Não se sabe exatamente como se originou o carnaval e, por
vários anos, grandes historiadores tentaram encontrar sua origem, dentro e fora
do Brasil.
Alguns estudiosos relacionam o começo das festas
carnavalescas com os cultos feitos pelos povos antigos para agradecer e louvar
uma boa colheita agrícola, em alguma região da Europa. Mas para outros
historiadores seu início teria acontecido muito mais tarde, no Egito, com
danças, ritmos, festas e pessoas mascaradas.
Apesar de não sabermos qual foi a verdadeira origem do
Carnaval, o certo é que a dança, os festejos, os cânticos e a celebração,
sempre estiveram presentes na vida e na evolução dos homens e das sociedades.
Assim como a origem do carnaval, as raízes do termo também
têm se constituído em objeto de discussão. Para uns, o vocábulo advém da
expressão latina "carrum novalis" (carro naval), que quer
dizer uma espécie de carro alegórico em forma de barco, com o qual os romanos
inauguravam suas comemorações.
Para outros, a palavra seria derivada da expressão do latim “carnem
levare”, modificada depois para carne, vale! (adeus, carne!), palavra que
teve sua origem entre os séculos XI e XII que designava a quarta-feira de
cinzas e anunciava a supressão da carne devido à Quaresma.
Dá para ver que desconhecemos não só a origem da cultura do
Carnaval, mas também a expressão literária da própria palavra.
Para alguns pesquisadores o carnaval tem sua origem no
entrudo português, ‘ocorria antes da entrada na Quaresma” onde, no passado, as
pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha (e alguns ... urina sobre
os gentios). Tinha um significado ligado a liberdade, ‘único momento de
liberdade dos escravos’.
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi
influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países
como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os
carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o
pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora
sejam de origem européia.
No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os
primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes
últimos tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se
fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das
cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba
atuais.
No século XX o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez
mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas
carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.
A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e
chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael
Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba
Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato.
Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para
verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.
O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região
Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas
durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.
Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos,
embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região.
Na
cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos
blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.
Personagens característicos e tradicionais do carnaval:
REI MOMO - O dono do carnaval
Por FERNANDO
KITZINGER DANNEMANN
A mitologia grega trata Momo, filho do Sono e da Noite, como
o deus da zombaria, do sarcasmo, da galhofa, do delírio, da irreverência e do
achincalhe. Diante do seu costume de criticar e ridicularizar os outros deuses,
a divindade maior do Olimpo perdeu a paciência com ele e o despachou para a Terra,
onde o divino deportado passou a ser representado por um jovem tirando a
máscara e mostrando o rosto zombeteiro, ao mesmo tempo em que sacudia guizos e
apresentava o estandarte da folia que era a razão da sua existência.
A coroação de um rei Momo na Terra vem de longa data, pois
houve tempo em que na Roma antiga, durante a realização de determinadas festas,
o soldado escolhido como o mais belo de todos era quem recebia a coroa de
monarca brincalhão, o que lhe dava o direito de comer, beber e brincar até
esgotar totalmente suas forças, sem que ninguém o impedisse de fazer coisa
alguma. Depois de finda a farra, e ao contrário do que acontece hoje em dia,
ele era solenemente levado ao altar do deus Saturno e ali sacrificado com todas
as honras que merecia.
A figura de Momo no carnaval brasileiro surgiu em 1933, no
Rio de Janeiro, graças a um cronista esportivo do jornal “A Noite” que
apresentou aos carnavalescos um boneco feito em papelão e sugeriu sua indicação
como comandante da folia. Esse boneco desfilou no centro da cidade, sendo
depois colocado em seu trono para presidir de forma simbólica as comemorações
daquele ano.
Mas como os proprietários do jornal não se contentaram com o
resultado conseguido, foi então iniciada uma campanha para escolher um rei de
carne e osso, que acabou sendo o muito gordo Moraes Cardoso, responsável
pela seção de turfe da empresa jornalística. Após ser vestido como rei e
saudado com um “Vive le Roi” pelos seus colegas de redação, o jornalista
desfilou pelas ruas da cidade, onde foi saudado com muita serpentina, confete e
lança-perfume. Estava criada, assim, a figura do rei Momo, primeiro e
único.
Moraes Cardoso
reinou absoluto no carnaval carioca até 1948, quando faleceu. Depois, até 1967,
seu substituto passou a ser escolhido por entidades carnavalescas e
jornalistas, mas em 1968 sua eleição foi oficializada por lei estadual, e em
1988, por lei municipal. O concurso para a escolha do rei Momo, no Rio de
Janeiro, tornou-se oficial em 1950, e desde essa época sua realização
corresponde a um verdadeiro espetáculo popular.
Fonte: www.recantodasletras.com.br - 25.01.2006
ARLEQUIM
Personagem da antiga comédia italiana, que tinha a função de
divertir o público com piadas nos intervalos das apresentações. Amante de Colombina
COLOMBINA
Companheira de Pierrô. Namoradeira, alegre, bela, esperta.
Vestia-se de seda ou cetim branco e usava saia curta e bonezinho.
PIERRÔ
Usava calça e casaco bem largos, este de grande gola
franzida e enfeitado com pompons. Pierrô é o personagem ingênuo e sentimental
do carnaval.