Página Inicial
Quem Somos
Nossos Amigos
Ação Comunitária
Seresta Pedacinho do Céu
Artesanato-Artes Plásticas
Seguidores de Zumbi
Unic em Prosas e Versos
Amigos da Ferrovia
Folha da Terra - Arquivo
Folha - Mulher 1
Folha - Mulher 2
Folha - Informações
Surdo-Mudo e Braille
Mirante Unic
Cultura Popular
História de Cruzeiro
Memorial
Nossos Talentos
Sites Favoritos
Contato


  
        
           Folha da Terra - Mulher


Nesta página você vai encontrar:

                   -    A Luta contra a discriminação de Gênero - Dia Internacional da Mulher
                   -    Feminismo - Desde 1789 lutando contra a desigualdade social
                   -    Feminista passa o movimento à limpo

.................................................................

                            Leia também em Folha da Terra - Mulher 2 - As Mulheres do Brasil

.................................................................

                               A luta contra a Discriminação de Gênero

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.  

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).  

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.  

Conquistas das Mulheres Brasileiras  Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.  

Marcos das Conquistas das Mulheres na História 


1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças
1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina
1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres  

.................................................................

Feminismo - Desde 1789 lutando contra a desigualdade social

Feminismo é o movimento social que defende igualdade de direitos e status entre homens e mulheres. Embora ao longo da história diversas correntes filosóficas e religiosas, tenham defendido a dignidade e os direitos da mulher, o movimento feminista remonta mais propriamente à revolução francesa.

 A convulsão desencadeada em 1789, além de pôr em cheque o sistema político e social então vigente na França e no resto do Ocidente, encorajou as mulheres a denunciar a sujeição em que eram mantidas e que se manifestava em todas as esferas da existência: jurídica, política, econômica, educacional etc.

Enquanto os revolucionários proclamavam uma declaração dos direitos do homem e do cidadão, a escritora e militante Olympe de Gouges redigia um projeto de declaração dos direitos da mulher, inspirada nas idéias poéticas e filosóficas do marquês de Condorcet, que integrava a Assembléia. Desde o início da revolução, as francesas participaram ativamente da vida política e criaram inúmeros clubes de ativistas femininas.

Em 1792, uma delegação encabeçada por Etta Palm foi até a Assembléia para exigir que as mulheres tivessem acesso ao serviço público e às forças armadas. Essa exigência não foi atendida e o movimento feminino foi suprimido pelo Terror. Robespierre proibiu que as mulheres se associassem a clubes, e o projeto de igualdade política de ambos os sexos foi arquivado.

Em 1848, a França conheceu nova revolução e, como a anterior, sacudiu as bases da ordem estabelecida. Mais uma vez os clubes femininos proliferaram no país. As mulheres agora reivindicavam não só a igualdade jurídica e o direito a voto, mas também a equiparação de salários. Essas novas exigências se explicavam pelas transformações da sociedade européia da época. Com a crescente industrialização, as mulheres dos meados do século XIX foram cada vez mais deiando seus lares para empregar-se como assalariadas nas indústrias e oficinas.

Entraram, assim, em contato com as duras realidades do mercado de trabalho: se os operários da época já eram mal pagos, elas recebiam menos ainda. Conseqüentemente, era mais vantajoso dar emprego às mulheres que aos homens, e, assim, estes últimos viram-se envolvidos em uma penosa concorrência com o outro sexo. Irromperam até mesmo movimentos de oposição ao trabalho feminino. Nesse confuso panorama, emergiram dois fenômenos significativos.

A partir do momento em que as mulheres se mostraram capazes de contribuir para o sustento de suas famílias, não foi mais possível tratá-las apenas como donas-de-casa ou objetos de prazer. As difíceis condições de trabalho impostas às mulheres conduziram-nas a reivindicações que coincidiam com as da classe operária em geral. É, pois, dessa época que data a estreita relação do feminismo com os movimentos de esquerda.

Feminismo nos Estados Unidos e no Reino Unido


Os Estados Unidos e o Reino Unido também se notabilizaram por vigorosos movimentos feministas, surgidos já em princípios do século XIX. Em 1837, fundou-se nos Estados Unidos a universidade feminina de Holyoke e, nesse mesmo ano, realizou-se em Nova York uma convenção de mulheres que se opunham à escravidão.

O abolicionismo foi, efetivamente, um dos temas centrais do desenvolvimento e consolidação do movimento feminista americano. No Reino Unido, Mary Wollstonecraft publicou A Vindication of the Rights of Women (1792; Reivindicação dos direitos das mulheres), obra em que exigia para as mulheres as mesmas oportunidades de que gozavam os homens na educação, no trabalho e na política. Mas foi somente em meados do século XIX, graças aos esforços conjuntos de Barbara Leigh Smith e do filósofo e economista John Stuart Mill, que se criou um comitê do sufrágio feminino.

Em 1866, esse comitê apresentou ao Parlamento um projeto igualitário, que foi rejeitado. Apesar dos êxitos parciais alcançados, o movimento sufragista britânico teve de esperar também o século XX para ver coroados seus esforços.

O movimento feminista brasileiro

No Brasil, o movimento feminista teve como sua principal líder a bióloga e zoóloga Berta Lutz, que fundou, em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Essa organização tinha entre suas reivindicações o direito de voto, o de escolha de domicílio e o de trabalho, independentemente da autorização do marido. Outra líder feminina, Nuta Bartlett James, participou das lutas políticas do país na década de 1930 e foi uma das fundadoras da União Democrática Nacional (UDN).

Feminismo no século XX

Desde o início do século XX, a situação mudou rapidamente pelo mundo inteiro. A revolução russa de 1917 concedeu o direito de voto às mulheres e, em 1930, elas já votavam na Nova Zelândia (1893), na Austrália (1902), na Finlândia (1906), na Noruega (1913) e no Equador (1929).

Por volta de 1950, a lista compreendia mais de cem nações. Após a segunda guerra mundial, o feminismo ressurgiu com vigor redobrado, sob a influência de obras como Le Deuxième Sexe (1949; O segundo sexo), da francesa Simone de Beauvoir, e The Feminine Mystique (1963; A mística feminina), da americana Betty Friedan. No Reino Unido destacou-se Germaine Greer, australiana de nascimento, autora de The Female Eunuch (1971; A mulher eunuco), considerado o manifesto mais realista do women's liberation movimento (movimento de libertação da mulher), mundialmente conhecido como women's lib.

Agora já não se tratava mais de conquistar direitos civis para as mulheres, mas antes de descrever sua condição de oprimida pela cultura masculina, de revelar os mecanismos psicológicos e psicossociais dessa marginalização e de projetar estratégias capazes de proporcionar às mulheres uma liberação integral, que incluísse também o corpo e os desejos. Além disso, contam-se entre as reivindicações do moderno movimento feminista a interrupção voluntária da gravidez, a radical igualdade nos salários e o acesso a postos de responsabilidade.

O objetivo de plena igualdade, nunca radicalmente alcançado, realizou-se de forma muito desigual nos diversos países. Entre os principais obstáculos, os de índole cultural são de grande importância. Assim, por exemplo, sobrevivem em grande parte do continente africano resíduos da organização tribal. Em outra esfera, as peculiaridades culturais do mundo islâmico redundam em dificuldades e atrasos na consecução das reivindicações feministas.

Resumo Extraído de Enciclopédias - Projeto Renasce Brasil
www.renascebrasil.com.br  

.................................................................

                                 Feminista passa o movimento à limpo     
       
                                      ENTREVISTA / Rose Marie Muraro

"O feminismo foi o movimento mais importante do século 20 - quem me falou isso foi o Michel Foucauld, o cientista social mais importante do século passado. O neofeminismo é aquele momento em que as mulheres deixam de fazer os movimentos coletivos e vão para o poder, para o Estado, para as empresas como feministas."    


Mais importante defensora dos direitos da mulher no Brasil diz que ordem das coisas precisa ser revista  - Silvia Pinter

Lutar pelos direitos da mulher, atualmente, não é tarefa fácil. Imagine nos anos 70. E foi apostando justamente no impossível que Rose Marie Muraro fez, e ainda faz, história. Mãe de cinco filhos, ela desafiou a deficiência visual e todo o sistema de uma época onde o sexo feminino não tinha espaço, vivia oprimido. Hoje, aos 70 anos, está escrevendo o seu 14º livro em parceria com o teólogo Leonardo Boff. "'Masculino, feminino: o ponto de mutação' vai abordar a história dos gêneros nos diversos tempos", adianta a precursora do movimento feminista no País.

Defensora ferrenha do direito de igualdade, Rose Marie nem de longe se considera uma Betty Friedan brasileira - uma alusão à feminista americana. "Ela era muito agressiva. Eu sou carioca, gosto de fazer piada o tempo todo." O bom humor desaparece quando a escritora visualiza o futuro. Ela diz que daqui a 50 anos a vida desaparecerá caso não haja uma mudança radical "na ordem simbólica criada pelos homens, que vai desde o inconsciente até os Estados e a macroeconomia."

Apesar do prognóstico caótico, Rose Marie faz questão de frisar que a mobilização feminina é o movimento mais importante do século 20. "Há toda uma mudança de ordem no mundo. É a revolução mais importante dos últimos oito mil anos", diz a escritora, que na entrevista ao jornal A Notícia fala ainda sobre as conquistas da mulher, a importância da participação masculina na criação dos filhos e de como homem e mulher podem caminhar juntos.

"O que falta é mudar toda a ordem simbólica criada pelos homens. Que vai desde o inconsciente até os Estados e a macroeconomia. Se não mudar isso, dentro de uns 50 anos não teremos mais homem, mulher e vida.

"
A Notícia - Por ser a precursora nas discussões feministas no País, a senhora se considera uma Betty Friedan brasileira?
Rose Marie Muraro - De jeito nenhum. A Betty Friedan era uma pessoa muito agressiva. Por isso originou o estereótipo do feminino ser uma agressividade contra os homens. E não tem nada a ver. O feminismo nada mais é que o sindicato das mulheres. E como antigamente os sindicalistas comiam criancinhas - agora não mais - diziam o mesmo das feministas. E eu sou carioca. Gosto de fazer piada o tempo todo.

AN - A luta entre os sexos, a suposta fragilidade feminina são mitos que já se desgastaram. Hoje as mulheres buscam a humanização das estruturas. O que aconteceu para inverter esses valores no movimento feminino?
Rose Marie - Fico p... da vida quando me falam que o movimento feminino é contra os homens. Vocês têm que entender que sempre houve luta de sexos. A mulher era frígida para dizer ao homem que ele não era o maioral. A mulher sacaneava o homem por baixo. Fico na bronca de vocês ainda pensarem assim. É preciso colocar na cabeça das pessoas que a luta de sexo termina quando começa o feminismo. Por exemplo, a neurose termina quando vem para fora na análise. Foi exatamente o que aconteceu. E esse tipo de pergunta era feita no início dos anos 70 quando se ouvia que as feministas eram lésbicas, mal-amadas, sapatonas.

AN - E qual é o saldo deste movimento que começou com feminismo, passou pelo pós-feminismo e hoje o neofeminismo? O que mudou efetivamente?

Rose Marie - O pós-feminismo não existe. O feminismo foi o movimento mais importante do século 20 - quem me falou isso foi o Michel Foucauld, o cientista social mais importante do século passado. O neofeminismo é aquele momento em que as mulheres deixam de fazer os movimentos coletivos e vão para o poder, para o Estado, para as empresas como feministas. O pós-feminismo significa negar o feminismo e fazer alguma coisa oposta. Não chegou isso historicamente. Quando essas jovens dizem que são pós-feministas elas nem sabem o que é feminismo. Na realidade são pós-nada.

AN - Quais foram as principais conquistas do movimento feminista no Brasil?

Rose Marie - Vou falar no mundo. No começo do século 20 você tinha 10% de mulheres na força de trabalho ganhando quase nada. No fim do século 20 você tinha 50% de mulheres na força de trabalho. Nos países desenvolvidos elas já ganhavam 90% do que ganhavam os homens. No Brasil elas ganham 67% do que ganham os homens. Sendo que no Brasil nós somos mais ou menos 45% da força de trabalho. Há toda uma mudança de ordem no mundo. É a revolução mais importante dos últimos oito mil anos. Envolve metade da humanidade.

AN - O avanço das mulheres é incontestável. Mas ainda existe a disparidade salarial. Aqui em Santa Catarina, por exemplo, as mulheres ganham apenas 40% do salário dos homens ...

Rose Marie - Meus pêsames. Porém, não acredito que aí em Santa Catarina seja 40%. O percentual deve estar errado. É bom rever isso, pois no Brasil a média é 67%.

"Mas não só a mãe, o pai também deve ser o cuidador das crianças. Com sempre foi no mundo primitivo, onde cuidar de criança era trabalho de homem e de mulher. Se houver esse rodízio entre pai e mãe, como eu vi na Suécia, por exemplo, não teremos problemas na formação das crianças."


AN - Assim mesmo permanece a discrepância. O que deve ser feito para se chegar à igualdade?
Rose Marie - O que falta é mudar toda a ordem simbólica criada pelos homens. Que vai desde o inconsciente até os Estados e a macroeconomia. Se não mudar isso, dentro de uns 50 anos não teremos mais homem, mulher e vida.

AN - A situação é complicada ...

Rose Marie - Só para dar uma pincelada: você sabia que agora, no Rio de Janeiro o buraco de ozônio é tão imenso que em certos dias você não pode mais sair ao sol por causa do câncer de pele? Imagina se se pensava nisso dez anos atrás? Nunca. O aquecimento global tende a piorar. É o começo do fim.

AN - A feminista Juliet Mitchell recomenda às mulheres preocupar-se com as crianças. A senhora sonha com a solidariedade e fala em mudar as estruturas dos privilégios. Como aproximar esses dois discursos?
Rose Marie - Ela diz que se a mãe abandonar as crianças teremos seres humanos com graves problemas a partir da fase oral, o que estou absolutamente de acordo. Mas não só a mãe, o pai também deve ser o cuidador das crianças. Com sempre foi no mundo primitivo, onde cuidar de criança era trabalho de homem e de mulher. Se houver esse rodízio entre pai e mãe, como eu vi na Suécia, por exemplo, não teremos problemas na formação das crianças. Pelo contrário. A Júlia Mitchell não estudou a presença masculina, mas outras feministas dizem que se o pai tem uma relação materna com a criança, ela não verá mais um pai dominando uma mãe, e sim dois iguais. Não verá mais a relação dominante/dominado.

AN - Seria uma revolução, pois o índice de violência cometida contra a mulher segue em ritmo acelerado. Isso sem falar das crianças sem lar, morando nas ruas.

Rose Marie - É a maior revolução dos últimos oito mil anos, maior até que a revolução tecnológica. Claro que há violência contra as mulheres em todas as classes sociais. Há uma pesquisa dos Estados Unidos que mostra que 66% de todas a mulheres americanas apanhavam, ou tinham apanhado. Isso mostra que a violência contra a mulher não é conjuntural, não é esporádica, é estrutural do sistema. Sem essa violência contra a mulher, o homem não pode exercer a violência do homem contra o homem, porque o grande modelo da violência é a violência contra a mãe. Tudo que as crianças vêem no primeiro ano de vida tomam como natural, nunca esquecem. Assim, elas aceitam uma sociedade opressiva e autoritária. Quando vêem uma mãe que não apanha, elas aceitam uma sociedade democrática e pluralista.

AN - Quer dizer que a democracia é reflexo da mobilização feminina?

Rose Marie - A democracia no mundo nunca existiu. Ela é filha do último quarto do século 20, que é a época de libertação da mulher. Isso significa que homem e mulher tendem a caminharem juntos, principalmente entre os mais jovens.

AN - A senhora diz no livro "Memórias de uma mulher impossível" que a Aids é uma doença fabricada pelos americanos. Por que teriam feito isto?

Rose Marie - A Aids foi fabricadíssima para acabar com todos os movimentos de contestação. Os homossexuais dos Estados Unidos me diziam: olha, isso é fabricado. E já apareceu nos livros que provam que foi fabricado mesmo. Fizeram lá uma transformação na doença e ficou assim mortal.

"No momento em que a mulher entra no mercado de trabalho, o homem tem que entrar para casa. Se não entrar, vão todos para rua. Nas classes mais pobres vão mesmo, e nas classes médias eles se drogam."


AN - Além de lutar pela igualdade, a senhora previu no início dos anos 70, no livro "Automação e o futuro dos homens" a substituição do homem pela máquina. E disse ainda que o ser humano não pensava mais. A inteligência também estava sendo substituída. A senhora continua defendendo essa tese?

Rose Marie - Você vê algum grande criador no fim do século 20? Algum Beethoven, Freud ou Einstein. Acabou tudo, nós fazemos o que eles mandam. Exatamente como eu falei: as crianças já nascem com jogos eletrônicos na mão e não criam. Atualmente não tem criança que lê. E quem não lê, não cria.

AN - A senhora defendia também a substituição do dinheiro por carta de crédito como forma de reduzir a desigualdade social. Como agilizar esse processo atualmente?
Rose Marie - Isso era uma visão um pouco idealizada. Agora estão fazendo dinheiro alternativo para os pobres e para não pagar juros para o sistema, já que com a globalização o dinheiro está sendo sugado pelos grandes bancos centrais dos países desenvolvidos. Quem está fazendo isso é a CNBB. É um dinheiro temporário e volátil. São pedaços de papéis que você troca. Como se fosse dinheiro mesmo. E está se mostrando como a melhor forma.

AN - O que a senhora acha da opção de muitas mulheres, principalmente as do primeiro mundo, de não ter filhos para se dedicar ao mercado de trabalho. Há países que até estão incentivando a maternidade porque o crescimento demográfico é negativo ...

Rose Marie - Esses países estão precisando da imigração dos países subdesenvolvidos. Essa situação ainda vai piorar muito. Quando tiver nove bilhões de pessoas no mundo, parece que só 20% dos países serão desenvolvidos e vai ter crescimento negativo bravo. Aí terão que importar muita gente do terceiro mundo, senão eles não vivem. Tem muita gente no terceiro mundo e muito pouco no primeiro. Aliás, eu acho essa divisão completamente escrota.

"Não tem como viver num mundo moderno sem anticoncepcional. Já sugeri que as mulheres que não usam anticoncepcional doassem todas as crianças para a Cúria Metropolitana. Antes de doar, porém, incito fazer uma procissão com todos os filhos da Igreja."

AN - Mas o que a senhora pensa da mulher colocar a família em segundo plano e preferir o trabalho?

Rose Marie - Ela não coloca a família em segundo plano. Ela chama o homem para tomar conta junto, porque se não chamar, é melhor não ter filho. Manda o filho para rua. Hoje em dia está acontecendo algo muito interessante: se o homem não for mãe, não tem família. É que vocês estão achando que a mulher vai trabalhar e abandona o filho. E o homem? O que esse canalha faz? Fica sem fazer nada. Vocês colocam a mulher como se fosse a única cuidadora. Nunca foi assim na humanidade. A mulher sempre trabalhou e o homem também. É no capitalismo que se coloca essa questão, que é perversa. Ela tem dez mil anos. No momento em que a mulher entra no mercado de trabalho, o homem tem que entrar para casa. Se não entrar, vão todos para rua. Nas classes mais pobres vão mesmo, e nas classes médias eles se drogam. Por que hoje tem tanta droga? É por causa da atitude dos pais. A mãe tem que trabalhar e o pai não entra casa.

AN - Como fica a cabeça do homem diante de todas essas mudanças?

Rose Marie - Na primeira fase o homem fica perplexo. Na segunda ele assume o outro papel, que é o do cuidador da criança. E aí resolve. Já vi homens e mulheres muito bem resolvidos. Só não vejo resolvido em culturas mais fechadas, machistas. A atitude do homem de cuidar do filho vai fazer toda a diferença.

AN - A senhora sempre foi muito ligada à Igreja. Como consegue conviver com a fato do clero ser contra o uso do preservativo e anticoncepcional?

Rose Marie - Quem e contra é o papa, não a Igreja. O povo de Deus usa isso há 500 anos. Não tem como viver num mundo moderno sem anticoncepcional. Já sugeri que as mulheres que não usam anticoncepcional doassem todas as crianças para a Cúria Metropolitana. Antes de doar, porém, incito fazer uma procissão com todos os filhos da Igreja. O papa mudaria de idéia rapidinho. Esse estado do Vaticano eu não aceito, mas o trabalho social da Igreja é a melhor coisa do mundo.

.................................................................

Leia também:  Folha da Terra - Informações

Voltar                                                                                           Página Inicial

Top