O Major Novaes...
A segunda foi em junho de 1884. No dia 14 entrou em
vigor o Regulamento Interno da Minas na Rio, o que significava condições
operacionais plenas à ferrovia.
Oito dias depois, à 12 horas
do dia 22, D. Pedro II, a Família Imperial e relevantes vultos da vida
pública, aqui chegaram para visitar e conhecer a nova Estrada em todo seu
percurso.
O trem inaugural, composto de
sete vagões, partiu as 12 horas do mesmo dia 22 e, até Passa Quatro, a 35
quilômetros, sua máquina foi dirigida por Thomaz Morton, e daí, até Três
corações, a máquina nº 7 “Couto de Magalhães”, ornamentada de flores e
reluzente em sua pintura, dirigida por Henrique Turner, tendo como o foguista
Manuel Senguem, venceu os 135 quilômetros restantes em duas horas e trinta e
cinco minutos. Uma proeza notável para aquele tempo.
Estava, assim, oficialmente inaugurada
a Minas and Rio.
PRIMEIROS PASSOS
Com a chegada dos trilhos da E.F.D.Pedro II até Cachoeira
Paulista, o início do tráfego ferroviário por terras da Fazenda Boa Vista
ocorreu no dia 20 de Julho de 1875, isto é, oito dias antes da primeira
vinda do engenheiro Hunt.
Para atender ao embarque do café
e outros produtos da fazenda designados à Corte, foi construída uma “Parada” ou
pequena estação na que foi depois denominada Travessa das Palmeiras (atualmente
rua Cap. Otávio Ramos) entre as Ruas 1 e 2 (Rodrigues Alves e Antonio Penido).
O prédio da atual estação,
construído pelas duas Estradas (D.Pedro II e Minas and Rio) foi inaugurado em 27
de setembro de 1884, apesar de haver em seu frontispício a data de 1885.
A primeira Botica, de propriedade
de Novaes & Irmão, depois do Dr. Antonio Celestino dos Santos, surgiu
simultaneamente com o início da construção da Minas and Rio. Nela Hermógenes de
Azevedo Souza, com 11 anos, iniciou suas atividades.
“Sete de Setembro” foi a
primeira sociedade musical, e seus estatutos datam de 3 de dezembro de 1883.
A Lei Provincial nº 8, de 15
de fevereiro de 1884, criou duas escolas públicas, e os primeiros
professores foram Luiz Bittencourt e Albertina de Azevedo Castilho.
A 6 de Abril de 1885 nasce
Humberto Turner, que viria a desempenhar relevante papel na vida da
cidade como Historiador e Homem Público.
Hotel Meireles foi o
primeiro que se instalou, o primeiro restaurante foi o Chaminó, de
iguarias e bebidas finas, procurado por pessoas abastadas e de apurado gosto.
Os menos favorecidos procuravam
diversos Quiosques montados nas proximidades da Estação.
Duas eram as principais casas
comerciais daquela época: a de Firmino José Salema, a melhor sortida e a
de Antonio Espanhol & Irmão.
E a primeira padaria (Ceres)
a funcionar foi a de Pedro Oliveira Machado, que depois se transferiu
para a antiga Rua 2 (Antonio Penido) em prédio próprio e que até a poucos anos
ainda funcionava dirigida por seus sobrinhos, os irmãos Machado.
TRANSFERÊNCIA DA SEDE
Após a transferência da Minas And Rio o povoado em torno da estação cresceu
rapidamente e de tal modo que em poucos anos superou o da própria sede (Embaú).
Em 1889 foi instalada a Coletoria
Estadual, sendo Coletor Joaquim Amélio Ferreira.
O governo do Estado,
presidido por Prudente J. de Moraes Barros, pela Resolução nº 44, de 12 de
abril de 1890, desapropriou da Fazenda Boa Vista uma área de 36 hectares
e 56 ares (26.500 m²), descontadas as partes anteriormente adquiridas pelas
estradas Central do Brasil (antiga D. Pedro II) e Minas and Rio. Valor
inicialmente arbitrado: vinte oito contos, oitocentos e noventa mil réis.
Pelo Decreto nº 143, de 30 de
março de 1891, foi criado o Distrito de Paz da Estação.
O Presidente do estado, Américo
Brasiliense de Almeida melo, dois meses depois, a 3 de junho, assinou o
Decreto nº 189 criando a Vila Novaes. Decreto esse revogado por seu
sucessor, José Alves Cerqueira César, através da Lei nº 45, de 18 de julho de
1892.
A 1º de Outubro nasce José
Ristom, mais tarde um benemérito organizador do Arquivo Histórico
Cruzeirense, - arquivo fonte obrigatória de pesquisa dos que já escreveram algo
substancial sobre nosso passado. – Arquivo sem o qual ninguém poderia sem
poderá reconstruir corretamente a História de Cruzeiro.
No dia 8 desse mesmo mês de
outubro a Loja Maçônica Cruzeiro Central dá início às suas reuniões.
Nessa época havia apenas duas
capelas no povoado: a de Sta. Fortunata na Fazenda Boa Vista e a de Santa Cruz.
Esta, numa noite de dezembro de l896 foi misteriosamente demolida. Em
seu lugar foi erguida uma grande cruz de madeira, substituída anos depois por
uma de concreto, onde até hoje existe, na rua Engº. Antonio Penido.
As obras da Igreja de Santa
Cecília e São Benedito foram iniciadas a 15 de abril de 1896 e a 4 de
novembro foi benzida a Capela-mor “que
se achava concluída e fechada”.
Portaria de 22 de julho de
1897, do então Bispo D. Joaquim Arcoverde Cavalcanti, transferiu para
sempre a sede da Paróquia de N. S. da Conceição do Cruzeiro para a povoação
estabelecida na estação do Cruzeiro, na mesma Paróquia. O executor dessa
transferência foi o Padre Ernesto Maria de Pina.
Em 17 de junho de 1901 os
Deputados Evangelista Rodrigues, Estevam Marcelino e Carlos Vilalva
apresentaram na Assembléia Legislativa o projeto nº 37 que, após acalorados
debates, foi aprovado e transformado em Lei º 789, de 2 de outubro de 1901, sancionada
pelo Presidente do Estado, Conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves,
transferindo definitivamente a sede do “município do Cruzeiro para o
povoação da Estação do mesmo nome”.
Os vereadores eleitos para o período
de 1899/1902 eram os seguintes: Cel. Francisco de Assis Duarte de Azevedo
(Candô) – Presidente. Tte Cel. Joaquim do Prado – Vice, cap. Avelino Bastos –
Intendente, Joaquim Pereira Amorim -, José Hilário de Souza Pinto, e Cap.
Deodato da Silva Rodrigues. O cargo de Intendente corresponde hoje ao de
Prefeito.
No início do século, na quadra
onde atualmente estão situadas a Praça 9 de Julho e a EEPG Arnolfo Azevedo,
havia apenas uma edificação na esquina das atuais Av. Jorge Tibiriçá e Major
Novaes. E um de seus compartimentos servia de cadeia pública desde 5 de
março de 1884 quando foi criada a sub-Delegacia de Polícia. Foi nessa
edificação, no dia 30 de novembro de 1901, às 12 horas, que se reuniu a
Câmara transferida da antiga para a nova sede do Município.
Por força de Lei Municipal nº 47,
de 8 de agosto de 1949, Lei básica ordinária de um projeto do então
Vereador Alberto Gussen, o 2 de Outubro tem sido anualmente festejado,
desde 1949, pelos Poderes Públicos e pelos cruzeirenses como “Dia de Festa” por
significar nossa emancipação política administrativa.
Q
uanto a antiga sede da Vila da
Conceição do Cruzeiro, pela Lei Estadual nº 845, de 15 de novembro de 1903,
voltou a chamar-se Embaú, como nos aventurosos tempos dos índios e das
denodadas expedições sertanistas.
PRÉDIO DA MUNICIPALIDADE
A primeira Câmara eleita, após a transferência, foi
composta pelos Vereadores, que tomaram posse no dia 7 de janeiro de 1902:
Major Crispim Basto – Presidente, Tte. Cel. José Francisco de Oliveira Castro –
Vice, Tte. Cel. Joaquim do Prado – Intendente, Major Hermógenes de Azevedo
Souza, Tte. João da Mata Coelho e Dr. Alfredo Teixeira Pinto.
Os Vereadores eleitos para o
período 1895 a 15 de janeiro de 1908 tomaram posse no dia 1º de março de 1095 e
eram os seguintes: Cel. Francisco de Paula Novaes – Presidente, Cap. José de
Araújo Lopes – Vice, Tte. Cel. Joaquim do Prado – Intendente, Tte Cel. José
Francisco de Oliveira Castro, Major Crispim Bastos e José Manoel de Carvalho.
Foi nessa Legislatura que ocorreu
a aquisição so prédio destinado a servir de sede condigna para a
Municipalidade.
A iniciativa foi do Vereador
Presidente da Câmara, Cel. Francisco de Paula Novaes, espírito altamente
esclarecido, dinâmico progressista, a quem a cidade deve inúmeras benfeitorias
concretizadas na primeira década do século, inclusive a primeira iluminação
pública.
O prédio por ele indicado para a
aquisição: am amplo sobrado que acabava de ser construído, de propriedade do
abastado fazendeiro Antonio Conde, localizado no meio de uma área...
Faltam as páginas 18 e 19
Março de 1920 nasce
Joaquim de Paula Guimarães, ambos mais tarde Mestres e Historiadores ilustres.
Em 1913 foi construído o
1º Grupo Escolar, em 1914 inauguradas aSanta Casa de
Misericórdia e a iluminação elétrica gerada pela Empresa Hidroelétrica da Serra
da Bocaina, e a 3 de setembro fundado o
Cruzeiro Futebol Clube.
Foram também inaugurados em 1910
o Cruzeiro-Cinema (no local onde atualmente é o Teatro Capitólio) e em 1914 o
D’LuxoCinema na Av. Jorge Tibiriçá, frente a Matriz de Santa Cecília.
Em 30 de agosto de 1919 os
Padres Salesianosfundaram o Oratório festivo (atualmente Igueja e
Instituto N.S. Auxiliadora).
Imprensa: 1914 “Flores
entre Flores”, revista de Carlos Batista, “O imparcial”, de Higino Nascimento,
“O Zéfiro”, de Antonio Vieira Cortez; 1915 “O Cruzeiro” de Jorge Ristom,“A Juriti” , de J.G. Menegale; 1916 “A Notícia”, de José
Gomes Roseira; 1919 “ATesoura”, de Antonio Areão, Euclides
Vieira, Olavo Coelho e Vicente Duono, “O Rouxinol” e “O Detetive”.
COMÉRCIO E INDÚSTRIA – Cornélio
Marcondes, Casa Mayença, Amim Abdalla, Constantino Salomão, Hildebrando
Barbieri, Jacob Thomaz, Antonio Molinaro, Mário Azevedo, Casa Canevari, Constantino
Zamponi, Antonio Biteti, Refinaria de Açúcar Camboja, José D’Angelo, Cerâmia
Cruzeirense, Casa Matias, Alípio Machado...
Construção do primitivo prédio do
Frigorífico em área cedida pela Municipalidade, PrefeitoJosé Francisco de
Oliveira Castro, em cuja administração (1910/1917), foi, também, implantada a
primeira rede de Água e esgoto.
Na terceira década: Gentil
Fernando de Castro, poeta primoroso, Humberto Turner, jornalista e historiador,
Antenor José Dias, poeta. Humberto de Lucca, orador e jornalista, Argemiro
Alves de Sá, jornalista, José Floriano Coelho, fundador de uma empresa
telefônica regional, Murillo Campos, intelectual brilhante; Major Hermógenes de
Azevedo Souza e Carlos Varela, chefes políticos.
Mestres Ilustres, Joaquim De
Marco, Hildebrando Martins Sodero, José Passos Filho, Saul de Castro, Cândido
Lemos Ramos...
A 6 de abril de 1922 o
Governo federal arrenda ao Governo do estado de Minas Gerais o Conjunto de
estradas da Rede Sul Mineira E a 6 de setembro, pela primeira vez, aqui pousa
um avião, pilotado por Anésia Pinheiro Machado. Local: campo onde hoje está
localizada a Engesa-FNV.
Em janeiro de 1923 foi inaugurado o Cine Teatro
Odeon na Av. Jorge Tibiriçá, frente ao Jardim (Praça 9 de Julho), e em 1929
o Cine Teatro Glória, na Rua Cap. Avelino Bastos, com a presença da Companhia
Teatral de Átila e Dulcina Moraes. O Dr, Mário da Silva Pinto foi o principal
concretizador dessa realização.
Em 1926 foi fundada a
Sociedade Beneficente 12 de Outubro, instalada a Agência do Banco Comercial do
estado de São Paulo, e em 1928 Humberto Turner, na função de Prefeito
Municipal, promulga a Lei nº 61 criando a Escola Normal Livre de Cruzeiro (hoje
EESPSG Oswaldo Cruz).
Comércio e Indústria – Jorge
Rubez, Nagib Cossermeli, Eduardo Pinto& Filhos, José Gussen, José Jehá,
Francisco Caruso & Irmãos, José Iunes, Ângelo Zappa, M.P. Hein, Cristóvão e
Venâncio Puccini, Benjamim Abrahão, José Perroni, Francisco Marques da Costa
Júnior, Turner-Irmãos, João Jorge Ristom, José Benedito Ferreira Guimarães,
Abílio Rodrigues, José Jorge Santiago, Bar do Ponto, Luiz Mollica, Martino
Nérici, Álvaro e Luiz de Sá, Fioravante Chericoni, Farmácia Xavier, Xisto de
Souza, Geraldo Lopretti, Antonio Alves Leite, Casas Pernambucanas, Francisco
Loyelo, Nicolau Rafael, Alfredo Ferrão, João Elias, Jorge Ristom, Tufy Rafael,
Vicente e Onofre Messano, Savino & Irmão, Francisco Ântico, Padaria
Marrano,. Ernesto Zappa, Floriano Ântico, Bechara e Tufi Abdalla, Jorge
Miguel...
DÉCADA DOS TRINTA
Nesta década foram mais intensas, fecundas e vivificantes,
as atividades culturais, artísticas e progressivas, impulsionadas por uma
plêiade de moços dinâmicos, dotados de talento, sensibilidade e idealismo, que
aurilavraram memoráveis páginas das Letras, nas Artes e na educação.
Fulguravam, entre outros, os
nomes de Vaso de Castro Lima, José Campos, Sebastião Pinto, Otávio Rangel,
Dimas Guimarães, Geraldo Prado Galhano, Simões Coelho, Geraldo Junqueira
Novaes, José Thomaz, Jorge e Nadyr Ristom, Geraldo de Oliveira, José Bennnaton
Vieira, Issac Cerquinho, Felix Bouré, padre Ramom Ortiz, Hermínio Pizzi, Durval
Pereira, Álvaro Toledo, José Heitgen, Olívio Nicoli, Vitor Barrelli, Guilherme
Turner, Eusébio e Lazinho Lico, Ctarino, Nenzinho Reis, Irmãos Goulart, maestro
Lírio Panicalli, Vicente Mediros, Plínio Matos, Santana, Luiz Floriano...
Na política: Eurico Pereira Pena,
José Diogo Bastos, Tancredo Magalhães, Pascoal Palazzo, Carlos Ribeiro de
Souza, Virgílio Antunes de Oliveira ...
No magistério, uma constelação de
beneméritos: José Sant’ Ana de Castro, Álvaro Neiva, Rui Cotrim, Hilda Rocha
Pinto (Externato São Paulo), Joaquim Rebouças de Carvalho Neto, Hilton
Federici, Nicolino Ferrari, Maria Aparecida Passos, Aurora Ramos Coelho, Maria
Ramalho Gosling, Adélia Bastos Magalhães, Maria Aparecida Policeno, Antonio
Chediak, Maria de Lourdes Passos de Oliveira, Maria aparecida Machado de
Castro, João Silva, Alaíde e Consuelo Azevedo Souza...
A 30 de agosto de 1930 a
Rede Sul Mineira inaugura pomposamente, suas novas instalações: Oficina
Moderna, Almoxarifado, Galpão para Locomotivas, Rotunda, Prédio da Locomoção,
etc. – edificações essas que ainda ostentam sua importância externa e relembram
os áureos tempos da ferrovia.
A 3 de setembro foi
festivamente inaugurado o Cine Teatro Capitólio, a 6 de outubro fundado
o Colégio Dom Nery pelo Prof. Rui Cotrim, e a 8 de dezembro lançada a
pedra fundamental da Matriz Imaculada Conceição, sendo vigário da Paróquia o
Padre Ramos Ortiz.
A 19 de dezembro de 1931
foi fundado o Brasil Futebol Clube.
Em fevereiro de 1932 o
educador Álvaro Neiva inaugura a Av.
Jorge Tibiriçá o Instituto Cruzeiro e, logo após o início da revolução
Constitucionalista (9 de julho) o Coronel Euclides Figueiredo instala a sede de
seu comando no 1º Grupo escolar (EEPG Arnolfo Azevedo). Episódios épicos
ocorrem meses de julho, agosto e setembro.
Em 1933 inicio das
atividades do Sindicato dos ferroviários da Rede Sul Mineira, e instalação do
Núcleo de Cruzeiro da Associação Cívica Feminina.
Em 1934 criação da
Comarca, do Centro de Saúde (Posto de Higiene) e início das atividades da Rádio
Mantiqueira de em fase experimental (14 de junho). Locutores: Vasco de Castro
Lima e José Campo. Memoráveis festividades comemorativas do cinqüentenário da
R.S.M.
A 13 de julho de 1936 foi
fundada a Associação Comercial de Cruzeiro e a 16 de setembro criado, por Lei,
o Brasão do Município.
As outrora tradicionais Festas
da Santa Cruz, realizadas anualmente na primeira quinzena de maio,
atingiram nessa década seu maior brilho e esplendor.
1936 – Transferência para
Minas Gerais da Diretoria, dos Escritórios e Oficinas da Rede Sul mineira após
aqui terem, por 55 anos, representado a principal força impulsionadora da vida
social, econômica e cultural.
Essa transferência foi um rude golpe, pelo “abruptamento”
retirou substancial parcela das forças geratrizes que dinamizavam a cidade.
Porém, pouco depois, a comunidade
superou o trauma, e serenamente prosseguiu seu trabalho, conseguindo imprimir
novo surto à evolução de seu progresso, cujas bases essenciais haviam sido
consolidadas nas décadas anteriores.
1937 foi editado “Alma
Errante”, o livro estréia de Nicolino Ferrari, com ilustração de Félix Boouré e
Prefácio de Isaac Cerquinho.
Comércio e Industria – Cooperativa Central de Laticínios,
Distilaria Cruzeiro, José Abílio Ferreira, Armando Gonçalves de Carvalho,
Horácio Pinto, João Marcondes de Castro & Irmão, Machado & Carvalho,
Irmãos Grossi, Francisco Paiva da Silva, Benedito Marcondes, José Caputo, Luiz
e João Romanelli, Antonio Conde Filho, Geraldo Ramalho, Benedito Brunácio,
Carpintaria Vitellli, José Lofiego, Carlos
Mollica, Salim e Jamil Abdalla, Francisco Giovani, Rafael Zappa, Leon Berezon,
Domingos Conte, Pedro Mokarzel, Jorge Cossermelli, Manoel dos Santos Oliveira,
Itamar Marcondes, Paulo Machado, Antonio José Jehá, Salomão Nacur, Henrique
Schwan, Gervásio Marcondes, Ítalo Chericoni, Estevão Senne, Aziz Elias, José
Marques, Sebastião Firmo, Ildefonso Pinto, Aarão Pinto, Bar Cristal, Foto
Elite, Foto Abrahão, J.Silva, Augusto Oliveira, Adolfo Monteiro, Ramiro de
Souza, Raul Rios, Ferrão e Monteiro, Joalheria Imperial, José Gioia, Jorge
Rafael, Serafim Pereira de Almeida, Domingos Branca, Rodolfo Brocanelli, Abel
Ramos da Silva, José Alves Mimoso, Armazém Valverde, Joaquim Simões Sobrinho,
João de Azevedo Souza, Jaime Diring, o Jujú, J.E.S.Vilela, Geraldo R. Pinto...
CRIAÇÃO DA COMARCA
A 19 de maio de 1934 foi assinado, às 21 horas,
pelo Interventor Dr. Armando Salles de Oliveira, o Decreto nº 6.447 criando a
Comarca de Cruzeiro, - velha e encarecida aspiração cruzeirense.
Essa conquista contou com o apoio
de vultos exponenciais do Governo do Estado, entre eles os Drs. Márcio Munhoz,
Valdomiro Silveira, Julio de Mesquita Filho, Luiz Pizza Sobrinho, Leven Vampré
e Thierry Carneiro Resende, e só foi possível após longo, persistente e
exaustivo trabalho de um pugilo de beneméritos cruzeirenses que dignamente
esmaltaram gloriosa página de nossa História.
Foram eles: Eurico Pereira
Pena, Antonio Vieira Cortez, Prof. Joaquim Rebouças de Carvalho Neto, Dr.
Ananias Gomes da Silva, Dr. Issac Cerquinho, José Américo de Carvalho, Argemiro
Alves de Sá, Dr. Dirceu Noronha, Dr. Orlando Mollica, João Azevedo Souza, Dr.
Orlando Costa Leite, Aurélio Corrente, Eurico Siqueira Queiroz, Lázaro Alves
da Costa e Raimundo Alves da Silva.
A solenidade da instalação
ocorreu quase cinco meses depois, isto é às 12 horas do dia 12 de Outubro,
na parte superior do prédio da Prefeitura, nos salões contíguos onde funcionava
e ainda funciona a edilidade.
Nosso primeiro Juiz de Direito
foi o Dr. Virgilio Manente e o Dr. João Batista do Nascimento Pereira o
primeiro Promotor Público.
Principais oradores: Dr. Virgilio
Manente, Dr. Isaac Cerquinho e os srs. Eurico Pereira Pena (Prefeito Municipal)
e Antonio Vieira Cortez.
E foi a partir dessa data que as
pendências judiciais dos cruzeirenses passaram a ser aqui resolvidas, e não
mais na Comarca de Cachoeira (Paulista).
CINQÜENTENÁRIO DA R.S.M.
Em 1934 era Diretor da R.S.M. (Estrada de Ferro Sul
Mineira) o Dr. Militão José de Castro Souza quando transcorreu o cinqüentenário
dessa ferrovia.
Na rua 2 (Dr. Antonio Penido), ao
lado do antigo almoxarifado, há um terreno de 40m² que tem no seu centro um
monumento de concreto com uma larga placa de bronze assinalando:
1884 – MARCO COMEMORATIVO – 1934
Cincoentenário da inauguração da Estrada de Ferro Sul Mineira
Em homenagem a efeméride foram
organizadas diversas festividades e uma gigantesca exposição (14 junho/15
julho) para a qual foram desenhados e construídos pela equipe do renomado
Arquiteto e Decorador Bruno Sercelli, de São Paulo, amplos e artísticos
pavilhões no terreno atualmente ocupado pela engesa-FNV.
O Comitê Executivo da memorável
Exposição era composto pelos engenheiros Alexandre Belfort de Matos, Armando
Golvêa, Francisco Sanches, Lino Pinocchi, e pelos srs. Vasco de Castro Lima,
Tranqüilo Paternostro e Inácio Valadares Ribeiro.
No Catálogo Oficial dos
Expositores há alguns tópicos que falam por si mesmos:
“Para comemorar seu
cinqüentenário a Diretoria da Estrada não mediu sacrifícios; almejando deixar
nas páginas de nosso progresso uma lembrança digna de registro”.
“Entre os números do vasto
programa delineado está, preenchendo todas as finalidades, a grane Exposição
industrial, comercial e agrícola da enorme região em que faz deslizar seus trilhos”.
“Funcionando num dos mais
suntuosos Pavilhões que se edificaram no Brasil, tem a Exposição a grande
vantagem de oferecer ao visitante o mais variado mostruário colhido nos estados
de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro”.
Todas as comemorações foram
deslumbrantes, - por sua marcante, radiosa e inolvidável pompa.
O encerramento dessas
maravilhosas festividades foi no dia 15 de julho.
Às 13 horas houve o desfile
desses magníficos animais que figuraram na Exposição; às 17 horas foi a entrega
de Medalhas e Diplomas aos melhores Expositores; em seguida o teatro ao ar
livre com várias atrações; e as 21 horas queima de fogos de artifício
artisticamente preparados.
O Grande Baile, porém, foi
realizado na véspera, noite do dia 14, nos salões nobre do 1º grupo Escolar,
especialmente preparados e ricamente ornamentados.(Na época esses salões
representavam o máximo de requinte que a cidade possuía).
Esse Baile foi abrilhantado por
duas famosas orquestras: o Jazz KWY, sinfônico, regido pelo Maestro Lírio
Panicalli, tendo como integrantes várias de nossas sumidades musicais:
Lírio Panicalli, piano, Lazinho Lico, José Miranda Nadyr Ristom, violinos,
Nenzinho Reis e Eusébio Lico, sax. Catarino e Alaíde Pinheiro, banjos João
Pinto, contra-baixo, Luiz Floriano, trombone, Santana e Celli, pistons, Antonio
Sellmant e João Floriano, baterias Jair Azevedo e Geraldinho de Castro,
cantores. E a Orquestra do Maestro
Plínio Matos, sax, Diógenes, trombone, Firmino, piston Filhinho Goulart,
banjo Juca, bateria Laércio Flores, cantor.
Essas maravilhosas Orquestras,
uma do lado direito e outra do lado esquerdo dos amplos salões, se revezavam
nas execuções com tal apuro e esmero que davam inusitada animação, mágico
alento e eufórico encanto aos presentes.
E assim, nas comemorações do seu
cinqüentenário, a estrada, geratriz de um povoado que se transformou na cidade
de CRUZEIRO, aurilavrou, na trajetória outrora fecunda de sua existência, mais
uma generosa, fulgurante e imortal página da nossa história.
BRASÃO DO MUNICÍPIO
Até o ano de 1936, transcorrido mais de meio século
de sua formação, CRUZEIRO ainda não possuía o seu Brasão do Município.
Isso levou o historiador Humberto
Turner a alertar a Câmara Municipal e a solicitar providências para a
eliminação da inusitada lacuna.
A Câmara encarregou, então, o sr.
José Heitgen, estudioso de heráldica e dotado de vasta cultura, a fazer os
respectivos estudos e o desenho original.
A esse desenho foi acrescentado,
por sugestão de Humberto Turner, um listel na parte inferior com a divisa:
Cultura, Civismo, Paz, Liberdade e Trabalho.
E a Câmara em 16 de setembro
de 1936 baixou a seguinte
“Lei nº1”
“Adota o Brasão do Município”
o Doutor Mário Pereira da Silva
Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Cruzeiro, faz saber que Câmara
decretou e promulga a seguinte
LEI nº 1
Art. 1º - Fica adotado, para os
devidos fins, o novo Brasão desta Câmara Municipal.
Art. 2º - O referido Brasão, de
conformidade com o projeto anexo sob o nº. 2, de autoria de José Heitgen, terá
os seguintes detalhes:
Ao alto, coroa mural,
simbolizando a autonomia do Município; ao alto, à esquerda, um talhado com a
Bandeira paulista ao céu azul, simbolizando ser cidade do Estado de São Paulo;
ao centro, no eu azul, as cinco estrelas da constelação do cruzeiro do Sul,
cuja primeira designação simboliza o nome do Município; em baixo, o rio Paraíba
correndo em campo de prata e refletindo o azul do céu em seu leito; a parte
inferior será circundada por um listel vermelho com a seguinte divisa em letras
de prata: Cultura, Civismo, Paz, Liberdade, Trabalho.
Art. 3º. – Todos os papéis da
Câmara e Prefeitura serão impressos com a reprodução, à esquerda, ao alto, do
Brasão adotado por efeito desta Lei.
Art. 4º. – Para a confecção do
Brasão em desenho e que será colocado na Sala de Sessões desta Câmara Municipal
fica a Prefeitura autorizada a dispender
pela verba Expediente a importância necessária.
Art. 5º - A presente Lei entrará em vigor na data da
sua promulgação pelo Presidente da Câmara.
Art. 6º.- Revoga-se as disposições em contrário.
Câmara Municipal de Cruzeiro
Aos 16 de setembro de 1936
Dr. Mário Pereira da Silva Pinto
Presidente
Em 1937 um cidadão
manifestou estranheza por não constar do Brasão referência `Mantiqueira.
Em decorrência, Huberto Turner publicou
na “Folha de Cruzeiro”, de 1937 a 1943, uma série de 191 (cento e
noventa e hum) monumentais artigos históricos sob o título de “Brasão do
Município”.
Artigos ricos de vasta erudição e irradiantes de episódios
por ele presenciados, pois nasceu a 6 de abril de 1885 e aqui viveu desde a
adolescência até 7 de outubro de 1955 quando faleceu.
Foi, conseqüentemente,
“testemunha ocular” dos principais eventos das primeiras décadas de nossa
História.
DÉCADA DOS ANOS QUARENTA
A década dos anos quarenta começou sensivelmente
auspiciosa para a total superação da abulia provocada pela saída da quase
totalidade do pessoal da Rede Sul Mineira.
As sessões literárias da ACADEMIA
JOSÉ DE ANCHIETA, do Instituto Cruzeiro, muito concorreram para reavivar as
atividades culturais.
Em 1941 aqui se instalou
nas dependências anteriormente ocupadas pelas oficinas da R.S.M., a Fábrica
nacional de Vagões, FNV, e foi inaugurada a primeira ponte de concreto sobre o
rio Paraíba. O Dr. João Batista Ferreira era o Prefeito Municipal e o Dr.
Adhemar de Barros o Interventor no Estado.
A 23 de setembro desse ano os
Drs. Olavo Ribeiro de Souza, José Diogo Bastos, Mário da Silva Pinto, Fernando
de Oliveira Pimentel e os Srs. João Marcondes de Castro, José Campos e
Belarmino José Bernardes laçam manifesto convocando os cruzeirenses para a
criação do AERO-CLUBE DE CRUZEIRO. E nessa Primavera ocorreu a inauguração do
Cine Teatro Ópera, na Av. Major Novaes. Filme: Balalaika.
Em 1942, começou a ser
editada a revista regional “Variedades”, sob a direção do Jornalista José
Campos que, quatro anos depois, fundou o tradicional “CORREIO DO POVO”,
semanário já com 39 anos de circulação initerrupta.
A 19 de janeiro de 1944
foi fundado o Rotary Club de Cruzeiro, fato esse oficialmente reconhecido pelo
Rotary Club Internacional em 31 de março do mesmo ano.
Nessa década surgiu uma brilhante
plêiade de jovens reforçando poderosamente os que aqui continuavam a lutar para
um novo surto de progresso.
NA IMPRENSA, NAS LETRAS E NAS
ARTES – José Tácito de Andrade, Ewaldo Rebelo, Geraldo padula, Márcio Thomaz
Bastos, Lauro José Vieira Martins. Manoel Ferreira da Silva Filho, Antonio
Padula, Darcy Carlos Vieira de Lima, Oscarlino Matos de Oliveira, Nesralla
Rubez, Jaime e Agostinho Nelson Sobreiro, Antonio Sellmann...
NO RÁDIO – Bechara Bueri, Carlos Borromeu de Andrade,
Carlos Coelho, Getúlio Machado, Almeida júnior, César de Aguiar, João Marcondes
de Castro...
NO MAGISTÉRIO – Waldomiro May,
Abrahão Benjamin, Joaquim de Paula Guimarães, Flávio Torres, Imídeo G. Nérici,
José Coutinho, Geraldo Sobreiro, Maria José Pinheiro, João Ramos da Silva,
Elzira Carvalho, Irene Cordovil, Cenira Braga, João Palazzo, Alzira Antonio,
Celina Rios, Dolores Werkaiser, João Dorat, Eduardo Lopes, Agostinho e
Sebastião Portugal...
Outro grupo de idealistas
vigorosamente atuantes, fundou a Sociedade dos Moços Amigos de Cruzeiro a S.
M. A .C. lançou um programa indicando as necessidades comerciais do
muncípio sugerindo soluções plausíveis e fatíveis para sana-las.
Nomes que mais
se destacaram nesse movimento: José Campos, Ernani de Souza Pinto, Assuero
Bittencourt e Cortez, Alberto Gussen, José Guimarães, Daniel de Biazzi,
Aristides Nunes Fonseca, Geraldo pinto de Carvalho, Aurélio Fortes, Antonio
Magina....
NA POLÍTICA – Avelino Junior e Fernando de Oliveira
Pimentel.
Essa foi bastante benéfica para o
desenvolvimento industrial. Além das atividades da FNV e do frigorífico
Cruzeiro serem intensificadas, nove fábricas de banha triplicaram a produção
para atender sua exportações.
E foi a partir dessa década que a
cidade adquiriu melhor consciência de sua fortitude e deslanchou rumo ao
progresso seguro, cada vez mais próspero, mais generoso, mais consistente.
CONCLUSÃO
Ao encerrarmos esta singela síntese panorâmica e cronológica
das primeiras efetivas sete décadas de CRUZEIRO, nos relembramos que é
espiritualmente rico, nobre e feliz, o povo que não desconhece a origem e a
evolução da cidade na qual vive, luta, caminha rumo a um futuro concretizador
de elevadas e encarecidas aspirações.
A História de CRUZEIRO é bela,
radiosa, fascinante!
Quanto mais a conhecemos, maior,
mais vivo e gratificante será o civismo, nosso júbilo, nosso encantamento!
Dar-lhe, pois, ampla divulgação,
principalmente junto aos adolescentes e moços, é dever cívico dos responsáveis
pelos destinos da comunidade. É de todos os que efetivamente amam CRUZEIRO, e
desejam que a chama glorificante desse Amor permaneça sempre acesa a iluminar,
aquecer e incentivar as novas e futuras gerações!
A HISTÓRIA DE CRUZEIRO MERECE O NOSSO AMOR!
CÂMARA MUNICIPAL DE CRUZEIRO
9ª. Legislatura(1983 a 1988)
MESA DIRETORA
Presidente: Marcos Antonio
Romanelli
Vice-presidente: Benedito
Theodoro Fonseca
1º Secretário: Ari Cavalheiro
2º Secretário: Fernando Luiz
Vieira
Reinaldo Ribeiro – Líder do PMDB
José Marques dos Santos – Líder
do PDS
Carlos Martins Ântico,
Diógenes Gori Santiago,
João Bosco Ribeiro,
José Alfredo Portugal Gonçalves,
Nadge Tenório Peixoto,
Noé Ribeiro Vieira,
Orlando Freire de Faria,
Pedro Buzzatto,
Sérgio Antonio dos Santos.
+ João Silvano de Mesquita
+ Rogério Mariano
Poder Legislativo – expressão
maior da Democracia !
BIBLIOGRAFIA
Arquivo Histórico de Cruzeiro –
Jorge Ristom
Atas da Câmara Municipal de
Cruzeiro
Brasão do Município – Humberto
Turner
História de Cruzeiro (Vols. I e
II) Hilton Federici
Síntese da História de Cruzeiro –
Joaquim de Paula Guimarães
Anais da Assembléia Legislativa
Provincial – São Paulo Arquivo do estado – São Paulo
Investigação Histórico-Geográfica
– Instituto Cruzeiro
A estrada de Fero Sul de Minas –
Vasco de Castro Lima
Catálogo Oficial dos expositores
(RSM-1934)
Cachoeira Paulista – Agostinho
Ramos
Mauá – Alberto faria
Os Novaes de São Paulo – Eduardo
R.S. Camargo
Como nasceram as cidades do
Brasil – Plínio Salgado
Cultura e Opulência do Brasil
– A J. Antonil
Geografia Política de São Paulo –
Assis Cintra
Arquivos e documentos diversos
SOBRE O AUTOR:
Pedro Gussen – Prêmios e Obras
Medalha de Ouro (Mérito Cultural) da Câmara Municipal de
Cruzeiro
Chevalier de L’Ordre du Mérite Scientfique (Paris)
Medaille D’Or de L’Ordree de Sait Admond (Paris)
Medalha de Prata da P.M. de Uruguaiana (RS)
Medalha de Prata (Mérito Cultural 1970) da A I. H. G. Medalha de Prata (mérito Humanística 1969) da A I.C.H.
Da União Brasileira de Escritores (UBE)
Da União Brasileria de trovadores (UBT) Da Acad. Internacionale di Pontzen (di Lettere, Scienze ed
Arti) – Itália
Da Liga Afectiva Portugal Brasil (Lisboa)
Do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes (RJ)
Da Academia de Letras de Uruguaiana (RS)
Da Academia Hispano-Americana Zenith (Costa Rica)
Do Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana (RS)
Da Academia Internacional de Heráldica e Genealogia (RS)
Da Academia de Literatura Y Filosofia (Argentina)
Da Junta de História e Letras de San Vicente (Argentina)
Do Musco y Archivo Histórico Estebam Adrogue Argentina Do Centro Folclórico de Piracicaba (SP
Da Academia Internacional de Ciências Humanísticas (RS)
Da Academia Cachoeirense de Letras (ES)
Obras do Autor
Publicadas
Lampadário......................................1961
Bosquejos Trovadorescos .................1963
Grinaldas de saudade e Gratidão.......1968
Inflorescência ................................. 1969
Acordes de Luzes e Sombras........... 1971
Versos a Cruzeiro (plaqueta) ............ 1978
Acordes do Entardecer......................1980
História de Cruzeiro...........................1986
Inéditas
Luzeiros II (Sonetos)
Avatar (Contos)
Bilac
(Opúsculo)
Reflexões
(Opúsculo)