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                                      Prof. Eduardo de Oliveira

                    Sob o céu cor de anil das Américas
                    Hoje se ergue um soberbo perfil
                    É u’a imagem de luz
                    Que em verdade traduz
                    A história do negro no Brasil
                    Este povo em passadas intrépidas
                    Entre os povos valentes se impôs
                    Com a fúria dos leões
                    Rebentando grilhões
                    Aos tiranos se contrapôs

                    Ergue a tocha no alto da glória
                    Quem herói nos combates se fez
                    Pois, que as páginas da história
                    São galardões aos negros de altivez

                    Levantado no topo dos séculos
                    Mil batalhas viris sustentou
                    Este povo imortal
                    Que não encontra rival
                    Na trilha que o amor lhe destinou
                    Belo e forte, na tez cor de ébano
                    Só lutando se sente feliz
                    Brasileiro de escol
                    Luta de sol a sol
                    Para o bem do nosso país

                    Ergue a tocha no alto da glória...

                    Dos palmares os feitos históricos
                    São exemplos da eterna lição
                    Que no solo tupi
                    Nos legara Zumbi
                    Sonhando com a libertação
                    Sendo filho também da mãe África
                    Aruanda dos deuses da paz
                    No Brasil este axé
                    Que nos mantêm de pé
                    Vem da força dos orixás

                    Ergue a tocha no alto da glória...

                   Que saibamos guardar estes símbolos
                   De um passado de heróico labor
                   Todos numa só voz
                   Bradam nossos avós
                   Viver é lutar com destemor
                   Para frente, marchemos impávidos
                   Que a vitória nos há de sorrir
                   Cidadãs, cidadãos
                   Somos todos irmãos
                   Conquistando o melhor porvir

                   Ergue a tocha no alto da glória...




O "Hino à Negritude", faixa-título de autoria do Prof. Eduardo de Oliveira, é um cântico à africanidade brasileira, oficializado em diversas cidades e estados brasileiros em razão de sua importância na luta contra o racismo.
A faixa-bônus "Ave Maria Cabocla" é registrada por Carmen Queiroz que tem se aliado ao autor na divulgação do hino.
O disco foi concebido pelo CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro) com a direção artística de Carmen.



                        O Autor  



Eduardo de Oliveira, poeta e Jornalista, um defensor dos direitos humanos, tornou-se na idade madura, um atento observador das relações raciais no Brasil e tem trazido, nos últimos anos, uma contribuição cada vez mais significativa e indispensável à dignidade de nossa nação.  
Como político – vereador em São Paulo não lhe escapou a oportunidade de promover o reconhecimento brasileiro a figura do ex-presidente John Kennedy, cuja ação foi fundamental para os negros norte-americanos.  

Os negros de nosso país são convocados a espelhar-se em Zumbi dos Palmares e são como esse Herói, homenageados em seu “Hino a Negritude”, pouco a pouco oficializado em mais e mais municípios brasileiros, inclusive em todo o Estado de São Paulo. Essa é uma forma de sua generosidade.  

Autor de nove livros publicados como poeta, deixou em seus primeiros sonetos o sabor amargo de não ter conhecido o Sr. Sebastião Ferreira e Dona Henriqueta de Oliveira, seus pais. Mas também deixou nesses sonetos uma profunda ternura, legado de seu pai adotivo, Sr. Francisco  Salles Prudente Corrêa, sobrinho-neto do primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Moraes.  

Esses sonetos são também um encontro com a trágica realidade social dos negros brasileiros, no que tem de desamparo e solidão. A poesia de Eduardo de Oliveira, sempre atual, traz implícito o seu propósito de vida: marcar esse tempo com sua passagem.  

O prof. Eduardo de Oliveira lembra o escritor norte-americano Cornell West: “Sem esperança não pode haver futuro – sem propósito não pode haver luta”. Eduardo sempre soube manter amorosamente a presença e busca na militância contra o racismo: Fazer brancos, negros, asiáticos, índios e mestiços partilharem seu propósito de construir um Brasil mais justo, mais digno e mais soberano.  

Pela presença fundamentada na ação iniciou sua militância e passo a passo, continua em sua trajetória que se completa com muitos valores negros. Ninguém melhor que ele reconhece a importância dos humildes, daqueles que nunca serão citados em obras como esta, mas é por estes e pelas crianças, adolescentes e jovens adultos negros e esquecidos sociais, que esta obra nasceu. Para apontar caminhos possíveis. Opções viáveis, mesmo quando nenhuma porta promete se abrir para nós.  

O avanço político e social do Brasil a se desenhar em situações como esta, que os órgãos do Estado aceitam dar as mãos a iniciativa desta grandeza, que chegam para retomar o caminho deixado há séculos, para todos aqueles que combatem o bom combate: contra o racismo, pela verdadeira democracia brasileira.  

Mas é preciso lembrar que a generosidade de Eduardo de Oliveira e sua ação política foram carinhosamente estimulados pelo líder norte-americano Martin Luther King, em carta ao poeta paulista, onde o prêmio Nobel da Paz de 1964 comunga com o autor a importância dessa luta comum pela “humanização da humanidade”.  

O Professor Eduardo de Oliveira é o fundador e atual Presidente do CNAB – Congresso Nacional Afro-brasileiro                                                                                             
                                                                                         Maria de Lourdes Teodoro  


CNAB - CONGRESSO NACIONAL AFRO-BRASILEIRO

Entidade não governamental, sem fins lucrativos atuando como
alicerce fundamental na constituição de uma comunidade negra mais
consciente e participativa. Tem representações em várias partes do país,
atuando também na defesa dos direitos humanos do cidadão e na
formação profissional de afro-descendentes.                                  

Quem é quem  na Negritude Brasileria

Livro organizado pelo professor Eduardo de Oliveira, já se encontra na segunda edição. Livro inédito aborda mais de 500 biografias de pessoas que se destacaram nos mais diversos cenários de nosso país. O trabalho tem o apoio da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que tem como Secretário Dr. José Gregori e do diretor Ivair Augusto Alves dos Santos.     

Contato: Prof. Eduardo de Oliveira - CNAB Tel.: (011) 3822 6782



Lei Nº 9.156, de 15 de maio de 1995
(Projeto de lei nº 440/93, do deputado Nelson Salomé)
Oficializa o "Hino à Negritude"  

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:  
 

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo, nos termos do § 7º do Artigo 28 da Constituição do Estado, a seguinte lei:  

Artigo 1º - Fica oficializado o "Hino à Negritude", de autoria do Professor Eduardo Ferreira de Oliveira.  

Parágrafo único - O "Hino à Negritude" deverá ser entoado em todas as solenidades que envolvam a raça negra.  

Artigo 2º- Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 15 de maio de 1995.  

MÁRIO COVAS Marcos Ribeiro de Mendonça 
Secretário da Cultura Robson Marinho 
Secretário-Chefe da Casa Civil
Antonio Angarita  Secretário do Governo e
Gestão Estratégica Publicada na Assessoria Técnico
Legislativa aos 15 de maio de 1995.

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