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Esta é a cartilha editada e distribuída gratuitamente ao público nas palestras e eventos do Grupo Cultural Seguidores de Zumbi e por ocasião de exposições temáticas, e nas comemorações das datas oficiais do movimento, como o

"Dia 20 de Novembro" -

"Dia da Consciência Negra"
.


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Em 1995, pensando em organizar uma homenagem ao Herói Negro Zumbi dos Palmares, pela passagem dos 300 anos de sua morte, um grupo de 17 pessoas resolveu formar o Grupo Cultural Seguidores de Zumbi, na cidade de Cruzeiro.  

Decidiram por este nome “Seguidores de Zumbi”, por entenderem que o exemplo do herói negro Zumbi, vivendo, lutando e morrendo pelo ideal de liberdade e igualdade de direitos para todos os escravos deveria ser seguido.         

O primeiro passo foi criar um monumento em homenagem a todo o povo negro, um reconhecimento público da importância dos negros na construção do Brasil. Com a colaboração do Dr. Arthur Firmino Cruz e o apoio do Presidente da Câmara, o vereador José Ferreira, o marco foi construído na Praça Antero Neves Arantes, em frente ao prédio anexo à escola estadual Oswaldo Cruz,  na cidade de Cruzeiro, onde mais tarde foi colocado o   busto de bronze de Zumbi.  

O passo seguinte seria apresentar o Herói aos estudantes. Então, os coordenadores do Grupo Cultural - Oswaldo Paes, José Roberto da Costa e Naida Cortez saíram levando às escolas de 1º. e 2º. Grau, uma exposição itinerante; fazendo palestras, falando da coragem, do heroísmo do escravo liberto chamado Francisco; um coroinha, criado por um padre que lhe deu a alforria.


Alfabetizado, Francisco aprendeu várias línguas, estudou
filosofia e aos 15 anos de idade resolveu deixar a vida livre
da cidade e  voltar    para  o  mocambo (cidade) do Quilombo dos

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Palmares, na Serra da Barriga, onde havia nascido. Foi lá que recebeu o nome de Zumbi que quer dizer imortal. Com a morte de seu tio Ganga-Zumba, Zumbi tornou-se rei do Quilombo de Palmares.  

Foi na República de Palmares que o Rei Zumbi viveu e travou inúmeras batalhas para defender a liberdade de todos os habitantes – negros, índios, mestiços –, indivíduos que resistiram a escravidão e fugiram  para viverem em liberdade e igualdade de direitos, no Quilombo.  

Acusado de subversivo, traído por um companheiro, em 20 de novembro de 1695, Zumbi foi assassinado e teve a cabeça cortada e pendurada na entrada da cidade, para intimidar os que pensassem em subverter a lei da escravidão e tivessem intenção de fugir para viverem em liberdade.

A República de Palmares existiu de 1597 a 1694, tendo se desenvolvido a partir de 1630. O Quilombo era composto de 9 a 10 cidades (mocambos). O mocambo chamado  Macaco era a Capital de Palmares. Os mocambos não eram fixos, mudavam de localização para dificultar os ataques  inimigos e para dar tempo de recuperação ao solo após as colheitas. Palmares chegou a abrigar de 30 a 40 mil habitantes.


Quilombo dos Palmares - em verde escuro        

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 – (O número de habitantes muda conforme o pesquisador. Não existe um consenso).    Localizava-se na Serra da Barriga, região onde hoje se encontram os  Estados de Alagoas e Pernambuco. Era auto-suficiente. Plantavam cereais e o excedente de produção era comercializado nas cidades vizinhas.  

A terra e o alimento eram direitos de todos e o trabalho, um dever coletivo. Lá, não existiam mendigos, nem velhos  abandonados. A educação e o amparo das crianças, jovens, adolescentes era dever de todos.  

                       20 DE NOVEMBRO – DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
 

Em 1978, os feitos, a trajetória guerreira de Zumbi foi resgatada pelo Movimento Negro Unificado – RS, organização que dá continuidade aos ideais do herói negro. E em contra-ponto ao dia 13 de Maio, quando é comemorada a Abolição, o poeta Oliveira Silveira militante desse movimento, lançou a idéia do dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi, como o Dia da CONSCIÊNCIA NEGRA.  

Entendem os militantes dos movimentos negros, que:  

-          a liberdade é direito natural, portanto, não pode ser e não  foi concedida por ninguém; que os escravos já viviam em  liberdade bem antes da abolição, na República de Palmares, onde  negros, índios e mestiços conviviam na mais absoluta democracia, tendo inclusive liberdade de expressão e de crença;

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-          que no caso do documento oficial da abolição, ele foi conquistado com muito suor, muito sangue, muito sofrimento, muitas lágrimas;

-         que a Lei Áurea apenas oficializou uma situação irreversível de liberdade, devido as pressões, ao descontentamento e a desorganização social da época.

A Lei Áurea não foi capaz de assegurar a liberdade plena a nenhum negro, e por tratar-se de um documento oficial incompleto, que não assegurou a inclusão social nem vida digna aos negros e seus descendentes, o dia 13 de maio não merece ser comemorado.  

Ter consciência negra, portanto, significa saber de tudo isso, saber da realidade brasileira, da ideologia do colonizador, que através de diversos meios mantém ainda hoje o negro afastado dos seus direitos.  

Ter consciência negra é saber da discriminação, do racismo e das injustiças sociais. É conhecer a verdadeira história do Brasil e reconhecer a importância do negro na construção de nosso país.  

De fato, a Lei Áurea não foi capaz de garantir cidadania plena ao negro e ao afro-descendente. Até hoje o Brasil não dispõe de políticas públicas que assegurem a igualdade de Direitos,  de Oportunidades, de Inclusão Social dos afro-descendentes; o que obriga a maioria, a viver na injusta condição de excluídos, sem possibilidade de ter e usufruir bens e serviços básicos, necessários para uma vida digna.

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  Hoje sabemos que a Abolição não foi um ato de reconhecimento de que a escravidão é um crime contra a humanidade; não foi o resultado do reconhecimento de que era absurdo o sofrimento imposto aos negros e  afro-descendentes que com seu trabalho gratuito enriqueceram a Europa e construíram o Brasil.  

A Abolição foi o resultado das pressões internas de grupos abolicionistas; de muitos que pretendiam a independência da colônia e o regime republicano.  Sobretudo, a Abolição foi assinada por imposição da Inglaterra, que industrializada, pretendia comercializar, criar no Brasil um mercado consumidor e exigia trabalhadores assalariados que pudessem comprar suas mercadorias.  

O Brasil foi o último país a abolir a escravatura. Aboliu e nunca adotou política de inclusão social para os libertos porque, na verdade, esperava que a raça negra desaparecesse com o passar dos anos.  

A Abolição deixou o negro sem casa, sem profissão, sem trabalho, sem terra; abandonado, sem ter como sobreviver. Por esse motivo não há o que comemorar no dia 13 de maio. Principalmente porque até hoje nada foi feito para amenizar o sofrimento e a  pobreza dos afro-descendentes.

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                           25 MILHÕES DE BRASILEIROS NEGROS
              E
AFRO-DESCENDENTES PASSAM FOME NO BRASIL    

Esses milhões de brasileiros não têm direito a nada. Muitos deixaram de freqüentar as escolas, - a maioria, por não agüentar sofrer a discriminação racial em sala de aula -, portanto, eles não têm como competir no mercado de trabalho em iguais condições com os não negros. Sem qualificação profissional acabam sempre ocupando as funções mais desconsideradas e mal remuneradas.

Assim, são tratados como subprodutos da sociedade de consumo.  

Do povo negro e afro-descendente, somente um mínimo chega a freqüentar uma Universidade. Pouquíssimos formam-se numa faculdade, no chamado “Curso Superior” – (para superiores?!). E mesmo quando conseguem um diploma e passam a trabalhar, recebem salários menores do que as mulheres brancas na mesma profissão, que por sua vez,  recebem bem menos do que os homens brancos na mesma função.  

O povo negro, em sua maioria, vive na periferia das cidades, nos “morros” e favelas. Passam todos os tipos de privações e de discriminação desde a infância e muito cedo descobrem que no Brasil, nação criada por seus antepassados, nascer negro ou afro-descendente é chegar ao mundo em desvantagem.

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Durante o curso de sua vida, o negro suporta o sarcasmo, as piadas, o racismo dissimulado em colocações como estas: “Você é negro, mas tem alma branca”, ...”é negro mas é gente boa”, ...”é negro mas é cheiroso”, ...”é negro, mas é honesto”. Expressões declaradamente racistas, discriminatórias, que têm como   objetivo   destacar   “um”   de   um   coletivo  mal,   sujo,desonesto.  

Colocações que confirmam e eternizam o estereótipo negativo criado e imposto a toda uma etnia na época colonial e que perdura até hoje.  

Ser negro, então, parece ser sinônimo de algo que precisa ser negado, superado, disfarçado. Significa no geral, ser algo indesejável. A história de coragem, da resistência, da cultura, dos vultos, dos heróis afro-brasileiros, completamente desconhecida na atualidade, simplesmente não interessa a maioria dos negros, que “quando” e “se” conseguem uma posição de destaque, profissional ou social, vai negar sumariamente sua cultura, sua religiosidade, sua raiz.  

A grande maioria, quando bem sucedidos, nega que já foi discriminado. Passa a sofrer do que é chamado de “branquitude”, que significa identificação com o branco,ou,negação da própria etnia, do sangue, da cultura. Esses passam a não mais se identificar com o seu grupo.  

Acreditam que ascendendo socialmente são vistos e respeitados como brancos. Não se vêem mais como negros ou afro-descendentes e em muitos casos, passam a discriminar os outros negros que não conseguiram  subir na escala social.


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Tendo sido criado historicamente para servir, ainda com mentalidade colonial, sem auto-estima, não procuram conhecer a verdadeira história dos negros e afro-descendentes, daqueles que com seu trabalho gratuito enriqueceram a Europa, construíram o Brasil e resistiram bravamente a toda a sorte de sofrimentos e que, portanto, merecem todo o respeito.  

Preferem identificar-se com o outro lado, com os descendentes dos colonizadores assassinos e seqüestradores que desorganizaram a África trazendo a força milhões de negros, seus antepassados, para serem vendidos como peças nas Américas.Desta forma fazem o jogo do conquistador.  

Não conhecendo a história não sentem orgulho da raça, não sentindo orgulho da raça não têm auto-estima, não tendo auto-estima,servem de instrumentos para que a exclusão da maioria se perpetue. Muitos negros não querem que outros se desenvolvam para que não acabem como mais um concorrente seu no mercado de trabalho e na aquisição de bens e serviços.  

Estes negros que conseguem subir na escala social serão os primeiros a negar que existe o racismo no Brasil. São eles os primeiros a alimentar e fortalecer o “mito da democracia racial”, impedindo que muitos encarem o problema de frente e busquem soluções definitivas para a questão da discriminação e exclusão social do negro no Brasil.

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Contudo, as estatísticas do IBGE e de outras empresas de pesquisa estão aí para encerrar a discussão se existe ou não racismo em nosso país. As favelas, as prisões, os hospitais e os registros de óbitos  apontam a realidade.

Comprovadamente, existe um número maior de brancos em cargos mais bem remunerados, enquanto que o ao negro e ao afro-descendente cabe o subemprego, o desemprego, a exclusão e a carência.  

Diante disso, inconformados com a situação de injustiça social, negros, afros-descendentes e não negros, organizam-se nos chamados MOVIMENTOS NEGROS, para denunciar, propor, exigir mudanças que proporcionem aos discriminados, a igualdade de direitos e oportunidades.  

O Brasil tem uma dívida histórica para com os descendentes dos escravos libertos, essa gente que nunca teve direito a nada, nunca puderam viver a cidadania plena, com dignidade, porque nasceram num país em que mais de 300 anos depois da Abolição, no século 21, ainda vive a mentalidade colonial - promovendo “feitores”, ”amigos do rei”,  “senhores de engenho”, etc., e excluindo o “resto”.

Quem mais sofre a discriminação é a mulher negra, que  privada dos melhores salários ainda é vista como objeto, vendida pela sensualidade, desrespeitada em sua condição de mãe. A mulher negra que inúmeras vezes é vista apenas como instrumento de trabalho e de prazer tem sido a maior vítima da violência e da discriminação, conforme comprovam as estatísticas, os boletins policiais e hospitalares.

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                                                                                                         RESISTÊNCIA  

O povo negro sempre resistiu as injustiças, aos maus tratos, ao sofrimento bravamente, através de fugas, lutas, revoltas individuais e coletivas. Hoje, dispõe de  armas legais para fazer valer os seus direitos. Decretos e Leis podem promover a justiça e assegurar a defesa dos interesses dos discriminados e dos excluídos. Se isso não acontece é porque a grande maioria não conhece essas leis, nem mesmos os  seus direitos. E, portanto, não lutam para que a legislação seja respeitada.  

Ações afirmativas e de reparo da dívida histórica
  da nação para com os negros e mestiços têm sido propostas, exigidas e aplicadas em muitas cidades brasileiras. Assim os negros e afro-descendentes aos poucos vão conquistando seu espaço.  

Para isso, como ferramenta oficial, têm sido criados os CONSELHOS MUNICIPAIS DE PARTICIPAÇÂO E DESENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE NEGRA nas cidades. Através de 14 representantes da sociedade é possível discutir e apresentar propostas de POLITICAS PUBLICAS aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores, com o objetivo de reparação das injustiças históricas e de inclusão social.  

Cotas para negros e afros-descendentes pobres nas faculdades, nas empresas públicas e particulares, têm garantido a INCLUSÃO de muitos negros e afrosdescendentes.  

Tratamentos específicos  para   as  doenças   hereditárias  dos


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descendentes dos escravos, como anemia falciforme e outras, tem garantido saúde e vida para esses brasileiros.  

Políticas anti-racistas de educação para o respeito com aqueles que são diferentes, buscando educar para a fraternidade, para  eliminar o racismo, a discriminação racial e de gênero, dentro e fora das escolas, começam a mostrar seus efeitos.  

As Leis e Decretos “não obrigam ninguém a gostar de negros”, exigem o respeito para com os afro-descendentes.  

Se tratarmos os desiguais de forma igual, aumentaremos as desigualdades. Por isso as cotas são necessárias.    

A QUESTÃO AUTO-ESTIMA  

Uma das conseqüências mais sérias da discriminação é a dissolução dos valores culturais dos negros e afro-descendentes.  

Quem não conhece a própria história, não sabe de onde veio, não se auto-valoriza – não gosta de si mesmo -. Passa a acreditar que tudo o que vem de fora é sempre melhor e mais importante. Não compreende as manifestações culturais de suas origens, portanto, não respeita a si mesmo nem aos seus iguais.  

A verdade é que o imigrante chegando no Brasil e encontrando aqui um grande contingente de mão-de-obra recém-liberta, e tendo que competir no mercado de trabalho.


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com os negros, para eliminar a concorrência passou a criar e disseminar a imagem negativa dos negros, da sua cultura de origem africana, da sua religiosidade.  

Com instrumentos eficientes de manutenção dos mitos negativos, vincularam aos negros tudo o que é ruim, negativo, amoral. Expressões como: “A coisa ta preta”, “Setembro negro”, etc... piadas e colocações impróprias acabaram introduzindo no inconsciente coletivo uma profunda rejeição a quase tudo o que se refere ao negro e a sua cultura.  

A religiosidade de origem do afro-brasileiro foi reprimida e aos poucos foi sendo substituída por uma religiosidade preconceituosa, elitizada e excludente.  

Muitos dirigentes religiosos usaram e usam a crença como instrumento de manipulação da massa, com objetivos óbvios de manter as rédeas do poder político e econômico, contribuindo muito para enraizar o preconceito de menos-valia do negro.  
Inconformados com esta situação, os intelectuais negros, mestiços, e não negros, a partir da publicação do poema URUCUNGO do poeta Lino Guedes, nascido em Socorro-SP em 1877 e morto na Capital em 1951 criaram um Movimento de Resgate da Memória Negra, que foi chamado NEGRITUDE.  

Esse movimento propôs a releitura da história do Brasil e vem lutando até hoje, para mostrar a todos os brasileiros a importância da cultura negra na formação de nossos valores, dos nossos hábitos cotidianos.

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Propositalmente,  não  ensinam  nada  sobre  a   cultura  negra   nas escolas.  

Não ensinam, por exemplo, que a África é o berço da humanidade. Que os faraós do Egito eram reis-sacerdotes negros e que foram negros os administradores desse imenso e riquíssimo império.

Que os negros conheciam a mineração, a química, a física, técnicas avançadas de agricultura e que atingiram uma alta evolução filosófica e espiritual, a ponto de influenciarem e desenvolverem a arte européia num período de estagnação. E que por serem muito religiosos, acabaram perdendo  a força bélica e foram enfim, escravizados.  

Não ensinam nas escolas sobre os heróis negros. Nada sabemos da atuação dos inúmeros negros e afro-descendentes, dos mestiços, brasileiros que morreram defendendo a Pátria que os escravizava, esperançosos de conquistar a liberdade no fim das batalhas. Inúmeros heróis anônimos que sobreviveram às lutas terminaram assassinados para que não recebessem a esperada carta de alforria.  

Nada sabemos dos intelectuais que com seu conhecimento, sua arte, sua literatura, suas poesias fizeram a diferença na vida dos brasileiros desde o início de nossa história, nos Movimentos Negros.  

Machado de Assis, era mulato.  Cruz e Souza, um dos principais representantes do simbolismo era filho de escravos.

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O poeta Solano Trindade, pesquisador das tradições populares, teatrólogo, pintor; um ser humano de grande carisma e visão, para quem a arte representava parte essencial da vida, era negro(foto ao lado). Você sabia? Você conhecia?

Não. Os brasileiros não conhecem os negros intelectuais importantes.Somente os que se destacam no esporte e na música. Os brasileiros não conhecem a verdadeira história do Brasil. Contentam-se em aplaudir craques e cantores.

Também por isso é necessário que existam os MOVIMENTOS NEGROS. Para que conhecendo a verdade os afro-descendentes passem a respeitar a cultura de seus antepassados, suas origens.   

Através dos Movimentos Negros é possível fazer uma releitura da nossa história; é possível conhecer a verdade dos fatos, e assim,  elevarmos a auto-estima dos negros e afro-descendentes de nossa comunidade.

É preciso que o negro tenha orgulho de ser negro. Diluir a cultura afro-brasileira, dissolver o orgulho da raça omitindo dados importantes sobre os episódios da época da escravidão; evitar a divulgação das biografias das personalidades, dos corajosos vultos, negros e mestiços que bravamente lutaram pela liberdade, por uma vida digna; apresentar uma África apenas com florestas, animais e um povo analfabeto, doente e subdesenvolvido, faz parte de um sistema secular racista que busca eternizar-se no poder por meio da deterioração, da dissolução das culturas dos povos dominados.


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É assim que o poder mantém o controle das massas: Negando-lhes o direto natural de conhecer a sua verdade histórica.  

Plantaram e disseminaram a menos-valia do negro e a discriminação se mantém através de meios eficientes que vão desde a ridicularização através de piadas no cotidiano, até a banalização do sofrimento e da exclusão que ainda hoje é imposta a milhões de brasileiros.    

Na época do Brasil Colônia houve uma inversão de valores que persiste até hoje, no século 21.  

Os descendentes dos escravizadores, dos seqüestradores e assassinos não se envergonham dos criminosos de suas origens, enquanto que, os descendentes dos escravos, vítimas no primeiro momento e heróis em seguida, que venceram a opressão de diversas formas, os descendentes dos corajosos trabalhadores que construíram o Brasil, herdaram a vergonha de serem negros, a opressão psicológica, a menos-valia, enfim, o costume de não gostar, de negar a sua origem, a sua etnia, a sua cor, a sua raça.      

            O correto não seria os descendentes dos seqüestradores,
          dos assassinos, se envergonharem e proporem reparações?


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                            PARTICIPE DO MOVIMENTO AFR0!
     
                      PELA CONQUISTA DA CIDADANIA PLENA,

           PELA IGUALDADE DE DIREITOS E OPORTUNIDADES,



             PELA INCLUSÃO SOCIAL DOS  AFRODESCENDENTES
                           HISTÓRICAMENTE EXCLUÍDOS !    
   TEMOS O DIREITO DE PROPOR AO PODER EXECUTIVO DA NOSSA
               CIDADE, POLÍTICAS PÚBLICAS ESPECIALMENTE
                           VOLTADAS PARA A POPULAÇÃO
               AFRODESCENDENTE POBRE, AÇÕES QUE PROMOVAM
                                   A AUTO-ESTIMA 
                         E A INCLUSÃO, A JUSTIÇA SOCIAL    

               QUEREMOS O RESGATE DA DÍVIDA HISTÓRICA QUE
O ESTADO BRASILEIRO TEM COM O POVO NEGRO E SEUS DESCENDENTES,
  QUE COM SUOR, SANGUE E MUITO SOFRIMENTO CONSTRUÍRAM O PAÍS
                             
QUE ATÉ HOJE MANTÉM A MAIORIA,
                                    A POPULAÇÃO MAIS HUMILDE,    
                                AFASTADA DOS BENS E SERVIÇOS,
             DOS BENEFÍCIOS AOS QUAIS TODOS TEMOS DIREITO.  

                              
                                             ***********************

                                 Leia também:  O Pensamento  Africano

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