O racismo é um sistema que afirma
a superioridade racial de um grupo sobre outros, pregando, em particular, o
confinamento dos inferiores num espaço geográfico, ou seja, pregando a “segregação racial”.
Para muita gente, o racismo basicamente é uma agressão contra os outros.
Contudo, o racismo não é só uma
atitude, o racismo é também uma teoria defendida em livros e salas de aulas com
argumentos e teses científicas. O sociólogo Gilberto
Freire, o parlamentar Rui Barbosa, o
médico Nina Rodrigues e outros, de uma forma
ou outra comungaram teorias, crenças e ou atitudes de inferioridade racial do
não branco em estudos pseudocientíficos da biologia do século XIX.
O racismo sugere a existência de
grupos raciais. Mas,
o que é um grupo racial?
Pretos e brancos são apenas grupos
de indivíduos que têm essas cores na pele e nada mais. Hoje sabemos que um
negro pode estar biologicamente mais próximo de um branco do que de outro
indivíduo negro. Quanto a definir “grupos raciais” separando-se japoneses, africanos,
etc. é um erro, porque essas palavras determinam povos que vivem num mesmo
território, definem nacionalidades e não raças.
Raça,
portanto, é uma construção social e não biológica
Até 1936 mesmo no mundo científico
acreditava-se em “raças puras”. Sabemos hoje
que raças puras nunca existiram: um grupo humano que tivesse se mantido puro,
sem se misturar com outro, não sofreria mutações e dentro de algum tempo
desapareceria. Além disso, em absolutamente nenhum lugar do planeta, um grupo
assim conseguiria viver isolado dos outros.
O que chamamos raça é
apenas um grupo de características anatômicas: a cor da pele, a
contextura do cabelo, a altura média dos indivíduos.
O racismo assenta-se
numa falsidade científica. Algo fácil de provar é a unidade da espécie humana:
qualquer “grupo racial” pode cruzar com outro
que nascerão criaturas humanas normais e saudáveis.
Contudo, há cientistas que
continuam trabalhando com o velho e duvidoso conceito de raça: partindo de
indivíduos com o mesmo desenho externo. São comumente de “direita política” que mesmo que um dia consigam
provar sua teoria, ainda assim, admitindo-se que em alguns aspectos há grupos
de indivíduos superiores e outros inferiores, ambos
continuam pertencendo a raça humana e portanto, têm o direito e merecem o mesmo
tratamento, pelo fato de serem humanos.
A separação dos seres humanos em
raças sugere o racismo que, como dissemos acima, prega a segregação racial, ou seja, a separação de indivíduos
dentro de um país. Isso nos leva a observar que há diferentes formas de
racismo, sendo a segregação a mais ostensiva e, por sua vez, a
segregação apresenta também diversas modalidades, as mais evidentes são as
legais (expressas por lei como o apartheid) e as ilegais (quando grupos são
impedidos de morar ou permanecer em certos locais, embora não haja qualquer
proibição escrita com relação a isso).
Todos os países que foram colônias
de metrópoles brancas conheceram o racismo. Outros paises como a Rússia, a
Inglaterra e a Grécia também conheceram o racismo. Assim, o racismo parece ser um fenômeno universal.
Alguns cientistas acreditam que o racismo é um irremediável componente da natureza humana,
alegam que o homem está sempre defendendo seu espaço contra a invasão de
outros, os quais, freqüentemente, pertencem a outras raças. Temos que aceitar
que essa afirmação tem um indiscutível dose de verdade, mesmo que discordemos
no essencial.
Se observarmos um grupo de
crianças brincando veremos em poucos minutos diversas brigas por brinquedos. É
fácil ver como a criança demarca um espaço a sua volta, “o seu espaço” onde é
fácil defender o “seu brinquedo”. E ela o defende contra qualquer um. Se ela
precisar explicar a sua insegurança (os que chegarem perto vão me tomar a bola)
e justificar a sua agressão (dou um soco em quem me tomar a bola) possivelmente
notará que os outros possuem algo que os diferencia dele.
A cor da pele e o cabelo são
sempre os traços mais notáveis. Se ele acreditar que determinado indivíduo quer
lhe tomar a bola irá relacionar o ato (vão me tomar a bola) ao traço notável do
outro, aí vai aparecer o racismo, “uma idéia
negativa a respeito do outro, nascida de uma dupla necessidade”: de se defender
e justificar sua agressão.
Com o tempo e a experiência a
criança poderá vir a supor que todos os semelhantes a aquele que a ameaçava são
“tomadores de bola”, isso lhe tornaria a defesa e a agressão muito mais segura.
Aí seu racismo amadureceu atingindo o plano dos
estereótipos: visão simplificada e conveniente, de um grupo qualquer.
Assim foram definidos: Os judeus
como gananciosos, os russos como imperialistas, etc.
Com o tempo, a criança poderia
supor que todos com aquelas características são “tomadores de bola”. Se mais
tarde tiver de disputar uma vaga na escola, por exemplo, ou no trabalho provavelmente
irá supor que todos que tem a característica do “tomador de bola” não devem
entrar na mesma escola ou trabalhar na mesma empresa que ela. Temos então que o racismo daquela criança evoluiu para o
segregacionismo. Se perder o seu espaço para um “tomador de bola”,
poderá enfim acordar com a idéia de que “os tomadores de bola não tem mesmo
jeito e alguém precisa acabar com ele”. Finalmente a criança insegura tornou-se
uma racista genocida – que pede ou
participa do extermínio de uma raça -.
Observe que as pessoas não chegam ao racismo sozinhas. Partindo
da nossa própria insegurança absorvemos as idéias. As idéias vêm da sociedade
para dentro das cabeças, através de palavras, dos
exemplos, as imitações, das crenças religiosas, de uma infinidade de grandes e
pequeninos canais.
Um exemplo: “Menino
você está preto de sujeira!” – Quem passa a infância ouvindo isso, dificilmente
fará uma idéia positiva dos negros na idade adulta.
Outra coisa que devemos notar é
que a idéia de que “minhas coisas devem ser protegidas
dos outros” é relativamente nova na história da humanidade. Nossos avós
brigaram muito tempo por espaço, até que os diferentes grupos se ajeitassem nos
seus. Muitos deles continuaram inseguros e agressivos, uma vez que tinham
muitos bens a defender, assim, acabaram descobrindo que os outros eram
diferentes dele.
Os gregos acreditavam que os outros povos não tinham pensamento articulado porque não
falavam o grego. Acreditavam que o grego era a única língua capaz de
expressar sentimentos e pensamentos profundos. Chamavam de bárbaros todos os
que não falavam grego.
Esta é a mais antiga forma de racismo conhecida.
“O vício de linguagem chamado barbarismo (consiste em empregar palavras
inexistentes ou deformadas) é uma curiosa sobrevivência do preconceito grego”.
Para os romanos (que passavam a
vida conquistando outros povos) bárbaros eram todos os
povos que não tinham o conjunto de leis que regulavam a vida coletiva, ou seja,
o DIREITO.
Na idade média (séc. V a XV) os europeus
consideravam inferiores os não cristãos – árabes, maometanos, africanos –
inclusive os egípcios -, judeus, asiáticos – inclusive chineses -. Os
europeus só mudaram de opinião a respeito dos bárbaros que se converteram à fé
de Cristo.
Foi somente a partir de 1400
que o racismo dos povos europeus amadureceu, passando a se basear na
característica mais notável: a cor da pele.
Forçados pelas circunstâncias, os
europeus organizavam gigantescas explorações agrícolas e minerais e para tanto
instalou o trabalho escravo – forma de trabalho desaparecida no século V. Essas
gigantescas explorações eram um empreendimento capitalista e, como tal,
buscavam o máximo de lucro.
Banqueiros e comerciantes
estabelecidos em Lisboa, Londres e Amsterdã tiravam da Ásia especiarias; da
América açúcar, fumo, algodão, metais preciosos; da África, gente.
Dois problemas exigiam solução
urgente:
1º.-
Como defender tamanha riqueza?
2º
- Como justificar tamanho sofrimento infligido a tanta gente?
A pólvora ajudou o europeu a responder a 1ª pergunta.
E uma concepção
racista que os isentasse de culpa por tanto sofrimento causado aos
outros (principalmente africanos) respondeu à 2ª.
Observem que os “Bandeirantes
Brasileiros” eliminaram em 50 anos 1 milhão de índios; e da África foram
negociadas para a América, em 300 anos de escravidão mais de 30 milhões de
pessoas.
Para isentar-se de culpa os
escravocratas passaram a afirmar:
- NÓS
NÃO OS ESTAMOS MALTRATANDO, MAS CIVILIZANDO.
Notem que os religiosos passaram a
justificar a escravidão usando a bíblia.- (Gênesis, 9, 18-27) – onde a lenda
encontrou sua formulação canônica. Os filhos de
Noé que saíram da arca foram Sem, Cam, Jafé; Cam é o pai de Canaã. Esses três
foram os filhos de Noé e a partir deles se fez o povoamento de toda a terra.
Noé, o cultivador, começou a plantar a vinha. Bebendo vinho, embriagou-se e
ficou nu dentro de sua tenda. Cam o pai de Canaã viu a nudez de seu pai e
saindo da tenda advertiu a seus dois irmãos. Mas Sem e Jafé tomaram um manto e
andando de costas cobriram a nudez do pai, eles não viram a nudez do pai.
Quando Noé acordou soube o que havia acontecido E disse: - Madito seja Canaã!
Que ele seja para seus irmãos o último dos escravos. –Bendito seja Iahweh, o
Deus de Sem e Canaã seja seu escravo! Que Deus dilate a Jafé. Que ele habite nas
tendas de Sem e que Canaã seja teu escravos! – A narração prossegue
dando o elenco das gerações de Cam, Sem, Jafé.
Os Camitas são povos da Etiópia,
Arábia do Sul, Núbia, Tripolitânia, Somália – africanos do Velho Testamento – e
algumas tribos que habitavam a Palestina, antes que os hebreus a conquistassem.
Dentro dessa lógica, a pele negra é uma maldição divina devida ao desrespeito e
a rejeição da autoridade paterna, interpreta o filósofo Cornel West e Alfredo Bosi assim
comenta.
Ginés de Sepúlveda – intelectual
colonialista espanhol – séc.XVI comparou índios a macacos e porcos. Afirmava o
direito de dominarem o Novo Mundo e ilhas porque os povos que ali habitavam
eram tão inferiores como as crianças aos adultos, as mulheres em relação aos
homens, pessoas desequilibradas com relação a pessoas equilibradas - são como
macacos em relação aos homens - afirmava. São como porcos, estão sempre olhando
o chão, como se nunca tivessem visto o céu. “Tudo isso prova que são
escravos por natureza”. Sepúlveda é citado por Alejandro Lepschurtz em El Problema racial em
la conquista da América y el Mestizaje – Santiago do Chile Ed.Austral 1963 p.72
e 73.
A partir desse momento o
racismo deixou de ser cultural e passou a ser biológico. O “Não gosto dele
porque não fala grego, ou, porque não é cristão” ....foi substituído pelo....
“Não gosto dele porque é preto, ou, porque ele está mais perto dos animais do
que nós, humanos”.
O mesmo ocorreu na América do
Norte com relação aos índios. Por serem também brancos e para distinguir índios
dos não-índios, passaram a chamá-los de “pele-vermelha”.
Por volta de 1860 o sistema
capitalista deu um salto na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. O navio a
vapor, a energia elétrica, o automóvel e o avião, fizeram nascer o capitalismo financeiro e os grandes conglomerados
de empresas enquanto as nações mais ricas iniciavam a exportação do capital
para as mais pobres.
Os intelectuais sucessores de
Ginés Sepúlveda começaram a ensinar que “nos trópicos a pobreza é inevitável”: "Aqui o homem só tem energia para pensar em sexo e
baixezas.” "Habitado por gente de cor, seu futuro é triste”.
Os europeus passaram a acreditar
nisso porque essas afirmações vinham de “cientistas”. Sabemos hoje que cada
época, cada classe social, cada grande potência faz a ciência que lhe interessa
fazer. Nos países brutalmente explorados também se acreditava nisso. O complexo de superioridade geográfico-racial dos europeus era o nosso complexo de
inferioridade.
Os mais famosos criadores dessa
teoria , ciência colonialista, ou seja,
“racismo científico” foram:
Friedrich Ratzel –
(1844 a 1904) – morreu em 1904 e tem
seguidores até hoje.
Conde de Gobineau – (1816 a
1882) – que passou a vida tentando provar que Deus não fora decente ao criar as
raças, tirando qualidade de uma para dar às outras.
Oliveira Viana, o mulato
de Niterói – dos brasileiros foi quem
melhor expressou a teoria do colonialismo. Ele morreu no começo dos anos 50. No
seu tempo nasceu a sociologia brasileira. Pelo menos 3 autores já haviam
esboçado sínteses da formação brasileira: Gilberto
Freire, Nelson Werneck Sodré e Sergio Buarque de Holanda. E Caio Prado Júnior apresentava seus “Estudos
Especializados”. Oliveira Viana era na
verdade um copista dos pensadores europeus, repetidor atento ao purismo da
linguagem e usava muitas citações. Num país onde poucos liam, suas citações
impressionavam e deram-lhe a fama de sabichão.
Ele defendia a “Eugenia”, ciência que tem por objetivo estudar a
forma de “melhorar da raça humana”. Ele acreditava que: negros só criavam civilizações se tivessem um pouco de sangue branco
misturado. Antes de morrer, Oliveira Viana afirmou isso quando soube que
os arqueólogos haviam descoberto poderosas civilizações na África, no alto
Nilo.
Eduardo Schuré em 1889
publicou um livro que falava de uma civilização que há + ou – 4000 anos existia
no centro da África. Chamado “O Reinado da força pelo Terror” essa civilização
tivera como dirigentes muitos reis/sacerdotes conquistadores que costumavam
conceder terras e bens em quantidades iguais aos colonizados que aceitavam seu
domínio. Mas, puniam com a morte a toda a família, ou clã, a toda tribo que
recusassem o seu domínio. Um dos mais famosos reis das últimas dinastias foi
Yima – também chamado de Djem que é citado no livro sagrado dos persas o
“Zend-Avesta” e nos versos do poeta persa Firdusi.
Djem tinha escravos brancos e dominava os
povos com seu exército que usava o dragão como símbolo em sua insígnias e
bandeiras. Essa civilização possuía
conhecimentos profundos de astronomia, física, química, mineração e
eletromagnetismo além de técnicas avançadas de agricultura. Como todas as
civilizações tem seu apogeu e queda, um dia terminou o “Reinado da Força pelo
Terror”.
Assim, tendo desenvolvido seus conhecimentos, sua espiritualidade, os
Dragões Negros passaram a ter um profundo respeito pela vida humana e
terminaram enfraquecidos em sua força bélica, até que um dia foram vencidos
pelos romanos que dizimaram seu exército, depois de haver-lhes tomado para si
todo o conhecimentos científicos que possuíam. São Jorge seria um símbolo do
exército romano dominando os “Dragões Negros”.
No século 19 iniciou-se grande
imigração européia. Entre 1850 a 1930
entraram no Brasil cerca de 3 milhões de europeus. A miscigenação e alta taxa
de mortalidade dos negros “limpariam o sangue dos brasileiros”. Essa era a
expectativa – que os negros desaparecessem -, talvez por isso não tenha havido
a preocupação, um projeto de inclusão social dos libertos.
Na verdade, as nações
“civilizadas”, antes de serem brancas, são nações-patroas; e as nações
pobres, antes de serem negras, são nações-empregadas – trabalham há
séculos para enriquecer seus amos. Os brasileiros, por exemplo, sempre
alimentaram a Europa e os Estados Unidos com seu sangue.
A divisão
mundial do trabalho condenou uns países a produzirem artigos caros –
objetos, tecnologia e ciência e “outros” a produzirem
artigos mais baratos – matéria prima, alimentos, seres humanos. A cor da
pele dos povos encaixou-se a isso, certamente não por mera coincidência. Na
verdade a divisão mundial do trabalho é apenas a ampliação do que acontece
dentro dos países desenvolvidos:
Há classes-patroas e classes-empregadas.
Observe que nos EUA os brancos mais ricos são descendentes de Irlandeses; a classe média, dos ianques (descendentes de
ingleses), judeus, eslavos; os mais pobres são
negros, porto-riquenhos, latino- americanos.
Além da especialização de cor da
pele, o Capitalismo inventou também o “Exército de Reserva” (que é sempre
negro, índio, etc.) – a sobra permanente de mão-de-obra que permite aos
dominantes ou empregador, pagar o menos possível aos empregados. Aqui funciona a
Lei da Oferta e da Procura, outra invenção do Capitalismo, – quanto mais
oferta houver, ou seja, empregados, menos valerá o produto – o salário.
E tem gente que ainda acredita
possível acabar com o desemprego, em papai Noel, Gênio da lâmpada, etc.
Nos países que abrigam várias
raças, é sempre mantido o “exército de reserva”. É nele que se recrutam
lavadores de privadas, varredores de ruas, guardas de segurança para executivos
e políticos importantes, lutadores de boxe, prostitutas, proxenetas,
bóias-frias, operários eventuais.
A cor da pele deve ser fruto de
condições ecológicas que o homem encontrou em sua dispersão no planeta, portanto,
não foi invenção do Capitalismo, mas, presta ao Capitalismo um inestimável
serviço, separando os trabalhadores, num mercado em que se compra e vende
mão-de-obra, em mercadoria de 1ª e de 2ª, mais
ou menos como o vendedor de batatas: os melhores custam 80,00 ou piores 50,00.
Racismo, portanto, não é produto de mentes
desequilibradas, nem existiu sempre ou existirá sempre.
Os racistas têm naturalmente
interesse em definir o racismo como uma característica da natureza humana e
como a natureza humana é imutável, por conseqüência, ela jamais desaparecerá.
Mas, na verdade o racismo é um
sistema, uma teoria científica, é um dos muitos filhos do capital, com a
peculiaridade de ter crescido com ele.
Nos países socialistas a
competição, que estimulam o racismo, não desapareceu de todo.
O racismo está depositado no fundo
das cabeças e nenhum sistema social, até hoje, foi capaz liquidar.
O exemplo mais escandaloso de
racismo foi o nazi-facista alemão (1933 a 1945). Desde 1885 a África fora
partilhada entre as potências européias e quase nada havia restado. A burguesia alemã chegou tarde à festa.
Então, sem nenhum pedaço do bolo, virou a mesa. Sua progressiva agressividade
percorreu todos os caminhos já conhecidos: desprezo
pelos outros, apelo à raça, à pureza do sangue, à superioridade dos mais
capazes – nada foi inventado pelo nazismo, os outros povos já tinham
recorrido a isso no passado.
O nazi-facismo foi uma saída
momentânea para o capitalismo alemão. Atrasado na corrida, em grave crise
econômica a burguesia se sentia irremediavelmente acossada pela classe
operária. No caso, os Judeus eram o único “o outro”
disponível na Alemanha que se podia agredir. Os judeus tinham riquezas e
toma-la abria espaço para os empresários autenticamente alemães e aumentava a
verba do Ministério da Fazenda. Ajudava inclusive aos governantes provarem seus
propósitos socialistas. Não eram os judeus
exploradores do povo?
O RACISMO NO BRASIL
Nós brasileiros, quando somos
pegos em flagrante de racismo nos assustamos, reagimos imediatamente contra
quem denuncia. Nosso preconceito racial guardado vem à tona, quase sempre, num
momento de competição.
Em nosso país os brancos sempre
esperam que as minorias raciais, em determinados setores sociais, cumpram
corretamente os papéis que lhes passaram. Aos negros, os mais comuns são:
cantores, compositores, sambistas e jogadores de futebol. Se errarem, a razão
do fracasso é apontada como “a sua cor”. Mas, se um branco erra, não acha
natural ligarem o fracasso à cor branca.
Muitos negros, principalmente de
classe média, costumam dar o troco ao racismo dos brancos, assustando as
pessoas que ainda crêem numa “democracia racial brasileira”. Estes são olhados
como negros perigosos dispostos a brigar “à toa”.
A cabeça de uma sociedade é feita,
em geral, pela sua classe dominante – com duplo objetivo manter os privilégios
e deixá-los dormir em paz.
O IBGE no censo de 1972 retirou a
pergunta – Qual é a sua cor? – do questionário,
justamente quando o racismo brasileiro começava a ser discutido amplamente.
Retirar a pergunta do censo era subtrair o poderoso argumento numérico – os
líderes dos movimentos afirmavam que os negros eram em maior número no Brasil.
O Presidente do IBGE apressou-se
em negar. Explicou que era inútil saber quantos eram os negros já que nunca tivemos nenhum problema racial.
Somos todos uma só raça!