É uma manifestação popular
onde a criação de objetos utilitários é manual, feitos um a um. As formas de
artesanato se repetem, pois a técnica é passada de pai para filho, de geração
em geração. As formas de criação se espalham por todas as partes do país,
principalmente nas áreas pobres e abundantes em matéria-prima.
O artesão traduz em sua arte
rica e vibrante, suas crenças e tradições.
No vale do Paraíba é
bastante comum a utilização do retalho e da palha e o trançado em linha,
barbante, corda ou cipó.
BATIQUE
Método manual de pintura
sobre o tecido, originário da Indonésia. Técnica muito antiga, chegou à Europa
pelos holandeses em suas expedições pelo continente Asiático. O processo
consiste em cobrir áreas do tecido a serem trabalhadas com cera ou parafina;
imergir o tecido em latões com tintas de cores variadas para o tingimento
desejado de acordo com o desenho pretendido; retirar a cera ou parafina com
água quente; lavar e passar.
Este método tem muito mais
história para contar!… Na década de 70, quase todos os jovens tinham no seu
guarda-roupa uma peça do vestuário batique que poderia ser uma camiseta, uma
saia, ou uma calça batique. Os anos foram passando e essas peças foram ficando
esquecidas, mas agora estão voltando à moda junto a outra técnica de
estamparia, muito utilizada na década de 60, o tye-die.
Este outro método
consiste em tingir pequenos segmentos do tecido, amarrando-os com linha, para
evitar que a cor passe a essas partes, formando assim um padrão irregular de
tingimento.
Material
utilizado:
· Uma camiseta branca de algodão
· Um tubinho de corante de roupas na cor de sua preferência
· Um rolo de barbante
· Um panelão ou caldeirão
· Uma colher de pau
· Água fervente para dissolver o corante
Como
fazer: 1. Molhe a camiseta. 2. Se você quiser formar o desenho de um círculo, puxe um montinho de
tecido e amarre com oito voltas bem juntinhas de barbante (são muitas voltas de
barbante para que o desenho saia bem nítido); se você quiser fazer listras,
enrole o tecido com muitas voltas de barbante, sempre bem juntas, deixando um
espaço entre as amarras do tamanho que você preferir (pode ser em toda
camiseta, apenas duas ou três listras, ou somente nas mangas ou na barra da
camiseta). 3. Dissolva o corante em 1 litro de água fervente e despeje-o no
caldeirão com mais água quente. CUIDADO! Peça ajuda a um adulto! 4. Quando estiver fervendo, coloque a camiseta e mexa com a colher de
pau durante meia hora. CUIDADO! Peça ajuda a um adulto! 5. Desligue o fogão e retire a camiseta do caldeirão e a coloque em uma
bacia e a leve para o tanque. 6. Enxágue bastante. 7. Corte os pedaços de barbante com uma tesoura; enxágüe mais duas vezes
e ponha para secar no varal. Está pronta a camiseta!
CARRANCAS
As carrancas são
manifestações genuínas da arte popular brasileira desenvolvida na região do rio
São Francisco, por artistas populares denominados carranqueiros.
As embarcações que navegavam
pelo rio São Francisco, tinham como enfeites de proa e identidade as carrancas
esculpidas pelos carranqueiros. Como elementos de decoração as carrancas são
escultura de cabeça e pescoço misturava traços humanos com traços animais
apresentando expressão de figura mitológica indeterminada e de grande impacto.
Essa arte popularizou-se
podendo ser encontradas carrancas não apenas nas proas das embarcações do São
Francisco, como simples enfeite, mas também como elemento de decoração e parte
do acervo de museus nacionais e estrangeiros, sendo suas peças, de grande valor
de comercial para os turistas.
O artista que mais se
destacou nessa arte foi Francisco Biquiba Dy Lafuente, o Francisco Guarany, o
único artista carranqueiro que viveu exclusivamente da produção de carrancas.
CERÂMICA
As mais de 200 tribos
indígenas do Brasil produzem seus próprios utensílios de cerâmica usando
técnicas tradicionais de seus antepassados.
As peças geralmente são
produzidas manualmente pelas mulheres indígenas que trabalham moldando o barro.
Na época das secas, as índias recolhem o barro, nas margens dos rios,
armazenando-o em cestos ou folhas de palmeiras, para evitar que o barro
resseque, depois de retiradas as impurezas, como gravetos e pedras, amassam a
argila com um pilão, para obterem um grão bem fino e homogêneo.
Para um acabamento e uma boa
liga, são misturados alguns componentes orgânicos ou minerais do tipo palha
picada ou ossos moídos. Como a argila é um material fácil de ser modelado, o
acabamento final é feito alisando as peças com uma concha ou um utensílio de
metal. Essas peças de cerâmica produzidas se dividem em objetos utilitários:
cuias, pratos e panelas; ou objetos de rituais como os cachimbos, utilizados em
cerimônias religiosas.
MURANO
O trabalho artesanal do vidro tem
origem muito remota na cidade de Veneza, na Itália. Algumas famílias venezianas
guardam a tradição, os segredos dos artesãos na arte de soprar o vidro, desde
muitos séculos desenvolvendo técnicas inovadoras na criação de belas obras de
murano.
Para ser reconhecido como
"mestre", o aprendiz leva uma vida inteira de dedicação e muita
criatividade. As famílias que até os dias de hoje residem e trabalham em
Murano, tem um papel especial no desenvolvimento da idéia de utilizar o vidro
como uma forma de arte reconhecida em todo o mundo.
Em 1291, as autoridades venezianas, preocupadas em preservar o
sigilo da arte do vidro, transferiram todas as fundições da cidade de Veneza
para a ilha Murano. Os artesãos não podiam abandonar Murano sob a ameaça de
pagar com a própria vida.
Ao longo de sua história, as
fundições aprimoraram o brilho especial e único das peças do vidro de murano.
Os fabricantes carregam um espírito de aperfeiçoamento, inovação e competição
permanente entre as famílias artesãs na intenção de demonstrar uma infinidade de
formas e tonalidades dos vidros.
Em Murano, a família
Barovier é reconhecida como a mais tradicional por suas invenções (vidro
cristalino, vidro nacarado, vidro esmaltado azul, vidro madrepérola, vidro
vermelho corneliano e murrini, que dá ao vidro uma aparência de mosaico).
Somente visitando as
fundições de Murano e admirando o talento dos mestres moldando cada peça de
vidro no fogo, é que podemos compreender o amor desses artesãos pela
matéria-prima que nos encanta com tanta beleza. A produção artística do vidro
murano contribuiu para a riqueza e o poder comercial da cidade de Veneza.
ORIGAMI
A arte do papel - Por de trás de uma coisa tão
simples, como uma folha de papel, existe muita história. O papel serve como
registro de diferentes civilizações, conservando a história da humanidade
impressa em documentos importantes desde o tempo dos egípcios.
Nos tempos modernos, notamos
que mesmo com novos e diversificados meios de circulação da informação, como a
televisão e a Internet, o papel ainda é muito utilizado.
Outra forma de utilização do
papel é o de ser transformado em objeto artístico ou ser a matéria-prima de uma
obra de arte. Existem designers especializados em objetos de papel. Eles criam
objetos como agendas, cestos e, até mesmo, abajures e bancos. Para este
trabalho são necessárias algumas folhas de papel, muita paciência e habilidade.
Dentro deste princípio,
dessa arte, nasceu origami, palavra de origem japonesa que simboliza a arte
de dobrar papel.
A história do origami vem da China, no séc. II, quando o
papel foi inventado. Alguns chineses perceberam que o papel, ao ser dobrado,
ganha formas, primeiro passo para o surgimento do origami.
Atrás dos chineses, os
japoneses se renderam a esta arte ao perceberem que dobrando papel poderiam
criar brinquedos e vários utensílios. A arte da dobradura é ensinada até hoje
nas escolas do Japão, pois acreditam que o origami desenvolve a coordenação
motora, a capacidade de concentração, acalma as pessoas e estimula a
criatividade.
RENDA DE BILRO
A renda de bilro surgiu no
século XV, na Itália. Anos depois, a arte do rendado chegou à França invadindo
a Corte do Rei Luís XIV e os centros produtores de Portugal. Com a colonização
portuguesa, esta arte chegou ao Brasil. Hoje, devido à forte presença açoriana
em Santa Catarina, as mulheres que "trocam bilros" (batem os
pauzinhos) concentram-se na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
Para você saber mais sobre a
"arte das linhas" e "mulheres rendeiras" no Brasil, visite
o Baú do EstúdioWeb.
TRANÇADO
No Brasil existe uma
variedade de fibras vegetais, como o bambu, a taquara e a flecha de ubá, fontes
de matéria prima utilizadas na arte do trançado.
Em nossa história, os
primeiros artesãos que demonstraram ter a habilidade manual para trançar foram
os índios. Com essa habilidade eles constroem suas casas e diversos utensílios,
como cestos para uso doméstico; transporte de alimentos e objetos que auxiliam
no preparo dos alimentos, como as peneiras; abanos para aliviar o calor e
avivar o fogo; objetos de adorno pessoal, como cocares, tangas e pulseiras;
além de armadilhas para caça e pesca; redes para dormir e pescar; instrumentos
musicais para uso em rituais religiosos etc.
Essa tradição artesanal
deixada pelos índios supera a cerâmica quanto a área de difusão do trançado,
pois está presente em qualquer sub-região rural ou urbana, do sertão ao litoral
brasileiro.
O trançado é feito
utilizando-se as fibras vegetais. Após o corte tiras de diferentes espessuras e
delas é feito um trançado de acordo com o formato que se queira dar a uma peça.
Os padrões gráficos do
trançado brasileiro foram criados pelos índios, explorando as formas
geométricas das diferentes talas de fibras vegetais, misturando outros
materiais e corantes.
TAPETES
Por centenas de anos, as
mulheres marroquinas fazem tapetes, cobertores e tapeçarias para uso doméstico,
estando sempre presente nos enxovais das noivas. Tribos berberes continuam a
preservar as técnicas de seus ancestrais trazidas de geração a geração.
Estes tecidos preciosos
representam séculos do excelente talento artístico e da meticulosa arte, e é um
meio de expressar suas preocupações diárias e superstições. Sua principal
característica é a combinação de cores vibrantes com motivos estilizados e
inspirados em símbolos antigos e de sua boa imaginação.
Seus tecidos ficaram famosos
pela excelência de sua lã e por cores produzidas de tintas naturais. As
mulheres tecelãs de hoje continuam a usar os métodos antigos com habilidade.
Usando cores como azul claro, vermelho, verde natural, laranja, extraído da
hena, amarelo, de uma planta local e o preto dos pelos das cabras da região, a
tecelã leva meses ou até anos para terminar um trabalho cheio de detalhes.
Usando seu desenho como referência, o artista tece o tapete de centenas,
milhões de nós feitos com o auxílio de um tear.
CERÂMICA MARROQUINA
A cerâmica marroquina possui
diferentes estilos, tamanhos e cores que variam de cidade para cidade.
Entretanto, a mais valiosa é a branca e azul da cidade de Fez; algumas vezes as
peças podem apresentar várias cores como amarelo, azul royal e vinho, mas com
efeitos de sombra no azul e branco do estilo de Fez; seus desenhos enfatizam as
formas geométricas e desenhos perfeitos. A cidade de Safi também é um outro
centro de cerâmica;porém, suas peças se apresentam em outras cores: verde,
marrom, azul escuro e amarelo, sempre com nuances avermelhadas e com desenhos
de vegetais entrelaçados.
CARICATURA
É um retrato cômico de uma
pessoa, salientando seus traços peculiares e provocando em quem os aprecia,
riso, zombaria e até mesmo desprezo.
Os assírios, gregos e
romanos fizeram uso da caricatura. Esta arte, porém, só floresceu por volta do
século XVII. O primeiro caricaturista foi o pintor Annibale Carraci, em 1600,
mas foi William Hogarth que a popularizou em 1730 e depois Honoré Daumier,
francês, que usou a caricatura como protesto político.
No Brasil, a caricatura
apareceu no Segundo Reinado, em 1837, mas encontrou grande expressão com a obra
deJ.Carlos, que soube observar com ironia a sociedade carioca da primeira
metade do século XX e seus tipos característicos.
Entre outros caricaturistas
brasileiros estão: Antônio Gabriel Nassara, o caricaturista do samba, Kalixto,
Lan, caricaturista de personalidades da vida social e política e também
Ziraldo, Chico Caruso e Borjalo. Nair de Tefé foi a primeira cartunista
brasileira.