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                                                                            Danças e Festas




Artes Populares são manifestações espontâneas da arte Brasileira. É a arte feita pelo povo. A arte popular é feita por artistas que permanecem sempre ligados a seus ambientes de origem, e, basicamente é consumida por sua comunidade, em seu meio social.

Objetos de cerâmica ou de tecelagem, manifestações feitas na rua, ditos populares ou ainda histórias contadas e inventadas em rodas de conversa e passadas pelas pessoas através dos tempos compõem a Arte Popular

A cultura e a tradição dos povos são expressas tanto pelas cerimônias e festivas quanto pelos rituais religiosos. As celebrações reafirmam laços sociais e raízes que aproximam as pessoas, movimentam e resgatam lembranças e emoções.

Mesmo com enfoques diferenciados, as festas populares têm características semelhantes como as manifestações do canto, da dança, da música. As festas populares e religiosas traduzem a cultura popular, a linguagem do povo, tudo que vem dele e de sua alma.

São principalmente importantes pelo o espírito de troca e fortalecimento dos laços dos integrantes de uma comunidade.

À medida que essas festas são desmotivadas e desaparecem como aconteceu na cidade de Cruzeiro, quase que completamente, os laços que unem as pessoas da comunidade são enfraquecidos até serem destruídos completamente dando lugar ao vazio social, que tem como conseqüência a destruição os valores sociais tradicionais, a educação social.

Uma comunidade assim desestimulada, enfraquecida e desarticulada torna-se vulnerável aos abusos do poder administrativo, aos vícios diversos.

É quase impossível ter-se uma sociedade organizada e participante sem tradição, sem festas populares, sem festas folclóricas que são, na verdade, o elo de fortalecimento dos diversos atores sociais.

Enfraquecer a sociedade negando e destruindo suas tradições, portanto, é um ato de vontade política administrativa que convém aos grupos manipuladores do poder e dos cofres públicos.

A princípio estas manifestações populares são ridicularizadas, depois, são destituídas de sentido através do desconhecimento de seus significados, para terminam qualificadas como primitivas e incultas, portanto desvalorizadas e rejeitadas pela maioria.

Esse processo de desmotivação popular é uma ferramenta eficiente para a  manutenção  do poder que ao mesmo tempo não oferece alternativas de desenvolvimento cultural a comunidade, promovendo assim, a paraliação, a estagnação cultural do município, a negação do direito fundamental à cultura e à informação.

Vimos acontecer isso em Cruzeiro. Essa desvalorização da cultura popular via desmobilização, na proposta que mudou, por exemplo, a nossa festa da "Santa Cruz" do seu local tradicional para o chamado "festódromo", espaço oficial onde devem ser realizadas, obrigatoriamente, as festas populares.

As barracas e brincadeiras que aproximavam os munícipes no trabalho para fins de arrecadação beneficentes, fortalecendo os laços sociais, foram substiuídas por espaços comerciais, sem vínculos profundos com a comunidade e com fins lucrativos. Comerciantes alugam os espaços e garantem arrecadação aos cofres públicos, em detrimento das iniciativas de artes populares.

Perdeu-se portanto a tradição, a linguagem, a espontaneidade, a naturalidade dessa manifestação  de  arte popular; estímulou-se o enfraquecimento dos laços sociais e promoveu-se as inúmeras consequências negativas daí, advindas.



CONHEÇA O SIGNIFICADO E AS MAIS IMPORTANTES MANIFESTAÇÕES DA CULTURA, DA ARTE POPULAR BRASILEIRA - Danças e Festas



                                                                           Danças Populares

Congada
É uma procissão de escravos feiticeiros, capatazes, damas de companhia e guerreiros saem num cortejo, ao som de violas, atabaques e reco-recos, dançam simulando uma guerra e acompanham a rainha e o rei negro até a igreja ou o local onde serão coroados. Na época da escravidão e muito tempo depois os reis e rainhas coroados eram escolhidos seriamente para que não morresse a tradição do Congo.  

Reisado
É
festejo a véspera e o Dia de Reis. No período de 24 de dezembro a 06 de janeiro, um grupo de músicos, cantores e dançam e levam um estandarte do grupo, anunciam a chegada do Messias e fazendo louvações, por onde passam. O Reisado se compõe de várias partes e tem diversos personagens como o rei, o mestre, contramestre, figuras e moleques e músicos que acompanham o grupo.  

Maracatú

É uma dança típica do Nordeste. Maracatu é um termo africano que significa dança ou batuque, no qual um grupo fantasiado faz saudações aos orixás, em um cortejo carnavalesco onde reis, rainhas, princesas, índios emplumados e baianas dançam nas ruas, pulando e passando de mão em mão a calunga, boneca de pano enfeitada, presa num bastão. Teve origem nas Congadas, cerimônias de escolha e coroação do rei e da rainha da "nação" negra. Ao primeiro acorde do maracatu, a rainha ergue a calunga para abençoar a "nação". Atrás vão os personagens, com chapéus imensos, evoluindo em círculos e seguindo a procissão recitando versos que evocam histórias regionais.  

Catira

Também chamado Cateretê é uma dança de origem indígena e dançada em muitos estados brasileiros. Foi bastante usada pelo Padre Anchieta que em sua catequese, traduziu para a língua tupi alguns textos católicos, assim enquanto os índios dançavam, cantavam trechos religiosos, por este fato é que muitos caipiras paulistas consideram muitas danças diabólicas, menos o cateretê. Os trajes usados são as roupas comuns de todo o dia. A dança varia em cada região do país, mas geralmente são dançadas em duas fileiras formadas por homens de um lado e mulheres do outro, sapateando ao som de palmas e violas. Também pode ser dançada só por homens. As melodias são cantadas pelos violeiros.  

Marujada

De origem portuguesa, também é conhecida como Cateretê. Ao som da viola ou da sanfona, o grupo dança sapateando, ao som de uma mistura cantigas náuticas que retratam as conquistas marítimas e o heroísmo dos navegadores portugueses. Esse bailado não possui enredo ordenado, mas a apresentação do auto, começa sempre com a chegada de uma miniatura de barco à vela puxado pela tripulação, que é formada pelos componentes do grupo de dança.

Frevo

É uma dança e música típica do carnaval de rua e salão de Recife, Pernambuco. Tem coreografia individual e andamento rítmico muito rápido. Os passistas ou dançarinos, vestem com fantasias coloridas e agitam pequenos guarda-chuvas com função estética, e para alguns, de equilíbrio. Alguns pesquisadores dizem que o frevo possui elementos de várias danças como marcha, polca ou maxixe, outros pensam que ele foi influenciado pela capoeira. A música só é executada por instrumentos de sopro e surdos, e não é cantada, formando uma orquestra conhecida como Fanfarra.





                                                             Festas Populares

Bumba-meu-Boi
Uma das principais manifestações brasileiras, que provavelmente surgiu no final do século XVIII, chegou no Brasil com os negros escravos, por influência dos faraós do Egito – África – (adoradores do Boi Ápis, deus da Fertilidade), e logo se espalhou por todas as regiões do nosso país, com diferentes nomes e interpretações.

Este auto relata a história de um casal de negros retirantes que roubou e matou uma novilha de predileção de uma fazenda, e repartiu os pedaços com os outros negros. O fazendeiro dono do boi ficou tão desolado que mandou chamar um índio feiticeiro para que, na sua presença, com algumas palavras sagradas, o fizesse ressuscitar.

Boi-Bumbá, Bumba-meu-Boi, Boi-de-Reis, Bumba-Boi, Boi-Surubi, Boi-Calemba ou Boi-de-Mamão, são nomes dados a essa manifestação que tem na figura do boi o personagem central, representado por uma cabeça de boi empalhada, ou modelada, e de corpo feito de papel ou de pano colorido e muito enfeitado.

A dramatização é feita geralmente nas praças públicas, onde começam fazendo uma louvação religiosa. Ao som de cantigas entoadas por cantadores do conjunto musical que os acompanham, entremeiam-se pequenos quadros em que os atores representam suas preocupações cotidianas, sendo que no final o boi sempre ressuscita e sai dançando no meio de todos.

Fonte da imagem: Revista Dever de Casa  

Cavalhada
Festa popular típica do estado de Alagoas, mas que acontece também em outros estados brasileiros, como Goiás e São Paulo, em diferentes versões. Este folguedo teve origem nos torneios medievais realizados na Europa, em praças próximas às igrejas, como num grande campo de batalha, onde cristãos e mouros se enfrentavam.

No Brasil, esta representação foi introduzida pelos jesuítas com o objetivo de catequizar os índios e os escravos africanos, mostrando o poder da fé cristã. Em uma espécie de torneio, os participantes formados por vinte e quatro cavaleiros, usando trajes especiais, são divididos em pares ou cordões, onde 12 cavaleiros vestidos de azul, representando os cristãos, e os outros 12 vestidos de vermelho, representando os mouros, executam manobras numa série de jogos.

A cavalhada acontece por ocasião de festas de santos e do Natal.  

Festa do Divino
Tradicional festa popular nas diversas regiões brasileiras, foi trazida ao Brasil pelos Jesuítas do Reino de Portugal. A festa é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, dia de Pentecostes, onde a Igreja Católica comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Nos festejos temos novenas, procissões, leilões, quermesses, shows com fogos de artifício, muita música e apresentações de grupos de danças folclóricas como as congadas, catiras e moçambiques.

Enquanto grupos de cantadores visitam as casas dos fiéis para pedir donativos para a grande festa, personagens que simbolizam os membros da Corte, o Imperador e sua esposa, bem como os apóstolos e a Virgem Maria, ganham a vida divertindo o público que segue em procissão pelas ruas.

As crianças levando o estandarte do Divino formam a Roda dos Anjos. Atrás vão os bonecos gigantes (João Paulino, Maria Angu e a velha Miota). Encerrando a festa, temos a famosa cavalhada e depois a tradicional "comilância", onde é servido um cozido de carne com arroz e farinha de mandioca.

Festas Juninas
Uma das festas católicas mais concorridas em todo o país nos meses de junho e julho. Realizada em homenagem a São Pedro, Santo Antônio e São João, caracteriza-se como uma festa em que os aspectos profanos e sagrados apresentam-se totalmente interligados.

Em seu ritual há danças em volta da fogueira, brinca-se com balões coloridos e ainda ocorre a encenação de um casamento forçado, cujo enredo inclui uma tentativa de fuga por parte do noivo e a sua perseguição pelos familiares da noiva, que o alcançam e o obrigam a casar.

O gênero musical tocado na festa é o forró, a moda de viola e aqueles nos quais a sanfona é o principal instrumento.  

Folia de Reis
Festa popular de caráter religioso e de origem portuguesa. Acontece entre o Natal e o dia 6 de janeiro, onde grupos de cantadores e músicos trajando fardamento colorido percorrem as ruas de pequenas cidades brasileiras, entoando cânticos bíblicos que relembram a viagem a Belém dos três Reis Magos (Baltazar, Belchior e Gaspar) para dar boas-vindas ao Menino Jesus.

O Alferes da Folia, chefe dos foliões, seguido dos palhaços do Reisado e de seus instrumentos, bate nas portas dos fiéis, de manhãzinha, para tomar café e recolher dinheiro para a Folia de Reis, oferecendo uma bandeira colorida, enfeitada com fitas e santinhos.

Do lado de fora, os palhaços vestidos a caráter e cobertos por máscaras, representando os soldados do rei Herodes, de Jerusalém, dançam ao som do violão, do pandeiro e do cavaquinho, recitando versos. No dia de Reis, 6 de janeiro, o dinheiro arrecadado é gasto em comes e bebes para todos.      

Carnaval
A origem do carnaval é incerta; parece ligada remotamente a alguma comemoração pagã pela passagem do ano ou a chegada da primavera, ou ainda a festa de comemoração do tempo das colheitas. É possível que se origine das festas da Roma antiga.

Considera-se o carnaval uma festa caracteristicamente italiana, pois todo seu desenvolvimento está ligado à Itália (Roma, Florença, Turim e Veneza). Roma foi o maior centro de difusão, pois era lá que aconteciam os famosos desfiles de corso. O carnaval tem sido muito importante para a evolução do teatro popular, o cancioneiro e danças folclóricas.

Carnaval no Brasil

A mais popular festa brasileira é uma mistura de tradições européias adaptadas a um país tropical e uma sociedade com uma grande presença de descendentes africanos.

O carnaval de clubes reflete os bailes de máscaras de muitos séculos atrás; as escolas de samba, os desfiles de carros alegóricos da Europa e a música de rua mostram a influência africana; e finalmente o entrudo, que é uma festa portuguesa onde pessoas lançavam água, pó e outras substâncias em seus amigos. Estes quatro aspectos deram ao carnaval brasileiro um aspecto único que atrai turistas do mundo inteiro.

O uso das máscaras

A primeira máscara data de 30.000 anos A.C. e era fabricada e ornamentada para ser usada em celebrações, cultos e rituais de povos primitivos.

No Egito Antigo, o povo acreditava que para ajudar na passagem para a vida eterna tinha que se colocar uma máscara na face dos mortos.

Na China, as máscaras eram usadas para afastar os maus espíritos.

Os Gregos usavam as máscaras em cerimônias religiosas.

O teatro oriental, desde o início do século XX, usa a máscara como parte do figurino de suas peças.

O teatro ocidental, por muito tempo, fez uso das máscaras que traduziam as expressões de alegria e de tristeza, representando os sentimentos do personagem de um rei, de um guerreiro, entre outros.

Na Itália, os "bobos da corte", artistas do riso, transformaram-se em Arlequim, Pulcinella, Pierrot e Colombina, personagens que inspiraram o Carnaval de Veneza.

As máscaras, misticamente falando, têm o poder de revelar ou ocultar sentimentos.  Na necessidade do homem de se embelezar e de se transformar em uma outra identidade, surge em Veneza, no século XV, o primeiro baile de máscaras, "Ball Masquê", onde o uso da máscara também se fazia necessário devido a constantes conflitos políticos.

Os Cortesãos mascarados faziam brincadeiras, confiantes no anonimato, extravasando todos os seus impulsos reprimidos, libertando-os das normas sociais. Em Veneza, as máscaras também tornaram-se peças decorativas, transformando-se em principal atividade econômica para a região.

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