O alfabeto manual foi criado pelo abade Charles-Michel de I´Épée,
fundador da primeira escola para surdos-mudos em Paris.
O método da linguagem por meio de sinais foi desenvolvido e
aperfeiçoado pelo seu sucessor, o abade Sicard.
O sistema Braille é empregado por extenso, isto é,
escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se
código especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo lingüístico. O
braille por extenso é denominado grau 1, o grau 2 é a forma abreviada,
empregada para representar as conjunções, preposições, pronomes, prefixos,
sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas na palavras de uso
corrente. A principal razão de seu emprego é reduzir o volume dos livros em
braille e permitir o maior rendimento na leitura e na escrita. Uma série de
abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que necessita de um conhecimento
profundo da língua, uma boa memória e uma sensibilidade tátil muito
desenvolvida por parte do leitor cego.
O tato é também um fator decisivo na capacidade de
utilização do Braille.
O Sistema Braille aplica-se à estenografia, à música e às
notações científicas em geral, através do aproveitamento das 63 combinações em
código especiais.
O Sistema Braille é de extraordinária universalidade:
pode exprimir as diferentes línguas e escritas da Europa, Ásia e da África. Sua
principal vantagem, todavia, reside no fato das pessoas cegas poderem
facilmente escrever por esse sistema, com o auxílio da reglete e do punção.
O Sistema Braille permite uma forma de escrita
eminentemente prática. A pessoa cega pode satisfazer o seu desejo de
comunicação. Abriu-lhe os caminhos de conhecimento literário, científico e
musical, permitiu-lhe, ainda, a possibilidade de manter uma correspondência
pessoal e ampliou também suas atividades profissionais.
ESCREVER EM
BRAILLE
O aparelho de escrita usado por Louis Braille consistia
de uma prancha, uma régua com 2 linhas com janelas correspondentes às celas
Braille, que se encaixa, pelas extremidades laterais na prancha, e o punção.
O papel era introduzido entre a prancha e a régua, o que permitia à pessoa
cega, pressionando o papel com o punção, escrever os pontos em relevo. Hoje,
as regletes, uma variação desse aparelho de escrita de Louis Braille, são
ainda muito usadas pelas pessoas cegas. Todas as regletes modernas, quer
sejam modelos de mesa ou de bolso, consistem essencialmente de duas placas de
metal ou plástico, fixas de um lado com dobradiças, de modo a permitir a
introdução do papel.
A placa superior funciona como a
primitiva régua e possui as janelas correspondentes às celas Braille.
Diretamente sob cada janela, a placa inferior possui, em baixo relevo, a
configuração de cela Braille. Ponto por ponto, as pessoas cegas, com o punção,
formam o símbolo Braille correspondente às letras, números ou abreviaturas
desejadas.
Na reglete, escreve-se o Braille da direita para
a esquerda, na seqüência normal de letras ou símbolos. A leitura
é feita normalmente da esquerda para a direita. Conhecendo-se a
numeração dos pontos, correspondentes a cada símbolo, torna-se fácil tanto a
leitura quanto a escrita feita em reglete.
Quando, escreve-se o Braille na reglete
com o punção os pontos são usados assim:
Exceto pela fadiga, a escrita na reglete pode tornar-se
tão automática para o cego quanto a escrita com lápis para a pessoa de visão
normal.
Além da reglete, o Braille pode ser produzido através
de máquinas especiais de datilografia, de 7 teclas: cada tecla correspondente
a um ponto e ao espaço. O papel é fixo e enrolado em rolo comum, deslizando
normalmente quando pressionado o botão de mudança da linha. O toque de uma ou
mais teclas simultaneamente produz a combinação dos pontos em relevo,
correspondente ao símbolo desejado. O Braille é produzido da esquerda para a
direita, podendo ser lido sem a retirada do papel da máquina de datilografia
Braille, tendo sido a primeira delas inventado por Frank H. Hall, em 1892 nos
Estados Unidos da América.
As Imprensas Braille produzem os seus livros utilizando
máquinas estereótipas, semelhantes às máquinas especiais de datilografia, sendo
porém elétricas. Essas máquinas permitem escrita do Braille em matrizes de
metal. Essa escrita é feita dos dois lados da matriz, permitindo a impressão do
Braille nas duas faces do papel. Esse é o Braille interpontado: os pontos são
dispostos de tal forma que impressos de um lado não coincidam com os pontos da
outra face, permitindo uma leitura corrente, um aproveitamento melhor do papel,
reduzindo o volume dos livros transcritos no sistema Braille.
Novos recursos para a produção do Braille têm sido
empregados, de acordo com os avanços tecnológicos de nossa era. O Braille agora
pode ser produzido pela automatização através de recursos modernos dos
computadores. Conheça um pouco da impressão Braille com o auxílio do
computador na Imprensa Braille
Rosa Baquit.
LEITURA DO BRAILLE
A maioria dos leitores cegos lê, de início, com a ponta
do dedo indicador de uma das mãos -- esquerda ou direita. Um número determinado
de pessoas, entretanto, que não são ambidestras em outras áreas, podem ler o
Braille com as duas mãos. Algumas pessoas, ainda, utilizam o dedo médio ou
anular, ao invés do indicador. Os leitores mais experientes comumente utilizam
o dedo indicador da mão direita, com uma leve pressão sobre os pontos em
relevo, permitindo-lhes uma ótima percepção, identificação e discriminação dos
símbolos Braille.
Este fato acontece somente através da estimulação
consecutiva dos dedos pelos pontos em relevo. Essas estimulações ocorrem muito
quando se movimenta a mão (ou mãos) sobre cada linha escrita num movimento da
esquerda para a direita. Alguns leitores são capazes de ler 125 palavras por
minuto com uma só mão. Alguns outros, que lêem com as duas mãos, conseguem
dobrar a sua velocidade de leitura, atingindo 250 palavras por minuto. Em geral
a média atingida pela maioria dos leitores é de 104 palavras por minuto. É a
simplicidade do Braille que permite essa velocidade de leitura. Os pontos em
relevo permitem a compreensão instantânea das letras como um todo, uma função
indispensável ao processo de leitura (leitura sintética).
Para a leitura tátil corrente, os pontos em relevo devem
ser precisos, e seu tamanho máximo não deve exceder a área da ponta dos dedos
empregados para a leitura. Os caracteres devem todos possuir a mesma dimensão,
obedecendo aos espaçamentos regulares entre as letras e entre as linhas. A
posição de leitura deve ser confortável de modo a que as mãos dos leitores
fiquem ligeiramente abaixo dos cotovelos.